Posted On 24/10/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Incêndios

Por Mayara Zago

Lançado originalmente em 2010, o docudrama canadense-francês chegou ao Brasil  em 2011 e no mesmo ano foi indicado ao Oscar por Melhor Filme Estrangeiro. A obra fica por conta da direção de Denis Villeneuve, um diretor muito conhecido pelos seus trabalhos em Sicario: Terra de Ninguém (2015) e Os Suspeitos (2013). O primeiro, lançado no Festival de Cannes, chegou a concorrer em três categorias no Oscar 2016 e contém a participação de Emily Blunt e Benicio Del Toro. O segundo foi indicado ao Oscar 2014 em Melhor Fotografia e foi estrelado por Jake Gyllenhaal e Hugh Jackman.

incendies

Incêndios conta a história dos gêmeos Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon Marwa  (Maxim Gaudette), que recebem o testamento de sua mãe, Nawal Marwan (Lubna Azabal), contendo seus últimos desejos: encontrar e dar uma carta ao pai, que pensavam estar morto e ao irmão, que nem sabiam da existência. Jeanne toma partido e decide ir ao lugar onde sua mãe deu a luz ao seu irmão perdido em busca de respostas, enquanto Simon prefere esquecer a história e seguir com sua vida.

Muitas histórias sobre o passado de sua mãe surgem e enfrentam o caminho de Jeanne, que se vê sem outra alternativa e decide chamar Simon para ajudá-la a juntar todas as peças que compõem o grande quebra-cabeça que foi o passado de sua mãe.

As primeiras cenas dão espaço a um cenário de tirar o fôlego: uma cidade em um momento pré-guerra. Se este docudrama pudesse ser resumido em uma palavra, que não seu título, com toda certeza seria o pano de fundo deste filme: a guerra.

Uma história que traz à tona todo o tipo de guerra que o ser humano pode se envolver, a guerra no sentido literal da palavra; com as pessoas mais próximas e principalmente aquela difícil de fugir, a guerra consigo mesmo.

incendies5

Com uma impossível previsão de final com até uma hora de duração, o roteiro explora situações que podem ocorrer em lugares que mesclam duas religiões muito distintas, trazendo cenas que são a realidade de muitos que vivem em constante período de guerra.

No caso, o palco é dado ao conflito de cristãos com muçulmanos. Essas duas religiões têm um longo histórico de divergências no Oriente Médio não só no âmbito religioso, como político também, e ajudaram a moldar a trama do filme, influenciando em vários aspectos na vida dos personagens.

Um ponto interessante de notar é a inserção que Villeneuve faz de flashbacks ao enredo. É uma junção natural, quase imperceptível, do que acontece ‘nos dias de hoje’ e o passado de Nawal. Sem trazer ao espectador uma drástica ruptura entre os dois momentos, oferecendo até certa harmonia entre as cenas, por conta das cores e dos cenários.

A atuação dos atores são tão boas que são capazes de convencer que aquele filme é apenas um vídeo caseiro de uma família qualquer, possibilitando ao espectador esquecer que se trata de uma história ficcional.

A trilha sonora é muito bem trabalhada, com destaque para a música You and Whose Army? da banda Radiohead, que introduz este docudrama e tem um papel importante na construção dele.

Incêndios é um filme direcionado para todos e merece a atenção para além da trama apresentada. Criações como esta são muito importantes, principalmente para demonstrar e criar a ideia de paz em uma sociedade que se vê  mergulhada em um turbilhão de informações a cada segundo e não é capaz de perceber realidades e culturas distintas.

As últimas cenas provam o real valor do filme, cenas que fazem o espectador questionar e juntar todas as pontas soltas da obra; cenas que mostram o quão importante é essa obra. Porque assim como o início foi de um jeito, o final não poderia ser diferente: de tirar o fôlego.

FICHA TÉCNICA
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Denis Villeneuve, Valérie Beaugrand-Champagne
Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette, Rémy Girard,Abdelghafour Elaaziz, Allen Altman, Mohamed Majd, Nabil Sawalha, Baya Belal,Bader Alami, Karim Babin, Yousef Shweihat
Produção: Luc Déry, Kim McCraw
Fotografia: André Turpin
Montagem:  Monique Dartonne
Trilha Sonora: Grégoire Hetzel
Duração: 130 min
Gênero:  Drama / Suspense

Por Mayara Zago Lançado originalmente em 2010, o docudrama canadense-francês chegou ao Brasil  em 2011 e no mesmo ano foi indicado ao Oscar por Melhor Filme Estrangeiro. A obra fica por conta da direção de Denis Villeneuve, um diretor muito conhecido pelos seus trabalhos em Sicario: Terra de Ninguém (2015) e Os Suspeitos (2013). O primeiro, lançado no Festival de Cannes, chegou a concorrer em três categorias no Oscar 2016 e contém a participação de Emily Blunt e Benicio Del Toro. O segundo foi indicado ao Oscar 2014 em Melhor Fotografia e foi estrelado por Jake Gyllenhaal e Hugh Jackman. Incêndios conta a história dos gêmeos Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon Marwa  (Maxim Gaudette), que recebem o testamento de sua mãe, Nawal Marwan (Lubna Azabal), contendo seus últimos desejos: encontrar e dar uma carta ao pai, que pensavam estar morto e ao irmão, que nem sabiam da existência. Jeanne toma partido e decide ir ao lugar onde sua mãe deu a luz ao seu irmão perdido em busca de respostas, enquanto Simon prefere esquecer a história e seguir com sua vida. Muitas histórias sobre o passado de sua mãe surgem e enfrentam o caminho de Jeanne, que se vê sem outra alternativa e decide chamar Simon para ajudá-la a juntar todas as peças que compõem o grande quebra-cabeça que foi o passado de sua mãe. As primeiras cenas dão espaço a um cenário de tirar o fôlego: uma cidade em um momento pré-guerra. Se este docudrama pudesse ser resumido em uma palavra, que não seu título, com toda certeza seria o pano de fundo deste filme: a guerra. Uma história que traz à tona todo o tipo de guerra que o ser humano pode se envolver, a guerra no sentido literal da palavra; com as pessoas mais próximas e principalmente aquela difícil de fugir, a guerra consigo mesmo. Com uma impossível previsão de final com até uma hora de duração, o roteiro explora situações que podem ocorrer em lugares que mesclam duas religiões muito distintas, trazendo cenas que são a realidade de muitos que vivem em constante período de guerra. No caso, o palco é dado ao conflito de cristãos com muçulmanos. Essas duas religiões têm um longo histórico de divergências no Oriente Médio não só no âmbito religioso, como político também, e ajudaram a moldar a trama do filme, influenciando em vários aspectos na vida dos personagens. Um ponto interessante de notar é a inserção que Villeneuve faz de flashbacks ao enredo. É uma junção natural, quase imperceptível, do que acontece ‘nos dias de hoje’ e o passado de Nawal. Sem trazer ao espectador uma drástica ruptura entre os dois momentos, oferecendo até certa harmonia entre as cenas, por conta das cores e dos cenários. A atuação dos atores são tão boas que são capazes de convencer que aquele filme é apenas um vídeo caseiro de uma família qualquer, possibilitando ao espectador esquecer que se trata de uma história ficcional. A trilha sonora é muito bem trabalhada, com destaque para a…

Nota

Incêndios

Excelente

100

Tags :