As faces do Jornalismo no Cinema e na TV | Cinematecando

Posted On 28/01/2016 By In Artigos - Séries, Séries

As faces do Jornalismo no Cinema e na TV

O Jornalismo (ou o Quarto Poder, expressão utilizada para enobrecer o poder da mídia) exerce influência não só na vida real como na ficção, afinal, cinema também é um meio de comunicação. A retratação do dia-a-dia jornalístico – começando pela ética, passando pelos bastidores do trabalho até chegar nas investigações e nos poderes e consequências que cada furo possui – já foi muito abordada em filmes e séries.

Projetos ligados ao Jornalismo ganharam inúmeros prêmios importantes e, alguns, como o filme Cidadão Kane, foram considerados marcas de inovação no cinema. É reconfortante ver que a Sétima Arte valoriza essa profissão que pode não ser tão glamourosa na prática, mas que inquestionavelmente faz parte da vida da sociedade.

Aproveitando a estreia recente do filme Spotlight: Segredos Revelados, o site Cinematecando criou uma lista com obras que estão ligadas com o Jornalismo. Os filmes e seriados abaixo estão recheados de enredos bem construídos,  repórteres que fazem de tudo por suas matérias e atores e atrizes nomeados e vencedores do Oscar.

Como não dá para comentar sobre todos os filmes e séries que se relacionam com o Jornalismo, fique à vontade para comentar no fim da lista se você sentiu falta de algum trabalho!

FILMES

Cidadão Kane (1941)
Vencedor da categoria Melhor Roteiro no Oscar

É praticamente obrigatório iniciar qualquer lista que ligue o jornalismo e o cinema com esse filme. Orson Welles dirigiu, produziu, escreveu e estrelou essa obra-prima atemporal, que examina a história do empresário da imprensa Charles Foster Kane (vivido por Welles). O filme ousou por apresentar a não-linearidade no cinema ao começar pelo “fim”, com a morte de Kane. O que se desenvolve a partir dali é a investigação que o jornalista Jerry Thompson faz sobre a vida do magnata, desde sua infância até o sucesso como homem da mídia – tudo isso para descobrir qual o significado da palavra que Kane disse em seu leito de morte: Rosebud.

A Montanha dos Sete Abutres (1951)

Um filme que expõe o jornalismo sensacionalista. Kirk Douglas interpreta um repórter que, depois de ser despedido de 11 jornais, se estabelece no Novo México. Porém, se encontra sem nenhuma motivação porque não há histórias interessantes para cobrir. Até que acaba descobrindo um minerador que ficou preso em uma mina e, nesta situação dramática, encontra a reportagem perfeita. O repórter faz de tudo para atrasar o resgate, a fim de que seu trabalho alcance o maior número de pessoas possível.

A Doce Vida (1960)
Vencedor do Palma de Ouro no Festival de Cannes

Obra-prima do diretor italiano Federico Fellini, o filme é uma crítica para a sociedade pós-guerra, que era repleta de superficialidade. O personagem Marcello (vivido por Marcello Mastroianni) é um jornalista especializado em sensacionalismo que vive ao redor de artistas e celebridades na Itália. O ponto alto pode ser a famosa sequência da Fontana di Trevi, mas A Doce Vida exibe primorosamente a solidão como consequência do excesso.

Curiosidade: o termo Papparazzo surgiu a partir desse filme, pois o personagem que tinha esse nome era fotógrafo e estava sempre atrás das celebridades.

Rede de Intrigas (1976)
Vencedor das categorias Melhor Ator (Peter Finch), Melhor Atriz (Faye Dunaway), Melhor Atriz Coadjuvante (Beatrice Straight) e Melhor Roteiro no Oscar

Esse filme foi exibido na minha turma de Jornalismo e aposto que isso se repete em inúmeras faculdades… não é para menos! Rede de Intrigas é dirigido por Sidney Lumet e possui um humor ácido, com crítica aberta à televisão. A história centra-se em Howard Beale (Peter Finch), âncora de um noticiário que anuncia seu suicídio no ar após descobrir que foi demitido pela baixa audiência. A ironia é que, logo após o polêmico anúncio, a audiência recomeça a subir e ele acaba sendo readmitido. O diretor do filme percorre os bastidores da televisão e expõe a manipulação que ultrapassa a moralidade. É um clássico indispensável.

Todos os Homens do Presidente (1976)
Vencedor da categoria Melhor Ator Coadjuvante (Jason Robards) no Oscar

Robert Redford e Dustin Hoffman formam uma dupla de protagonistas dinâmica e perseverante. Eles são dois jornalistas do jornal The Washington Poste simbolizam o jornalismo investigativo, aquele que não se cansa e que não desiste de alcançar a verdade. O diretor Alan J. Pakula se baseou no livro homônimo que conta a história da investigação do Caso Watergate, que levou o presidente Nixon à renúncia. É mais um filme exemplar, com um desenrolar tenso e bem amarrado.

O Jornal (1994)

Este filme mostra literalmente a rotina de 24h dos jornalistas em uma redação de jornal. Michael Keaton, Glenn Close, Robert Duvall e Marisa Tomei estrelam essa história cheia de correria, fervor e nervosismo. A escolha entre a vida pessoal e profissional também é um tema abordado no filme de Ron Roward. Mas, principalmente, ele discute os conflitos éticos e a importância do jornalismo para seus leitores.

Quase Famosos (2000)
Vencedor da categoria Melhor Roteiro no Oscar

Com muita autenticidade, o diretor Cameron Crowe fez um filme que mergulha nos anos 70, no rico cenário do Rock N’ Roll e no início do jornalismo musical norte-americano. O jovem aspirante a jornalista William Miller esconde sua idade (15 anos) e consegue um emprego na revista Rolling Stone para cobrir a turnê de uma banda que ama, a Stillwater. Durante a turnê, ele passa por muitas experiências marcantes e vê sua inocência indo embora. O mais interessante é que Quase Famosos foi baseado nas vivências do próprio diretor, uma vez que ele também foi um escritor adolescente na revista Rolling Stone.

Capote (2005)
Vencedor da categoria Melhor Ator (Philip Seymor Hoffman)

A investigação que o filme aborda foi real, conduzida por um jornalista chamado Truman Capote (interpretado por Philip Seymour Hoffman). Ele acreditava que a não-ficção poderia ser tão marcante quanto a ficção, e ele provou que isso era possível. Reunindo informações e entrevistando fontes sobre o massacre de uma família no Kansas, Capote simplesmente deu início aoJornalismo Literário, um dos grandes marcos da profissão que aconteceu na década de 60.

Frost/Nixon (2009)

Este filme pode ser uma ótima continuação para quem assistir Todos os Homens do Presidente, já que aborda os eventos após a bomba do caso Watergate. O diretor Ron Roward deixa clara a preparação que um jornalista precisa ter para uma entrevista – ainda mais com o Presidente dos Estados Unidos. As atuações de Michael Sheen como David Frost e Frank Langella como o Presidente Nixon são ótimas e expõem todo o nervosismo da situação. O filme é muito bem dirigido e a entrevista ficou extremamente similar com a original, feita em 1972 (ela está disponibilizada no Youtube).

Spotlight: Segredos Revelados (2015)
Vencedor das categorias Melhor Filme e Melhor Roteiro Original no Oscar

O filme mais recente sobre jornalismo (também baseado em fatos reais) foi indicado a seis categorias no Oscar 2016. A direção de Tom McCarthy, junto com um elenco bem formado por Rachel McAdams, Michael Keaton, Mark Ruffalo, Liev Schreiber, Stanley Tucci e Brian d’Arcy James compõem essa história densa com uma temática inquietante: o assédio sexual infantil feito por padres de diversos estados dos EUA. As árduas investigações da equipe do jornal The Boston Globe são encaminhadas com um suspense sutil, mostrando aspectos tradicionais da profissão (como a busca manual pelas informações, sem internet) e o papel heroico que a imprensa pode conquistar. Como todos os filmes acima, é uma verdadeira aula de jornalismo.

SÉRIES DE TV

The Newsroom (2012-2014)
Vencedora na categoria Melhor Ator em Série Dramática (Jeff Daniels) no Emmy

Até o momento em que escrevo esse texto, posso afirmar que nunca assisti uma série que abordou de maneira tão vibrante o jornalismo em sua mais pura forma. The Newsroom foi criada e escrita por um dos maiores roteiristas da atualidade, Aaron Sorkin. O roteiro, sempre ágil e fluente, faz o espectador não tirar os olhos da tela e é uma das maiores proezas dessa série que infelizmente só teve três temporadas. O ritmo frenético da equipe do canal fictício ACN prende a atenção logo no primeiro episódio, assim como em todos os casos abordados, a maioria reais. De Bin Laden a debates políticos, de tramas entre os personagens até o atentado à maratona em Boston: tudo é feito de maneira impecável. Jeff Daniels, como o âncora Will McAvoy e Emily Mortimer como a produtora MacKenzie McHale são apenas uma pequena parte de um elenco que mostra por que o jornalismo vale a pena.

House of Cards (2013-)
Vencedora do Emmy em Melhor Direção (David Fincher), vencedor do Globo de Ouro em Melhor Ator (Kevin Spacey) e Melhor Atriz (Robin Wright)

Por mais que a premissa da série seja a política, o jornalismo também faz parte da série, sobretudo em sua primeira e segunda temporada. Em House of Cards(série de drama criada por Beau Willimon para a Netflix) a ética é jogada de lado em um jogo de gato e rato entre o político Frank Underwood e a repórter Zoe Barnes, onde a ambição pelo poder e a manipulação levam a jornalista a publicar matérias que prejudicam os rivais de Underwood.

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.