Posted On 12/06/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Animal Político

Apresentado pelo projeto Sessão Vitrine Petrobras, Animal Político, que estreou na quinta passada, é um dos mais inusitados filmes nacionais desses tempos, principalmente por se tratar da estreia do pernambucano Tião na direção de longas.

Orgulhosamente apresentado em materiais de divulgação, o ponto de partida narrativo de Animal Político é cativante: uma vaca (a vaca Cerveja, com voz de Rodrigo Bolzan), que vive com a família humana na cidade grande, decide se afastar de sua vida, regida pela cultura do consumo, e encontrar respostas para seus dilemas existenciais.

Meu maior temor com Animal Político: apostar em um conceito que, ao longo de seus 70 minutos de tela, não se renova. Felizmente, Tião cria uma série situações subversivas e inesperadas que injetam vida em seu longa. Seria um equívoco revelar as bizarrices que sucedem, talvez exceto pelo trecho aparentemente deslocado da Pequena Caucasiana (Elisa Heidrich), que interrompe a narrativa principal com seu curta semi-documental, com fotografia em 16 mm e sensibilidades a la Wes Anderson.

A começar pelo título, é bem claro que Animal Político tem suas pretensões filosóficas, e tal ambição é admirável em uma comédia surrealista. Mesmo que alguns trechos sejam um tanto óbvios demais (e outros simplesmente gratuitos), o longa de Tião sabe comunicar suas ideias com simplicidade e despojo, sem se levar completamente a sério ou assumir uma postura condescendente em relação ao público. Há quem torça o nariz para um resultado tão “facinho”, mas Tião criou um longa que mira além do típico público do circuito alternativo.

Animal Político é beneficiado também por sua identidade visual, que traz à memória os filmes de Quentin Dupieux (Wrong, Rubber) sem abrir mão de elementos surreais marcadamente inspirados em nossa cultura. Fotografado digitalmente em um baixíssimo custo (a não ser pelo já mencionado trecho da Pequena Caucasiana), o longa tem visíveis limitações em sua qualidade de imagem, mas as boas composições imagéticas de Gustavo Jahn e Marcelo Lordello garantem uma experiência competente.

Julgando por seu começo promissor neste Animal Político, que esbanja personalidade, Tião pode eventualmente se tornar um dos mais interessantes cineastas do País, criando novas dinâmicas em seu cinema surreal, mas ainda muito humano e, claro, brasileiro.

FICHA TÉCNICA
Direção: Tião
Roteiro: Tião
Elenco: Cerveja, Rodrigo Bolzan, Elisa Heidrich
Fotografia: Gustavo Jahn, Marcelo Lordello
Duração: 76 min
Distribuição: Vitrine Filmes
Gênero: Comédia

Apresentado pelo projeto Sessão Vitrine Petrobras, Animal Político, que estreou na quinta passada, é um dos mais inusitados filmes nacionais desses tempos, principalmente por se tratar da estreia do pernambucano Tião na direção de longas. Orgulhosamente apresentado em materiais de divulgação, o ponto de partida narrativo de Animal Político é cativante: uma vaca (a vaca Cerveja, com voz de Rodrigo Bolzan), que vive com a família humana na cidade grande, decide se afastar de sua vida, regida pela cultura do consumo, e encontrar respostas para seus dilemas existenciais. Meu maior temor com Animal Político: apostar em um conceito que, ao longo de seus 70 minutos de tela, não se renova. Felizmente, Tião cria uma série situações subversivas e inesperadas que injetam vida em seu longa. Seria um equívoco revelar as bizarrices que sucedem, talvez exceto pelo trecho aparentemente deslocado da Pequena Caucasiana (Elisa Heidrich), que interrompe a narrativa principal com seu curta semi-documental, com fotografia em 16 mm e sensibilidades a la Wes Anderson. A começar pelo título, é bem claro que Animal Político tem suas pretensões filosóficas, e tal ambição é admirável em uma comédia surrealista. Mesmo que alguns trechos sejam um tanto óbvios demais (e outros simplesmente gratuitos), o longa de Tião sabe comunicar suas ideias com simplicidade e despojo, sem se levar completamente a sério ou assumir uma postura condescendente em relação ao público. Há quem torça o nariz para um resultado tão “facinho”, mas Tião criou um longa que mira além do típico público do circuito alternativo. Animal Político é beneficiado também por sua identidade visual, que traz à memória os filmes de Quentin Dupieux (Wrong, Rubber) sem abrir mão de elementos surreais marcadamente inspirados em nossa cultura. Fotografado digitalmente em um baixíssimo custo (a não ser pelo já mencionado trecho da Pequena Caucasiana), o longa tem visíveis limitações em sua qualidade de imagem, mas as boas composições imagéticas de Gustavo Jahn e Marcelo Lordello garantem uma experiência competente. Julgando por seu começo promissor neste Animal Político, que esbanja personalidade, Tião pode eventualmente se tornar um dos mais interessantes cineastas do País, criando novas dinâmicas em seu cinema surreal, mas ainda muito humano e, claro, brasileiro. https://www.youtube.com/watch?v=vFA2CL7nmPM FICHA TÉCNICA Direção: Tião Roteiro: Tião Elenco: Cerveja, Rodrigo Bolzan, Elisa Heidrich Fotografia: Gustavo Jahn, Marcelo Lordello Duração: 76 min Distribuição: Vitrine Filmes Gênero: Comédia

Animal Político

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia

Bom

70

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