Crítica: Julieta | Cinematecando

Posted On 05/07/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Julieta

Baseado nos contos da escritora canadense Alice Munro, o vigésimo filme do espanhol Pedro Almodóvar é um drama sobre a vida e as perdas que ocorrem nela. Focando no universo feminino e no amor maternal, a história se passa em torno de Julieta, mulher que passou por momentos difíceis em sua vida e que volta a se encontrar vulnerável depois de ver uma pessoa que fez parte de seu passado.

Em um drama mais convencional do que outros filmes de sua carreira, Almodóvar foca na personagem Julieta (vivida por Adriana Ugarte na juventude e por Emma Suárez durante a meia-idade) em diferentes fases de sua vida, de 1985 a 2015, de modo que nos são apresentadas suas conquistas e dias felizes, assim como quando ela tenta lidar com a perda de pessoas que tanto ama e vê sua rotina mudar drasticamente. Anos após perder o contato com sua filha Antía, Julieta descobre que ela está viva e, a partir de quando a protagonista começa a escrever uma carta sem endereço para sua filha, a trama começa a ser desenvolvida mais a fundo. A narrativa não-linear combina muito com a história, que não fica cansativa em nenhum momento.

O filme chama a atenção justamente por sua simplicidade. As atuações de Adriana Ugarte e Emma Suárez são incríveis, realmente belas, e cativam o espectador facilmente. Com os cortes que alternam as duas atrizes, fica clara a diferença na aparência, porém a essência da personagem continua a mesma. Ambas interpretaram Julieta com a mesma suavidade, expressando seus sentimentos de dor e perda de maneira emocionante. O grande trunfo do filme de Almodóvar são as “duas” Julietas, isso não há como negar.

O aspecto visual de um filme é muito importante para torná-lo ainda mais atrativo, e em Julieta, apesar da história já ser interessante, a ambientação também é outro ponto positivo. A história se desenrola em Madri na maior parte do tempo mas também alterna de tempos em tempos para as belas paisagens naturais da Espanha, exibindo cores vivas e uma sensação de bem estar.

Julieta é um filme delicado que conta a história de uma mãe e sua volta inesperada ao passado, além de possuir atuações memoráveis. Se você é fã do diretor Pedro Almodóvar e de cinema europeu, essa obra precisa ser a sua sessão de cinema da semana!

FICHA TÉCNICA
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Alice Munro, Pedro Almodóvar
Elenco: Adriana Ugarte, Agustín Almodóvar, Bimba Bosé, Blanca Parés, Daniel Grao, Darío Grandinetti, David Delfín, Elena Benarroch, Emma Suárez, Esther García, Inma Cuesta, Jimena Solano, Joaquín Notario, Jorge Pobes, María Mera, Mariam Bachir, Michelle Jenner, Nathalie Poza, Paqui Horcajo, Pilar Castro, Priscilla Delgado, Ramón Agirre, Ramón Ibarra, Rossy de Palma, Sara Jiménez, Susi Sánchez, Tomás del Estal
Produção: Agustín Almodóvar, Esther García
Fotografia: Jean-Claude Larrieu

Baseado nos contos da escritora canadense Alice Munro, o vigésimo filme do espanhol Pedro Almodóvar é um drama sobre a vida e as perdas que ocorrem nela. Focando no universo feminino e no amor maternal, a história se passa em torno de Julieta, mulher que passou por momentos difíceis em sua vida e que volta a se encontrar vulnerável depois de ver uma pessoa que fez parte de seu passado. Em um drama mais convencional do que outros filmes de sua carreira, Almodóvar foca na personagem Julieta (vivida por Adriana Ugarte na juventude e por Emma Suárez durante a meia-idade) em diferentes fases de sua vida, de 1985 a 2015, de modo que nos são apresentadas suas conquistas e dias felizes, assim como quando ela tenta lidar com a perda de pessoas que tanto ama e vê sua rotina mudar drasticamente. Anos após perder o contato com sua filha Antía, Julieta descobre que ela está viva e, a partir de quando a protagonista começa a escrever uma carta sem endereço para sua filha, a trama começa a ser desenvolvida mais a fundo. A narrativa não-linear combina muito com a história, que não fica cansativa em nenhum momento. O filme chama a atenção justamente por sua simplicidade. As atuações de Adriana Ugarte e Emma Suárez são incríveis, realmente belas, e cativam o espectador facilmente. Com os cortes que alternam as duas atrizes, fica clara a diferença na aparência, porém a essência da personagem continua a mesma. Ambas interpretaram Julieta com a mesma suavidade, expressando seus sentimentos de dor e perda de maneira emocionante. O grande trunfo do filme de Almodóvar são as "duas" Julietas, isso não há como negar. O aspecto visual de um filme é muito importante para torná-lo ainda mais atrativo, e em Julieta, apesar da história já ser interessante, a ambientação também é outro ponto positivo. A história se desenrola em Madri na maior parte do tempo mas também alterna de tempos em tempos para as belas paisagens naturais da Espanha, exibindo cores vivas e uma sensação de bem estar. Julieta é um filme delicado que conta a história de uma mãe e sua volta inesperada ao passado, além de possuir atuações memoráveis. Se você é fã do diretor Pedro Almodóvar e de cinema europeu, essa obra precisa ser a sua sessão de cinema da semana! FICHA TÉCNICA Direção: Pedro Almodóvar Roteiro: Alice Munro, Pedro Almodóvar Elenco: Adriana Ugarte, Agustín Almodóvar, Bimba Bosé, Blanca Parés, Daniel Grao, Darío Grandinetti, David Delfín, Elena Benarroch, Emma Suárez, Esther García, Inma Cuesta, Jimena Solano, Joaquín Notario, Jorge Pobes, María Mera, Mariam Bachir, Michelle Jenner, Nathalie Poza, Paqui Horcajo, Pilar Castro, Priscilla Delgado, Ramón Agirre, Ramón Ibarra, Rossy de Palma, Sara Jiménez, Susi Sánchez, Tomás del Estal Produção: Agustín Almodóvar, Esther García Fotografia: Jean-Claude Larrieu

Nota

Julieta

Excelente

O grande trunfo do filme de Almodóvar são as "duas" Julietas, interpretadas com maestria por Adriana Ugarte e Emma Suárez.

100

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.