Posted On maio 15, 2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Cuidado com o Slenderman

A este ponto, muitos já são familiares com a figura do Slenderman. Criado por Eric Knudsen em um trabalho de Photoshop, o personagem ganhou dimensão através de diversas creepypastas, histórias de terror disponibilizadas em uma wiki. Cuidado com o Slenderman, documentário que estreia hoje, segunda-feira (15) às 22h na HBO, traz outra dimensão à figura, uma muito mais aterrorizante e, infelizmente, real.

Em 2012, Anissa Weier e Morgan Geyser feriram uma amiga gravemente a facadas. As duas diziam tê-lo feito pelo Slenderman, na intenção de se tornarem suas servas. Vale enfatizar: as duas garotas tinham apenas 12 anos na época do crime, e de acordo com o documentário de Irene Taylor-Brodsky, suas motivações vieram de um lugar mais comum que o esperado.

Optando duvidosamente por iniciar o filme com uma cena de terror found-footage, a diretora Taylor-Brodsky logo começa a subverter, com inteligência, as expectativas do público. Conforme a história avança, Cuidado com o Slenderman ganha contornos cada vez mais tristes e reais, simultaneamente um drama de tribunal e uma análise das influências do virtual sobre o real.

Retratando o árduo cotidiano dos pais das duas condenadas, Taylor-Brodsky encontra verdades inquietantes. Em uma das cenas mais tocantes, o pai de Anissa, até aquele momento visto como um sujeito introspectivo, ameaça desabar ao relatar o stress de criar um filho pequeno em paralelo a uma filha encarcerada e humilhada publicamente.

Apesar da abordagem acertada dos ambientes familiares, Cuidado com o Slenderman sofre de alguns problemas, o mais notável deles sendo a excruciante duração de quase 2 horas. Tratando de um caso ainda recente, sem muitos desdobramentos concretos, Taylor-Brodsky captura apenas uma parte de um todo e o estende a uma longa-metragem. Talvez se fosse concebido de maneira episódica ou como a excepcional trilogia Paradise Lost, gravada em três diferentes décadas, Cuidado com o Slenderman poderia encontrar maior clareza.

Clareza é o que falta também na maneira como o fenômeno de Slenderman é explicado aqui. Trazendo pouco insight além do que está nas wikis, o longa de Taylor-Brodsky parece feito para os pais e adultos que não tomaram conhecimento do caso, o que, claro, não é um problema, mas pode decepcionar o público que espera expandir seus horizontes acerca de seus temas.

Ainda assim, Cuidado com o Slenderman se prova essencial em sua coragem de explorar a mentalidade de Geyser e Weier. Sem apelar para o fatalismo, Taylor-Brodsky construiu aqui um vislumbre desolador dos efeitos que a internet pode vir a surtir sobre jovens vulneráveis, entre eles o isolamento e, em casos mais sérios, a paranoia. Cuidado com o novo mundo.

FICHA TÉCNICA
Direção: Irene Taylor-Brodsky
Fotografia: Nick Midwig
Montagem: Gladys Murphy
Duração: 114 min
Distribuição: HBO Brasil
Gênero: Drama / Documentário

A este ponto, muitos já são familiares com a figura do Slenderman. Criado por Eric Knudsen em um trabalho de Photoshop, o personagem ganhou dimensão através de diversas creepypastas, histórias de terror disponibilizadas em uma wiki. Cuidado com o Slenderman, documentário que estreia hoje, segunda-feira (15) às 22h na HBO, traz outra dimensão à figura, uma muito mais aterrorizante e, infelizmente, real. Em 2012, Anissa Weier e Morgan Geyser feriram uma amiga gravemente a facadas. As duas diziam tê-lo feito pelo Slenderman, na intenção de se tornarem suas servas. Vale enfatizar: as duas garotas tinham apenas 12 anos na época do crime, e de acordo com o documentário de Irene Taylor-Brodsky, suas motivações vieram de um lugar mais comum que o esperado. Optando duvidosamente por iniciar o filme com uma cena de terror found-footage, a diretora Taylor-Brodsky logo começa a subverter, com inteligência, as expectativas do público. Conforme a história avança, Cuidado com o Slenderman ganha contornos cada vez mais tristes e reais, simultaneamente um drama de tribunal e uma análise das influências do virtual sobre o real. Retratando o árduo cotidiano dos pais das duas condenadas, Taylor-Brodsky encontra verdades inquietantes. Em uma das cenas mais tocantes, o pai de Anissa, até aquele momento visto como um sujeito introspectivo, ameaça desabar ao relatar o stress de criar um filho pequeno em paralelo a uma filha encarcerada e humilhada publicamente. Apesar da abordagem acertada dos ambientes familiares, Cuidado com o Slenderman sofre de alguns problemas, o mais notável deles sendo a excruciante duração de quase 2 horas. Tratando de um caso ainda recente, sem muitos desdobramentos concretos, Taylor-Brodsky captura apenas uma parte de um todo e o estende a uma longa-metragem. Talvez se fosse concebido de maneira episódica ou como a excepcional trilogia Paradise Lost, gravada em três diferentes décadas, Cuidado com o Slenderman poderia encontrar maior clareza. Clareza é o que falta também na maneira como o fenômeno de Slenderman é explicado aqui. Trazendo pouco insight além do que está nas wikis, o longa de Taylor-Brodsky parece feito para os pais e adultos que não tomaram conhecimento do caso, o que, claro, não é um problema, mas pode decepcionar o público que espera expandir seus horizontes acerca de seus temas. Ainda assim, Cuidado com o Slenderman se prova essencial em sua coragem de explorar a mentalidade de Geyser e Weier. Sem apelar para o fatalismo, Taylor-Brodsky construiu aqui um vislumbre desolador dos efeitos que a internet pode vir a surtir sobre jovens vulneráveis, entre eles o isolamento e, em casos mais sérios, a paranoia. Cuidado com o novo mundo. https://www.youtube.com/watch?v=n3kPPtBB4dw FICHA TÉCNICA Direção: Irene Taylor-Brodsky Fotografia: Nick Midwig Montagem: Gladys Murphy Duração: 114 min Distribuição: HBO Brasil Gênero: Drama / Documentário

Cuidado com o Slenderman

Direção
Fotografia
Montagem

Bom

70

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Redator do Cinematecando | Formado em Rádio, TV e Internet, 22 anos. Desde sempre teve uma grande queda por cinema e de vez em quando enlouquece sobre algum filme pouco falado ou conhecido. Também fascinado por séries, ainda está de luto pelo cancelamento da maravilhosa Penny Dreadful e será eternamente grato pela existência de The Leftovers. Além disso é um gamer ávido por boas histórias e sente-se bastante estranho ao escrever uma bio em terceira pessoa.