Crítica: Amante Por Um Dia | Cinematecando

Posted On 22/03/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Amante Por Um Dia

Novo filme do renomado Philippe Garrel estreia no Brasil em circuito fechado e chama atenção por abordagem realista do amor e discussões sobre fidelidade

O francês Philippe Garrel, apesar de não possuir tanta divulgação pela mídia, é um cineasta prestigiado por muitos cinéfilos e críticos ao redor do mundo. Conhecido (e premiado) por filmes como Já Não Ouço a Guitarra (1991) e Amantes Constantes (2005), o diretor e roteirista apresenta, em seu novo filme, uma história sobre amor, amizade e companheirismo, traçando o enredo em torno de conflitos psicológicos aprofundados em seus personagens e passeando por temas como a fidelidade amorosa. Garrel traz também boas discussões em diálogos inteligentes, mas também deixa a desejar em sua conclusão, deixando a impressão de que faltou algum tempero ou maior identificação com a narrativa.

Após um duro término de namoro, Jeanne (Esther Garrel) busca abrigo na casa de seu pai Gilles (Éric Caravaca), professor universitário. Estabelecida, a jovem extremamente abatida pela separação descobre que a nova namorada dele, Ariane (Louise Chevillote), tem a sua idade. Superado o choque inicial, as duas passam a compartilhar segredos.

Com esse trio de personagens principais bem construídos, o roteiro faz com que o espectador se enxergue um pouco em cada um deles. O primeiro ato de Amante Por Um Dia se desenvolve majestosamente – principalmente com a relação de amizade que Jeanne e Ariane criam entre si. É algo novo, empolgante, natural, sugestivo e, mais importante: crível. O roteiro, que é escrito por 4 pessoas (incluindo Garrel), acerta em cheio nos diálogos e na elaboração das personalidades do trio. A fotografia em preto e branco destaca a sutileza do relacionamento entre os personagens e a melancolia da trama.

Gilles, embora ausente em várias cenas do filme, carrega uma importância considerável na história. Seu personagem é em vezes apagado pela inexpressão de Caravaca, que prejudica sentimentos de alegria e satisfação, mas que auxilia na tristeza presente em seu dia a dia. O filme todo inspira conflitos entre os personagens e expira melancolia aos olhos do espectador. A originalidade da obra está na direção de atores e no tratamento da trama. São nesses momentos que nos vemos submersos na história e interessados no arco de Jeanne com seu ex-namorado (Mateo), e na relação entre Ariane e Gilles.

Amante Por Um Dia instiga seu público muito bem, mas não aparenta concluir sua história de maneira satisfatória, talvez com a intenção de abrir espaço para interpretações e não definir a “resposta” do amor, ou mais precisamente das relações amorosas. Por fim, não nos deixa um gosto de “quero mais”, mas sim de “quero conclusões”. Entretanto, essa ausência de conclusões não se faz necessariamente ruim. Pode ser um reflexo realista da nossa vida diante de suas complicações. A falta de respostas é eminente em nossas relações, sem certezas de nada e com dúvidas de tudo. Ainda assim, pessoalmente, me senti distante da proposta do terceiro ato.

Com uma narração onipresente e uma trilha musical oportunista (que se faz presente somente em momentos específicos) porém delicada, o filme segue um caminho cheio de naturalidade. Seja nas ações dos personagens ou no próprio decorrer da narrativa, o espectador presencia quase que um documentário fantasiado de ficção, distante de entrevistas ou quaisquer moldes do gênero, porém com uma presença fortíssima do realismo em todas as cenas.

Contando com o belo controle de iluminação dos cenários e a direção sensível de Philippe Garrel, em minha opinião, a maior força da obra ainda fica nas mãos (ou melhor, nos rostos) das duas atrizes principais, Esther Garrel e Louise Chevillote. Com interpretações valiosas através de suas expressões faciais e corporais, dão vida à Jeanne e Ariane, personagens muito bem desenvolvidas por um roteiro que pretende provocar questionamentos e enternecer seu público.

FICHA TÉCNICA
Direção: Philippe Garrel
Roteiro:
Philippe Garrel, Jean-Claude Carrière, Carolina Deruas, Arlette Langmann
Elenco: Kiele Sanchez, Gabriel Bateman, Darby Camp, Will Rothhaar, Angus Sampson, Jerod Haynes
Produção: Saïd Ben Saïd, Michel Merkt, Olivier Père
Fotografia: Renato Berta
Música: Jean-Louis Aubert
Montagem: François Gédigier
Gênero:
Drama / Romance
Duração: 76 min.

Novo filme do renomado Philippe Garrel estreia no Brasil em circuito fechado e chama atenção por abordagem realista do amor e discussões sobre fidelidade O francês Philippe Garrel, apesar de não possuir tanta divulgação pela mídia, é um cineasta prestigiado por muitos cinéfilos e críticos ao redor do mundo. Conhecido (e premiado) por filmes como Já Não Ouço a Guitarra (1991) e Amantes Constantes (2005), o diretor e roteirista apresenta, em seu novo filme, uma história sobre amor, amizade e companheirismo, traçando o enredo em torno de conflitos psicológicos aprofundados em seus personagens e passeando por temas como a fidelidade amorosa. Garrel traz também boas discussões em diálogos inteligentes, mas também deixa a desejar em sua conclusão, deixando a impressão de que faltou algum tempero ou maior identificação com a narrativa. Após um duro término de namoro, Jeanne (Esther Garrel) busca abrigo na casa de seu pai Gilles (Éric Caravaca), professor universitário. Estabelecida, a jovem extremamente abatida pela separação descobre que a nova namorada dele, Ariane (Louise Chevillote), tem a sua idade. Superado o choque inicial, as duas passam a compartilhar segredos. Com esse trio de personagens principais bem construídos, o roteiro faz com que o espectador se enxergue um pouco em cada um deles. O primeiro ato de Amante Por Um Dia se desenvolve majestosamente - principalmente com a relação de amizade que Jeanne e Ariane criam entre si. É algo novo, empolgante, natural, sugestivo e, mais importante: crível. O roteiro, que é escrito por 4 pessoas (incluindo Garrel), acerta em cheio nos diálogos e na elaboração das personalidades do trio. A fotografia em preto e branco destaca a sutileza do relacionamento entre os personagens e a melancolia da trama. Gilles, embora ausente em várias cenas do filme, carrega uma importância considerável na história. Seu personagem é em vezes apagado pela inexpressão de Caravaca, que prejudica sentimentos de alegria e satisfação, mas que auxilia na tristeza presente em seu dia a dia. O filme todo inspira conflitos entre os personagens e expira melancolia aos olhos do espectador. A originalidade da obra está na direção de atores e no tratamento da trama. São nesses momentos que nos vemos submersos na história e interessados no arco de Jeanne com seu ex-namorado (Mateo), e na relação entre Ariane e Gilles. Amante Por Um Dia instiga seu público muito bem, mas não aparenta concluir sua história de maneira satisfatória, talvez com a intenção de abrir espaço para interpretações e não definir a "resposta" do amor, ou mais precisamente das relações amorosas. Por fim, não nos deixa um gosto de "quero mais", mas sim de "quero conclusões". Entretanto, essa ausência de conclusões não se faz necessariamente ruim. Pode ser um reflexo realista da nossa vida diante de suas complicações. A falta de respostas é eminente em nossas relações, sem certezas de nada e com dúvidas de tudo. Ainda assim, pessoalmente, me senti distante da proposta do terceiro ato. Com uma narração onipresente e uma trilha musical oportunista (que se faz presente somente em momentos…

Amante Por Um Dia

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Trilha-Sonora
Arte
Montagem

Bom

69

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