Crítica: O Chamado 3 | Cinematecando

Posted On 02/02/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: O Chamado 3

A franquia Ring é muito conhecida no Japão, sendo reproduzida em livros, filmes e até mesmo séries de TV. Na América, porém, a história de Samara Morgan se resume, agora, a três filmes que curiosamente vão decaindo na qualidade. O primeiro filme americano, dirigido por Gore Verbinski, foi sucesso de público e de crítica. O segundo, dirigido pelo diretor japonês Hideo Nakata (responsável pelo longa original japonês de 1998, Ringu), obteve críticas negativas, porém a bilheteria se manteve alta. Já o terceiro capítulo da franquia estadounidense promete conquistar uma boa bilheteria, mas não se propõe a entregar nada de novo; muito pelo contrário, ele roda em círculos explicando cada vez mais os mistérios que deixaram milhares de pessoas com medo do próprio telefone no início dos anos 2000.

A refilmagem de Verbinski revolucionou o cinema de terror na época por entregar um misto perfeito de suspense e terror. Já o filme de F. Javier Gutiérrez não chega nem aos pés do clima envolto à mitologia macabra de Samara Morgan. A única diferença aparente no terceiro capítulo é o uso da tecnologia; portanto, o que existe de novo é apenas esta roupagem moderna que substitui os videocassetes pelos celulares, uma piada sobre o quanto os VHS são ultrapassados, e só. O elemento principal da trama, que é justamente o terror que Samara Morgan impõe a quem quer que seja que assista seu vídeo, é extremamente diminuído por uma urgência em dar à história algo mais próximo ao drama (que já não deu tão certo em O Chamado 2). O diretor Gutiérrez não se empenhou para dar uma cara nova e de qualidade para O Chamado 3, o que faz com que o filme ande na sombra do longa de 2002 (da fotografia à trilha sonora), mesmo com potencial para ir além. O que falta, realmente, é personalidade.

Na trama, que acontece 13 anos após os eventos do segundo filme hollywoodiano, Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) fica preocupada quando Holt (Alex Roe), seu namorado, misteriosamente desaparece na faculdade. Logo ela começa a explorar a lenda urbana de um vídeo misterioso que mata as pessoas que o assistem depois de sete dias. Holt assistiu à fita e está prestes a morrer, mas Julia se sacrifica para salvá-lo e acaba descobrindo que há um “filme dentro do filme” nunca visto antes. Agora, ela precisa resolver esse mistério.

O Chamado 3 busca desconstruir o que já vimos anteriormente e possui um roteiro que passa muitas informações a troco de nada. Sub-tramas incoerentes (como uma pesquisa acadêmica sobre a Samara… isso mesmo que você está lendo!) são esquecidas no decorrer dos minutos e os personagens até que se esforçam, porém não fazem o suficiente para quem está assistindo realmente se importar com essa corrida contra o tempo (diferente de Naomi Watts, a protagonista Rachel dos filmes de 2002 e 2005). O filme passa poucas referências aos dois filmes anteriores – ao mesmo tempo em que quer seguir seus passos, e apela para os sustos gratuitos que dependem de efeitos sonoros para serem chamativos e, quem sabe, realmente oferecerem de fato algum espanto. A construção da tensão é cortada de forma cansativa pelo roteiro, que é extremamente didático e repetitivo, frases desnecessárias pois dizem exatamente aquilo que estamos vendo em tela. Realmente, este é um filme que pode agradar os fãs da franquia de terror, mas infelizmente não há como elevar o longa para outro patamar. Não há nada que não tenhamos visto em outros filmes previsíveis do gênero.

Quando a história parece finalmente engatar para um final diferente, somos surpreendidos por mais um daqueles desfechos em que possivelmente serão a abertura para mais um filme. Em O Chamado 3, realmente há cenas interessantes e sequências tensas, mas no fim de tudo, o que fica é o sentimento de que vimos apenas mais um filme que não visa qualidade, mas sim dinheiro para o estúdio. Talvez com um diretor mais maduro e uma história que leve a sério toda a mitologia de Samara, quem sabe a franquia O Chamado não poderá sair do fundo do poço?

FICHA TÉCNICA
Direção: F. Javier Gutiérrez
Roteiro: Akiva Goldsman, David Loucka, Jacob Aaron Estes
Elenco: Adam Fristoe, Aimee Teegarden, Alex Roe, Andrea Laing, Andrea Powell, Brandon Larracuente, Chris Greener, Chuck David Willis, Jill Jane Clements, Johnny Galecki, Matilda Anna Ingrid Lutz, NM Garcia, Ricky Muse, Surely Alvelo, Wing Liu
Produção: Laurie MacDonald, Walter F. Parkes
Fotografia: Sharone Meir
Montador: Jeremiah O’Driscoll
Duração: 102 min.

A franquia Ring é muito conhecida no Japão, sendo reproduzida em livros, filmes e até mesmo séries de TV. Na América, porém, a história de Samara Morgan se resume, agora, a três filmes que curiosamente vão decaindo na qualidade. O primeiro filme americano, dirigido por Gore Verbinski, foi sucesso de público e de crítica. O segundo, dirigido pelo diretor japonês Hideo Nakata (responsável pelo longa original japonês de 1998, Ringu), obteve críticas negativas, porém a bilheteria se manteve alta. Já o terceiro capítulo da franquia estadounidense promete conquistar uma boa bilheteria, mas não se propõe a entregar nada de novo; muito pelo contrário, ele roda em círculos explicando cada vez mais os mistérios que deixaram milhares de pessoas com medo do próprio telefone no início dos anos 2000. A refilmagem de Verbinski revolucionou o cinema de terror na época por entregar um misto perfeito de suspense e terror. Já o filme de F. Javier Gutiérrez não chega nem aos pés do clima envolto à mitologia macabra de Samara Morgan. A única diferença aparente no terceiro capítulo é o uso da tecnologia; portanto, o que existe de novo é apenas esta roupagem moderna que substitui os videocassetes pelos celulares, uma piada sobre o quanto os VHS são ultrapassados, e só. O elemento principal da trama, que é justamente o terror que Samara Morgan impõe a quem quer que seja que assista seu vídeo, é extremamente diminuído por uma urgência em dar à história algo mais próximo ao drama (que já não deu tão certo em O Chamado 2). O diretor Gutiérrez não se empenhou para dar uma cara nova e de qualidade para O Chamado 3, o que faz com que o filme ande na sombra do longa de 2002 (da fotografia à trilha sonora), mesmo com potencial para ir além. O que falta, realmente, é personalidade. Na trama, que acontece 13 anos após os eventos do segundo filme hollywoodiano, Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) fica preocupada quando Holt (Alex Roe), seu namorado, misteriosamente desaparece na faculdade. Logo ela começa a explorar a lenda urbana de um vídeo misterioso que mata as pessoas que o assistem depois de sete dias. Holt assistiu à fita e está prestes a morrer, mas Julia se sacrifica para salvá-lo e acaba descobrindo que há um "filme dentro do filme" nunca visto antes. Agora, ela precisa resolver esse mistério. O Chamado 3 busca desconstruir o que já vimos anteriormente e possui um roteiro que passa muitas informações a troco de nada. Sub-tramas incoerentes (como uma pesquisa acadêmica sobre a Samara... isso mesmo que você está lendo!) são esquecidas no decorrer dos minutos e os personagens até que se esforçam, porém não fazem o suficiente para quem está assistindo realmente se importar com essa corrida contra o tempo (diferente de Naomi Watts, a protagonista Rachel dos filmes de 2002 e 2005). O filme passa poucas referências aos dois filmes anteriores - ao mesmo tempo em que quer seguir seus passos, e apela para os sustos gratuitos que dependem de efeitos sonoros para serem chamativos…

Nota

O Chamado 3

Regular

40

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.