Crítica: Pai em Dose Dupla 2 | Cinematecando

Posted On 21/11/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Pai em Dose Dupla 2

Pai em Dose Dupla 2 é a continuação do filme de 2015, estrelando Will Ferrell e Mark Wahlberg. No primeiro, também dirigido por Sean Anders, os protagonistas entram em colisão como padrasto e pai, respectivamente. Agora, em Pai em Dose Dupla 2, Brad (Will Ferrell) e Dusty (Mark Wahlberg) já resolveram suas diferenças e criam suas famílias um ajudando o outro, mas com o Natal chegando junto a presença dos dois avôs (John Lithgow e Mel Gibson), as coisas voltam a esquentar entre Brad e Dusty.

Quando se trata de comédias americanas, o mais importante sempre é o texto. O segredo de um bom comediante ‘stand-up’ se esconde no texto – geralmente sobre relações e situações cotidianas que passamos. Claro que atributos como carisma e fatores técnicos de atuação, como mudanças de tom de voz ou versatilidade nas expressões faciais, também ajudam um comediante a alcançar seu público com mais facilidade, mas é na identificação empática das situações onde o comediante e o público encontram seus fatores em comum. No cinema, não é diferente.

Das qualidades da comédia de gênero hollywoodiana, a de maior transferência entre filme/público são as habilidades de transformar o banal em uma grande confusão capaz de gerar risos e até lágrimas. Mesmo as mais farsescas, como Débi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros com suas piadas de ‘peido lança-chamas’ ou animais decapitados, escondem um real filme sobre profunda amizade.

No filme de 2015, essa habilidade foi usada para mostrar os possíveis constrangimentos presentes nas relações familiares, focando principalmente na relação padrasto/pai. Já em Pai em Dose Dupla 2 adentramos ainda mais nestas relações, focando mais nas dificuldades das escolhas de como criar os filhos e o ego dessas figuras paternas, incluindo os avôs.

Tanto o primeiro como sua sequência são o mesmo tipo de comédia familiar apimentada. O primeiro, mais apimentado; e este, mais familiar. Em filmes deste tipo, o maior trabalho de um diretor/roteirista, como é o caso aqui de Sean Anders, é simplesmente garantir a escolha do melhor elenco possível: e Anders acertou!

Essa é a terceira colaboração nos cinemas da dupla Ferrell/Wahlberg. Logo na primeira (e melhor delas!) em Os Outros Caras, ambos já mostravam boa liga. Will Ferrell, um ator criado no berço do humor, e Mark Wahlberg, à vontade nesse gênero.

Outro acerto notável do filme é: Mel Gibson. O estelar ator/diretor, até pouco tempo, “odiado” nos bastidores de Hollywood, devido seus comentários ofensivos e preconceituosos, envolvendo gays, negros, judeus, mulheres e quem mais houver (associados à bebedeira pesada), agora, foi ‘perdoado’ pela indústria cinematográfica, tanto que seu filme Até O Último Homem figurou e até levou algumas estatuetas do Oscar para casa.

Em Pai em Dose Dupla 2, Gibson mostra-se muito à vontade em seu papel, que é parte extensão de sua vida pessoal cheia de polêmicas, associada a alguns de seus papéis mais canastrões no cinema. Assim, você verá um desfile de comentários inapropriados (até machistas), ou vê-lo fazer uma piada que começa assim: ‘…haviam duas prostitutas mortas num bar…’ para seus netos.

Aos mais sensíveis a esta forma de humor, lembremos, isto ainda é uma comédia familiar (vide a resolução da história), ou seja, redenção também faz parte do cardápio nestes filmes. É o típico ‘morde e assopra’ de Hollywood, como se ao fazer a personagem de Mel Gibson quebrar certos paradigmas criados para/por ele (ex.: Mel Gibson exigindo respeito ao presépio), estivesse rindo de si mesmo e de suas atitudes.

A maior defasagem do filme recai sobre o roteiro, que possui muitas previsibilidades, além de uma ou outra parte bem pouco inspirada (como a cena da discussão pela temperatura do termostato). Nessas, o constrangimento vem das poltronas, e não da tela, como se pressupõe uma boa comédia.

Todavia, o saldo final, mesmo com um roteiro que tropeça, é favorável. Pois assim como na comédia recente Dupla Explosiva, com Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, em Pai em Dose Dupla 2 o carisma e talento cômico de seus atores consegue carregar o filme quando este cambaleia pelo caminho.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Daddy’s Home 2
Direção: Sean Anders
Produção: Gary Sanchez Productions; Paramount Pictures
Roteiro: Sean Anders e John Morris
Gênero: Comédia
Duração: 100 minutos
Elenco: Will Ferrell (Brad Whitaker); Mark Wahlberg (Dusty Mayron); Linda Cardellini (Sara Whitaker); John Cena (Roger); John Lithgow (Don Whitaker); Mel Gibson (Kurt Mayron); Alessandra Ambrosio (Karen Mayron)

Pai em Dose Dupla 2 é a continuação do filme de 2015, estrelando Will Ferrell e Mark Wahlberg. No primeiro, também dirigido por Sean Anders, os protagonistas entram em colisão como padrasto e pai, respectivamente. Agora, em Pai em Dose Dupla 2, Brad (Will Ferrell) e Dusty (Mark Wahlberg) já resolveram suas diferenças e criam suas famílias um ajudando o outro, mas com o Natal chegando junto a presença dos dois avôs (John Lithgow e Mel Gibson), as coisas voltam a esquentar entre Brad e Dusty. Quando se trata de comédias americanas, o mais importante sempre é o texto. O segredo de um bom comediante ‘stand-up’ se esconde no texto - geralmente sobre relações e situações cotidianas que passamos. Claro que atributos como carisma e fatores técnicos de atuação, como mudanças de tom de voz ou versatilidade nas expressões faciais, também ajudam um comediante a alcançar seu público com mais facilidade, mas é na identificação empática das situações onde o comediante e o público encontram seus fatores em comum. No cinema, não é diferente. Das qualidades da comédia de gênero hollywoodiana, a de maior transferência entre filme/público são as habilidades de transformar o banal em uma grande confusão capaz de gerar risos e até lágrimas. Mesmo as mais farsescas, como Débi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros com suas piadas de ‘peido lança-chamas’ ou animais decapitados, escondem um real filme sobre profunda amizade. No filme de 2015, essa habilidade foi usada para mostrar os possíveis constrangimentos presentes nas relações familiares, focando principalmente na relação padrasto/pai. Já em Pai em Dose Dupla 2 adentramos ainda mais nestas relações, focando mais nas dificuldades das escolhas de como criar os filhos e o ego dessas figuras paternas, incluindo os avôs. Tanto o primeiro como sua sequência são o mesmo tipo de comédia familiar apimentada. O primeiro, mais apimentado; e este, mais familiar. Em filmes deste tipo, o maior trabalho de um diretor/roteirista, como é o caso aqui de Sean Anders, é simplesmente garantir a escolha do melhor elenco possível: e Anders acertou! Essa é a terceira colaboração nos cinemas da dupla Ferrell/Wahlberg. Logo na primeira (e melhor delas!) em Os Outros Caras, ambos já mostravam boa liga. Will Ferrell, um ator criado no berço do humor, e Mark Wahlberg, à vontade nesse gênero. Outro acerto notável do filme é: Mel Gibson. O estelar ator/diretor, até pouco tempo, “odiado” nos bastidores de Hollywood, devido seus comentários ofensivos e preconceituosos, envolvendo gays, negros, judeus, mulheres e quem mais houver (associados à bebedeira pesada), agora, foi ‘perdoado’ pela indústria cinematográfica, tanto que seu filme Até O Último Homem figurou e até levou algumas estatuetas do Oscar para casa. Em Pai em Dose Dupla 2, Gibson mostra-se muito à vontade em seu papel, que é parte extensão de sua vida pessoal cheia de polêmicas, associada a alguns de seus papéis mais canastrões no cinema. Assim, você verá um desfile de comentários inapropriados (até machistas), ou vê-lo fazer uma piada que começa assim: ‘...haviam duas prostitutas mortas num bar...’ para seus netos.…

Pai em Dose Dupla 2

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia

Ótimo

60

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