Crítica: After | Cinematecando

Posted On 12/04/2019 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: After

O que vem depois das aparências?

critica after

Logo nas primeiras cenas, After já mostra ao que veio: trata-se de um filme com temática sobre adolescentes recém-chegados à vida adulta. E, como se não bastasse, com direito ao famigerado conflito entre a vida idealizada pela família e um relacionamento amoroso que promete tirar a pessoa da matrix, tal qual o mito da caverna, mas mostra ter problemas importantes também.

A obra, dirigida por Jenny Gage, é uma adaptação do best seller de Anna Todd, por sua vez derivada de uma fanfic, e retrata a saga de Tessa (Josephine Langford). A garota, que começará a vida universitária, tem uma vida perfeita – de acordo com os planos de sua mãe superprotetora, Carol (Selma Blair) -, com direito a um namoro estável, porém insosso, com Noah (Dylan Arnold), mas não faz a menor ideia do que a espera.

O primeiro conflito entre expectativa e realidade – ou melhor: bolha idealizada versus mundo real – já começa quando a protagonista chega ao local onde irá morar no campus. O motivo? O estilo meio bad girl, meio descolada de Molly (Inanna Sarkis), sua futura roommate, deixa a mãe de Tessa chocada a ponto de querer trocar a filha de quarto só para mantê-la afastada da primeira ameaça real ao seu plano perfeito estabelecido para ela – o que não acontece, vale dizer.

Logo de cara, ela se torna próxima a Landon (Shane Paul McGhie), personagem cujo arco dramático poderia ter sido muito melhor desenvolvido por causa da importância que poderia ter para a trama – guarde essa informação. Todavia, a convivência com Molly torna as duas próximas e a coloca em contato com os amigos da nova roommate, entre os quais está Hardin (Hero Fiennes-Tiffin), filho do reitor da universidade, Ken Scott (Peter Gallagher), que representa o arquétipo do bad boy e, é claro, o oposto a tudo o que esteve no caminho de Tessa antes da vida universitária.

Como é de se imaginar em filmes românticos com elementos adolescentes, Tessa mostra certa aversão a Hardin, cujo ápice é um debate acalorado sobre Orgulho e Preconceito (Jane Austen) durante uma aula de literatura, no qual as visões de mundo dos dois são escancaradas. Isso fica evidente até pelo modo como a fotografia do filme retrata os dois no início: as cenas protagonizadas por Tessa têm iluminação clara, que parece ter sido inspirada em filtros do Instagram em alguns momentos, enquanto os enquadramentos iniciais de Hardin têm pegada mais soturna para a vibe misteriosa e descolada dele estar evidente.

No entanto, mais do que antipatia, está latente ali a existência de tensão – sexual, inclusive – entre os dois, em especial por parte de Tessa. E esse é o ponto de partida para o envolvimento dos dois, motivado pelo misto de curiosidade por parte dela e, por mais contraditório que pareça, pelo interesse em comum por literatura.

Conforme a trama se desenrola, Tessa termina a relação com Noah de modo traumático para os dois e tem conflito intenso com a mãe, que não aceita a nova versão de sua filha. Ao mesmo tempo, ela se envolve cada vez mais com Hardin a ponto de descobrir mais traços de sua personalidade no cara. Em vez da versão cool e arrogante, ele mostra ser alguém sensível por trás do verniz blasé, e emocionalmente fragilizado por causa da relação de seu pai, com quem não se dá bem, com outra mulher – que é, inclusive, mãe de Landon, involuntária ponte entre os dois, por mais que Hardin não se dê bem com ele.

Outro aspecto que se torna evidente é o caráter dúbio da relação entre os dois: não dá para saber se Tessa está descobrindo quem de fato ela é após ter se distanciado do mundo idealizado por sua mãe, ou se ela mergulha no universo de Hardin a ponto de abrir mão de suas convicções. Isso é reforçado pela dinâmica entre eles, que transita entre a cumplicidade e traços abusivos nas entrelinhas, como o comportamento emocionalmente fragilizado de Hardin ser um dos fios condutores da dinâmica entre o casal. Para completar, como é de se imaginar, há um plot twist no qual tudo o que Tessa idealizara, ao se ver totalmente entregue à relação com Hardin, se desfaz tal qual um castelo de areia.

After vai um pouco além do que filmes românticos adolescentes têm a oferecer, ao mostrar nuances comportamentais e psicológicas dos protagonistas, mas escorrega ao retratar o desenvolvimento raso de Tessa durante a trama. De quebra, tende a empolgar pouco quem havia lido o livro – e a fanfic – e quem assistir ao filme sem saber do que se trata. E, mesmo com as poucas cenas que pretendiam ser sexualmente ousadas, mas parecem ter sido feitas sob medida para uma novela da faixa das 21h, pode cair bem na programação televisiva de filmes exibidos no período da tarde.

O que vem depois das aparências? Logo nas primeiras cenas, After já mostra ao que veio: trata-se de um filme com temática sobre adolescentes recém-chegados à vida adulta. E, como se não bastasse, com direito ao famigerado conflito entre a vida idealizada pela família e um relacionamento amoroso que promete tirar a pessoa da matrix, tal qual o mito da caverna, mas mostra ter problemas importantes também. A obra, dirigida por Jenny Gage, é uma adaptação do best seller de Anna Todd, por sua vez derivada de uma fanfic, e retrata a saga de Tessa (Josephine Langford). A garota, que começará a vida universitária, tem uma vida perfeita - de acordo com os planos de sua mãe superprotetora, Carol (Selma Blair) -, com direito a um namoro estável, porém insosso, com Noah (Dylan Arnold), mas não faz a menor ideia do que a espera. O primeiro conflito entre expectativa e realidade - ou melhor: bolha idealizada versus mundo real - já começa quando a protagonista chega ao local onde irá morar no campus. O motivo? O estilo meio bad girl, meio descolada de Molly (Inanna Sarkis), sua futura roommate, deixa a mãe de Tessa chocada a ponto de querer trocar a filha de quarto só para mantê-la afastada da primeira ameaça real ao seu plano perfeito estabelecido para ela - o que não acontece, vale dizer. Logo de cara, ela se torna próxima a Landon (Shane Paul McGhie), personagem cujo arco dramático poderia ter sido muito melhor desenvolvido por causa da importância que poderia ter para a trama - guarde essa informação. Todavia, a convivência com Molly torna as duas próximas e a coloca em contato com os amigos da nova roommate, entre os quais está Hardin (Hero Fiennes-Tiffin), filho do reitor da universidade, Ken Scott (Peter Gallagher), que representa o arquétipo do bad boy e, é claro, o oposto a tudo o que esteve no caminho de Tessa antes da vida universitária. Como é de se imaginar em filmes românticos com elementos adolescentes, Tessa mostra certa aversão a Hardin, cujo ápice é um debate acalorado sobre Orgulho e Preconceito (Jane Austen) durante uma aula de literatura, no qual as visões de mundo dos dois são escancaradas. Isso fica evidente até pelo modo como a fotografia do filme retrata os dois no início: as cenas protagonizadas por Tessa têm iluminação clara, que parece ter sido inspirada em filtros do Instagram em alguns momentos, enquanto os enquadramentos iniciais de Hardin têm pegada mais soturna para a vibe misteriosa e descolada dele estar evidente. No entanto, mais do que antipatia, está latente ali a existência de tensão - sexual, inclusive - entre os dois, em especial por parte de Tessa. E esse é o ponto de partida para o envolvimento dos dois, motivado pelo misto de curiosidade por parte dela e, por mais contraditório que pareça, pelo interesse em comum por literatura. Conforme a trama se desenrola, Tessa termina a relação com Noah de modo traumático para os dois e tem conflito…

After

Cotação

Regular

Apesar de ser um pouco mais profundo do que filmes com temática adolescente, o longa pouco empolga quem havia lido o livro e pessoas que desconhecem a história

51

Jornalista. Cinéfilo, crítico cultural wannabe e interessado por assuntos relativos a esportes, direitos humanos e minorias. Foi redator de cinema do Yahoo por um ano.