Crítica: A Garota no Trem | Cinematecando

Posted On 24/10/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: A Garota no Trem

Thrillers psicológicos são, em geral, muito bem-vindos para os amantes da literatura e do gênero suspense. Com essa leva de obras que prendem a atenção do leitor (como as de Dan Brown), não é à toa que o livro A Garota no Trem, de Paula Hawkings, seja considerado como um dos maiores fenômenos editoriais, vendendo mais de quatro milhões de exemplares e sendo traduzido para 44 línguas. Ao conquistar tantos leitores pelo mundo todo, já era mais do que esperado que alguma produtora e distribuidora (neste caso, DreamWorks PicturesUniversal Pictures) corressem atrás dos direitos do livro para adaptar essa história na telona. O resultado disso é um filme que surpreende pelas incógnitas que apresenta e que possui um tema muito delicado como pano de fundo. Em A Garota no Trem, do diretor Tate Taylor (Histórias Cruzadas), a vontade de juntar essas peças junto com a protagonista é realmente inevitável e inquietante.

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Emily Blunt (Sicario) dá vida a Rachel Watson, uma mulher que tenta manter sua sanidade anos após seu divórcio com Tom (Justin Theroux). Ela ainda não está totalmente recuperada e desconta sua infelicidade entre um e outro gole de álcool. Sua atividade diária é andar de trem e observar a paisagem – o que inclui sua antiga casa, que hoje é lar de seu ex, a nova esposa Anna (Rebecca Ferguson) e a bebê do casal. Todos os dias, Rachel cai na armadilha de olhar para a casa, que simboliza seu passado e a culpa que carrega consigo. Para se distrair de sua própria vida, ela começa a observar uma das casas vizinhas, onde Megan (Haley Bennet) e Scott (Luke Evans) formam um casal que Rachel considera perfeito. Até que ela vê algo estranho de dentro do trem e o grande mistério do filme começa a se desenrolar. Junte essa distração com a bebida e os problemas da protagonista, e já temos os elementos que tornam a trama ainda mais agoniante, pois assim como Rachel, o espectador não sabe exatamente tudo o que aconteceu; a única coisa concreta é que ela é a peça-chave de um acontecimento sem explicação: o desaparecimento de Megan. Contudo, seu vício em bebida e comportamento explosivo tornam Rachel a principal suspeita do caso, com a detetive Riley (Allison Janney) sob seu encalço.

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O estilo do filme pode se assemelhar em certo ponto com Garota Exemplar (obra impecável do diretor David Fincher) pelo recurso da narração das três personagens que estão conectadas entre si: Rachel, Anna e Megan. As idas e vindas no tempo também são essenciais para entendermos o que levou a cada uma estar ali, naquelas situações. A técnica pode parecer confusa, mas prende – e muito – a atenção. O interessante é que, inevitavelmente, damos mais foco em Rachel e sua fraqueza emocional, quando na verdade, podemos tirar vários detalhes “escondidos” no enredo se olharmos através disso. Essa é uma das maiores qualidades de A Garota no Trem: nem tudo é o que parece ser.

Outro ponto forte do filme é Emily Blunt, que sempre escolhe papéis que a fazem brilhar (como Sicario, O Diabo veste Prada e O Caçador e a Rainha do Gelo). E neste filme ela se firma como uma ótima protagonista de suspense roubando cada cena – seja com sua aparência ou com seus olhares distantes e reflexivos, que se encaixam perfeitamente com as emoções que ela quer passar. Assim como Blunt, o elenco secundário tem qualidade de sobra, apesar de faltar aprofundamento de personagens como Tom, Scott e Riley. Querendo ou não, os três acabam se tornando unidimensionais na trama. Aliás, o desenrolar do filme é bem trabalhado e conta com um ponto de virada sensacional que realmente pega de surpresa quem não leu o livro, mas a investigação do caso de Megan não tem nem 1% da atenção que era necessária, com pouquíssimas cenas e diálogos que mostrem os detetives trabalhando a fundo no caso. Ele soaria ainda mais vazio se o envolvimento de Rachel não existisse.

A Garota do Trem tem nuances que vão do drama ao suspense e possui um ritmo que agradará os fãs dos gêneros. Com o foco nas personagens femininas, o filme envia a mensagem de que, às vezes, é preciso ouvir e estudar a si mesmo para encontrar a superação. Por trás do mistério que o filme passa à primeira vista, reside um contexto bem mais complexo.

FICHA TÉCNICA
Direção:
Tate Taylor
Roteiro: Erin Cressida Wilson, Paula Hawkins
Elenco: Allison Janney, Athena Stuebe, Danielle M. Williamson, Darren Goldstein, Édgar Ramírez, Emily Blunt, Frank Anello, Haley Bennett, Justin Theroux, Lana Young, Laura Prepon, Lisa Kudrow, Luke Evans, Marko Caka, Nicole Bonifacio, Rebecca Ferguson, Ross Gibby, Tod Rainey
Produção: Marc Platt
Fotografia: Charlotte Bruus Christensen
Montador: Michael McCusker
Trilha Sonora: Danny Elfman
Duração: 116 min.

Thrillers psicológicos são, em geral, muito bem-vindos para os amantes da literatura e do gênero suspense. Com essa leva de obras que prendem a atenção do leitor (como as de Dan Brown), não é à toa que o livro A Garota no Trem, de Paula Hawkings, seja considerado como um dos maiores fenômenos editoriais, vendendo mais de quatro milhões de exemplares e sendo traduzido para 44 línguas. Ao conquistar tantos leitores pelo mundo todo, já era mais do que esperado que alguma produtora e distribuidora (neste caso, DreamWorks Pictures e Universal Pictures) corressem atrás dos direitos do livro para adaptar essa história na telona. O resultado disso é um filme que surpreende pelas incógnitas que apresenta e que possui um tema muito delicado como pano de fundo. Em A Garota no Trem, do diretor Tate Taylor (Histórias Cruzadas), a vontade de juntar essas peças junto com a protagonista é realmente inevitável e inquietante. Emily Blunt (Sicario) dá vida a Rachel Watson, uma mulher que tenta manter sua sanidade anos após seu divórcio com Tom (Justin Theroux). Ela ainda não está totalmente recuperada e desconta sua infelicidade entre um e outro gole de álcool. Sua atividade diária é andar de trem e observar a paisagem - o que inclui sua antiga casa, que hoje é lar de seu ex, a nova esposa Anna (Rebecca Ferguson) e a bebê do casal. Todos os dias, Rachel cai na armadilha de olhar para a casa, que simboliza seu passado e a culpa que carrega consigo. Para se distrair de sua própria vida, ela começa a observar uma das casas vizinhas, onde Megan (Haley Bennet) e Scott (Luke Evans) formam um casal que Rachel considera perfeito. Até que ela vê algo estranho de dentro do trem e o grande mistério do filme começa a se desenrolar. Junte essa distração com a bebida e os problemas da protagonista, e já temos os elementos que tornam a trama ainda mais agoniante, pois assim como Rachel, o espectador não sabe exatamente tudo o que aconteceu; a única coisa concreta é que ela é a peça-chave de um acontecimento sem explicação: o desaparecimento de Megan. Contudo, seu vício em bebida e comportamento explosivo tornam Rachel a principal suspeita do caso, com a detetive Riley (Allison Janney) sob seu encalço. O estilo do filme pode se assemelhar em certo ponto com Garota Exemplar (obra impecável do diretor David Fincher) pelo recurso da narração das três personagens que estão conectadas entre si: Rachel, Anna e Megan. As idas e vindas no tempo também são essenciais para entendermos o que levou a cada uma estar ali, naquelas situações. A técnica pode parecer confusa, mas prende - e muito - a atenção. O interessante é que, inevitavelmente, damos mais foco em Rachel e sua fraqueza emocional, quando na verdade, podemos tirar vários detalhes "escondidos" no enredo se olharmos através disso. Essa é uma das maiores qualidades de A Garota no Trem: nem tudo é o que parece ser. Outro ponto forte do filme é Emily…

Nota

A Garota no Trem

Ótimo

80

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Trabalhou como assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e apresenta o canal do site no YouTube.