3%: Série entretém, mas não apresenta inovação | Cinematecando

Posted On 26/11/2016 By In Artigos - Séries, Críticas - Séries, Séries

3%: Série entretém, mas não apresenta inovação

Essa análise está LIVRE de SPOILERS. Leia sem medo!

A Netflix disponibilizou sexta-feira, dia 25/11, todos os episódios da série 3%, a primeira produção totalmente brasileira do serviço de streaming. A ideia da série surgiu em 2009, época em que foi lançada uma websérie no Youtube com três partes, mostrando vagamente a ideologia da história e alguns perfis de personagens que foram preservados na produção final, mesmo que com atores diferentes. Apesar de ter uma premissa interessante, 3% é mais uma história entre tantas que mostram um mundo dividido em dois lados: o caótico e o perfeito, como Jogos Vorazes, Maze Runner e Elysium.

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ROTEIRO COM POTENCIAL PARA SER MUITO MAIS

Escrita por Pedro Aguilera, 3% se passa em um mundo pós-apocalíptico, em algum lugar não especificado do Brasil. No Continente, que abriga 97% da população, os recursos são escassos e os habitantes levam uma vida precária. Aos 20 anos, os jovens têm a oportunidade de entrar no Processo para começarem uma vida nova no Maralto, também conhecido como ‘lado de lá’, uma cidade longe da violência e do caos do Continente. Não é mera coincidência se a sinopse lembrar filmes famosos como Jogos Vorazes e talvez esse seja o maior problema de 3%: abordar um assunto tão explorado, sem trazer qualquer inovação surpreendente.

A história é uma crítica clara à desigualdade social, mas não apenas isso. A série toca em assuntos importantes como o estresse que enfrentamos durante um processo como vestibular, por exemplo. Porém, essas críticas poderiam ser mais bem exploradas, mostrando outras nuances que fugissem do óbvio. Um ponto que incomoda é o fato do Continente não ser tão retratado como deveria: assim como o Maralto, não sabemos muitas informações sobre ele. Nas imagens em que essa cidade pós-apocalíptica aparece, conseguimos notar sujeira, violência e falta de recursos básicos, nada muito diferente do que já vemos em alguns locais no Brasil atual. Outro ponto fraco da série é a trilha sonora, que às vezes aparece de maneira forçada durante as cenas.

No episódio piloto, as atuações parecem frias, com exceção de João Miguel, que interpreta Ezequiel, o chefe do Processo, e outros dois atores: Rodolfo Valente (Rafael) e Bianca Comparato (Michele). Com o decorrer dos episódios, Vaneza Oliveira se destaca como Joana e Rafael Losano surpreende na pele de Marco, personagem que protagoniza uma sequência de cenas importantes. Já outros, infelizmente, não conseguem passar o sentimento que o thriller brasileiro pede e, por isso, acabam se tornando personagens que não convencem.

ASPECTOS POSITIVOS

Mesmo que apresente diversos defeitos, 3% não é uma série ruim ou péssima. É interessante, na verdade, acompanhar os testes e seus critérios para eliminar os participantes. O personagem Ezequiel é muito bem construído e o roteiro nos mostra suas inúmeras faces, colocando em dúvida o seu caráter e a eficácia do Processo. Também é legal conhecer um pouco mais sobre a vida dos personagens principais (Michele, Rafael, Fernando, Joana e Marco) e Pedro Aguilera trouxe histórias intrigantes para cada um deles. Algumas reviravoltas na trama surpreendem positivamente e conseguem deixar quem assiste curioso para saber o que vem a seguir. A série possui um ritmo agradável, caminhando sempre para frente e raramente parando para nos trazer alguma informação desnecessária.

 3% PODE SER APENAS O COMEÇO

Por mais que 3% não seja um sucesso de críticas, a série pode atuar como uma porta de entrada para outras produções totalmente brasileiras da Netflix. Parece que, nessa primeira experiência, faltou um pouco de ousadia e coragem. Mas isso não impede de maneira alguma que outras séries nacionais, com temáticas diferentes e cheias de personalidade própria, apareçam nos próximos anos na Netflix, já que tanto os nossos atores como os nossos roteiristas possuem capacidade para isso.

Essa análise está LIVRE de SPOILERS. Leia sem medo! A Netflix disponibilizou sexta-feira, dia 25/11, todos os episódios da série 3%, a primeira produção totalmente brasileira do serviço de streaming. A ideia da série surgiu em 2009, época em que foi lançada uma websérie no Youtube com três partes, mostrando vagamente a ideologia da história e alguns perfis de personagens que foram preservados na produção final, mesmo que com atores diferentes. Apesar de ter uma premissa interessante, 3% é mais uma história entre tantas que mostram um mundo dividido em dois lados: o caótico e o perfeito, como Jogos Vorazes, Maze Runner e Elysium. ROTEIRO COM POTENCIAL PARA SER MUITO MAIS Escrita por Pedro Aguilera, 3% se passa em um mundo pós-apocalíptico, em algum lugar não especificado do Brasil. No Continente, que abriga 97% da população, os recursos são escassos e os habitantes levam uma vida precária. Aos 20 anos, os jovens têm a oportunidade de entrar no Processo para começarem uma vida nova no Maralto, também conhecido como ‘lado de lá’, uma cidade longe da violência e do caos do Continente. Não é mera coincidência se a sinopse lembrar filmes famosos como Jogos Vorazes e talvez esse seja o maior problema de 3%: abordar um assunto tão explorado, sem trazer qualquer inovação surpreendente. A história é uma crítica clara à desigualdade social, mas não apenas isso. A série toca em assuntos importantes como o estresse que enfrentamos durante um processo como vestibular, por exemplo. Porém, essas críticas poderiam ser mais bem exploradas, mostrando outras nuances que fugissem do óbvio. Um ponto que incomoda é o fato do Continente não ser tão retratado como deveria: assim como o Maralto, não sabemos muitas informações sobre ele. Nas imagens em que essa cidade pós-apocalíptica aparece, conseguimos notar sujeira, violência e falta de recursos básicos, nada muito diferente do que já vemos em alguns locais no Brasil atual. Outro ponto fraco da série é a trilha sonora, que às vezes aparece de maneira forçada durante as cenas. No episódio piloto, as atuações parecem frias, com exceção de João Miguel, que interpreta Ezequiel, o chefe do Processo, e outros dois atores: Rodolfo Valente (Rafael) e Bianca Comparato (Michele). Com o decorrer dos episódios, Vaneza Oliveira se destaca como Joana e Rafael Losano surpreende na pele de Marco, personagem que protagoniza uma sequência de cenas importantes. Já outros, infelizmente, não conseguem passar o sentimento que o thriller brasileiro pede e, por isso, acabam se tornando personagens que não convencem. ASPECTOS POSITIVOS Mesmo que apresente diversos defeitos, 3% não é uma série ruim ou péssima. É interessante, na verdade, acompanhar os testes e seus critérios para eliminar os participantes. O personagem Ezequiel é muito bem construído e o roteiro nos mostra suas inúmeras faces, colocando em dúvida o seu caráter e a eficácia do Processo. Também é legal conhecer um pouco mais sobre a vida dos personagens principais (Michele, Rafael, Fernando, Joana e Marco) e Pedro Aguilera trouxe histórias intrigantes para cada um deles. Algumas reviravoltas…

Nota

3%

Bom

Em um mundo distópico, cruelmente dividido entre progresso e devastação, a população só tem uma chance de melhorar a sua sorte - e somente 3% conseguirão.

60

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