Crítica: Boneco de Neve | Cinematecando

Posted On 22/11/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Boneco de Neve

Boneco de neve? Que tal… bola de neve?

Sim, é de se lamentar que o novo filme de Tomas Alfredson, diretor que há nove anos fascinou a todos com o belíssimo e espetacular filme sueco Deixa Ela Entrar, é o mesmo por trás de Boneco de Neve, que mostra – porque contar ou narrar está fora de questão aqui – a história do detetive Harry Hole (Michael Fassbender) ao investigar o desaparecimento de uma mulher na primeira neve do inverno, na Noruega. Ele teme que um ‘serial killer’ seja o responsável e, com a ajuda da investigadora Katrine Bratt (Rebecca Ferguson), o detetive terá de conectar casos antigos ao novo, para evitar que isso continue acontecendo.

Faziam seis anos desde o último trabalho de Tomas Alfredson nas telas com o dignamente qualificado O Espião que Sabia Demais. À época, o filme figurou em diversas premiações pelo mundo, incluindo o Oscar. Gary Oldman em uma atuação nada menos que magistral foi um dos mais elogiados. Mas a estreia de Alfredson neste filme hollywoodiano só foi possível pelo enorme sucesso de crítica de Deixa Ela Entrar, história sobre a amizade de um garoto de 12 anos que sofre bullying e uma garota vampira. Este filme sueco fez parte de inúmeras listas escritas por críticos muito respeitados, até sendo considerado (com méritos) entre os cem melhores filmes deste século. (Obs.: existe uma versão americana deste filme chamada Deixe-me Entrar com Chloë Grace Moretz que é ótima também.)

Assim, surpreende (mas não de maneira positiva) que Boneco de Neve foi dirigido por Tomas Alfredson. Parece tão incoerente quanto o filme. O roteiro é atabalhoado, confuso e desvia em rotas sem saída, além de fazer escolhas de construção e tratamento superficiais (e muitos clichês). Logo nas cenas iniciais, ainda antes dos créditos, o filme entrega de mão beijada a razão patológica do comportamento do ‘serial killer’ na história… Assim, sem nenhum rodeio ou mistério, abdicando de criar qualquer climatização de um suspense de gênero que o filme poderia ter sido.

Este é o maior equívoco de Alfredson. Boneco de Neve é um suspense sem suspense, pois tudo é muito anticlimático do começo ao fim. Mesmo a resolução da história, em que acontece o clímax final, acaba por ficar afrouxada demais (além de ter tentado impor uma lição de moral que acaba sendo desperdiçada). A trilha sonora tenta a fórceps mergulhar o espectador em uma atmosfera que, na tela, não existe; e até a fotografia, que possuía boa matéria-prima para atrair, acaba por ficar isolada e perdida, e também é atropelada por essa bola de neve descendo a colina destruindo qualquer possibilidade que o filme teria de se salvar.

Há momentos que parecem haver dois filmes, onde nenhum se comunica com o outro, caminhando para lugar algum. Nessa caminhada, vaga o elenco.

O protagonista e galã Michael Fassbender fez oficialmente seu pior ano (e se quiser colocar Assassin’s Creed que é do ano anterior na barca…) em se tratando dos filmes que escolheu ser parte, e até de seu trabalho nestes desde 2011 – ano em que começou a se tornar um dos ‘queridinhos’ da indústria. É natural que isso aconteça, pois um ator não é tão diferente de um atleta. Às vezes, ficam desgastados de tanto trabalhar em tantos projetos (no caso dele, 21 filmes em sete anos), e perdem o gás que mostravam.

O resultado: atuações equivocadas (Alien: Covenant) ou no piloto automático como em Boneco de Neve. Talvez seja melhor para Fassbender, após X-Men: Fênix Negra – único filme que tem agendado para ano que vem – tirar umas férias e recarregar as energias, senão corre o risco de acontecer o mesmo que Brad Pitt entre 2013-2016.

Até a talentosa e carismática Rebecca Ferguson, que encantou em Missão Impossível: Nação Secreta e A Garota no Trem não consegue alcançar o público em Boneco de Neve. Mesmo que sua personagem apresente alguma base emocional e motivação, tudo acaba por ser em vão.

Uma pena… mas Boneco de Neve é asséptico, distante e até entediante.


FICHA TÉCNICA
Título Original: The Snowman
Direção: Tomas Alfredson
Produção: Perfect World Pictures; Working Title Films; Another Park Film; Universal Pictures
Roteiro: Hossein Amini, Peter Straughan e Søren Sveistrup
Gênero: Suspense policial
Duração: 119 minutos
Elenco: Michael Fassbender (Detetive Harry Hole); Rebecca Ferguson (Katrine Bratt); Charlotte Gainsbourg (Rakel Fauke); Val Kilmer (Gert Rafto); J.K. Simmons (Arve Støp); Chloë Sevigny (Sylvia Ottersen/Ane Pedersen)

Boneco de neve? Que tal... bola de neve? Sim, é de se lamentar que o novo filme de Tomas Alfredson, diretor que há nove anos fascinou a todos com o belíssimo e espetacular filme sueco Deixa Ela Entrar, é o mesmo por trás de Boneco de Neve, que mostra – porque contar ou narrar está fora de questão aqui – a história do detetive Harry Hole (Michael Fassbender) ao investigar o desaparecimento de uma mulher na primeira neve do inverno, na Noruega. Ele teme que um ‘serial killer’ seja o responsável e, com a ajuda da investigadora Katrine Bratt (Rebecca Ferguson), o detetive terá de conectar casos antigos ao novo, para evitar que isso continue acontecendo. Faziam seis anos desde o último trabalho de Tomas Alfredson nas telas com o dignamente qualificado O Espião que Sabia Demais. À época, o filme figurou em diversas premiações pelo mundo, incluindo o Oscar. Gary Oldman em uma atuação nada menos que magistral foi um dos mais elogiados. Mas a estreia de Alfredson neste filme hollywoodiano só foi possível pelo enorme sucesso de crítica de Deixa Ela Entrar, história sobre a amizade de um garoto de 12 anos que sofre bullying e uma garota vampira. Este filme sueco fez parte de inúmeras listas escritas por críticos muito respeitados, até sendo considerado (com méritos) entre os cem melhores filmes deste século. (Obs.: existe uma versão americana deste filme chamada Deixe-me Entrar com Chloë Grace Moretz que é ótima também.) Assim, surpreende (mas não de maneira positiva) que Boneco de Neve foi dirigido por Tomas Alfredson. Parece tão incoerente quanto o filme. O roteiro é atabalhoado, confuso e desvia em rotas sem saída, além de fazer escolhas de construção e tratamento superficiais (e muitos clichês). Logo nas cenas iniciais, ainda antes dos créditos, o filme entrega de mão beijada a razão patológica do comportamento do ‘serial killer’ na história... Assim, sem nenhum rodeio ou mistério, abdicando de criar qualquer climatização de um suspense de gênero que o filme poderia ter sido. Este é o maior equívoco de Alfredson. Boneco de Neve é um suspense sem suspense, pois tudo é muito anticlimático do começo ao fim. Mesmo a resolução da história, em que acontece o clímax final, acaba por ficar afrouxada demais (além de ter tentado impor uma lição de moral que acaba sendo desperdiçada). A trilha sonora tenta a fórceps mergulhar o espectador em uma atmosfera que, na tela, não existe; e até a fotografia, que possuía boa matéria-prima para atrair, acaba por ficar isolada e perdida, e também é atropelada por essa bola de neve descendo a colina destruindo qualquer possibilidade que o filme teria de se salvar. Há momentos que parecem haver dois filmes, onde nenhum se comunica com o outro, caminhando para lugar algum. Nessa caminhada, vaga o elenco. O protagonista e galã Michael Fassbender fez oficialmente seu pior ano (e se quiser colocar Assassin’s Creed que é do ano anterior na barca...) em se tratando dos filmes que escolheu ser parte, e até de seu trabalho nestes desde…

Boneco de Neve

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia

Ruim

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