Crítica: Quando Margot Encontra Margot | Cinematecando

Posted On 08/04/2019 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Quando Margot Encontra Margot

Quando presente e futuro se encontram

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O que você faria se pudesse se encontrar com a sua versão mais jovem? Você tentaria corrigir decisões que à época pareciam ser plausíveis, mas se revelariam posteriormente como erros de grandes proporções? Ou, se você encontrasse o seu “eu” mais velho, daria ouvidos ao que ele tentaria dizer para evitar consequências superdesagradáveis ou o ignoraria, pois julgaria que aquilo tudo poderia se tratar de uma história sem pé, nem cabeça?

Pois bem, esta é a premissa de Quando Margot Encontra Margot, longa-metragem dirigido por Sophie Fillières, no qual passado e futuro se encontram em um presente confuso e condicionado ao humor das outras fases cronológicas. Na trama, a versão jovem de Margot (Agathe Bonitzer) está em um momento de dúvida na vida, no qual ela não sabe se continua a morar em Paris ou se retorna para Lyon, onde mora a sua família, e se continua a fazer mestrado.

Durante uma festa, ela encontra a sua versão de 45 anos (Sandrine Kiberlain), cuja introdução na trama mostra a inadequação pessoal e o desconforto de perder uma amiga do qual o seu “eu” mais novo havia se afastado, e de quem já percebe que não cabe mais naquele mundo. Como é de se esperar, o comportamento reflexo das duas versões da mesma Margot causa estranheza na mais jovem, a ponto de ela julgar que o seu “eu” mais experiente é, na verdade, uma pessoa totalmente fora da realidade.

Todavia, o que parece ser um comportamento de stalker por parte da Margot mais velha se revela, com o passar do tempo, vibe de quem já sabe como tudo dará – desde um possível affair que terminará mal a até mesmo os passos seguintes na vida. A partir disso, elas se unem por meio de dinâmica estranha e incomum, até, para quem vê de fora, mas que faz sentido para elas – inclusive por meio do flerte com Marc (Melvil Poupaud), cuja dinâmica parece transcender a lógica entre passado, presente e futuro.

A narrativa de Quando Margot Encontra Margot faz o espectador ser testemunha e cúmplice das duas fases da protagonista e entender como os eventos da fase jovem de Margot são refletidos em seu estágio de 45 anos. Ainda, se a Margot de 20 anos parece esconder-se de si mesma mesmo de modo inconsciente, o que é representado pelos tons mais discretos de suas roupas, a sua versão mais madura não aparenta se importar com o modo como o mundo a vê e, invariavelmente, aparece sempre com uma peça de roupa vermelha – no entanto, o contato com o seu “eu” mais novo faz o pantone de seu dress code ficar menos chamativo à medida em que se reconecta com o seu passado.

O ponto positivo de Quando Margot Encontra Margot é induzir quem assiste ao filme a questionar como lidaria com o fato de encontrar com a sua versão mais velha e o que tentaria mudar para ter um destino melhor, ou, se encontrasse com o seu “eu” juvenil, tentar corrigir algo que não deu muito certo na vida. É a síntese de algo que, no fundo, todos desejamos para as nossas vidas.

Quando presente e futuro se encontram O que você faria se pudesse se encontrar com a sua versão mais jovem? Você tentaria corrigir decisões que à época pareciam ser plausíveis, mas se revelariam posteriormente como erros de grandes proporções? Ou, se você encontrasse o seu “eu” mais velho, daria ouvidos ao que ele tentaria dizer para evitar consequências superdesagradáveis ou o ignoraria, pois julgaria que aquilo tudo poderia se tratar de uma história sem pé, nem cabeça? Pois bem, esta é a premissa de Quando Margot Encontra Margot, longa-metragem dirigido por Sophie Fillières, no qual passado e futuro se encontram em um presente confuso e condicionado ao humor das outras fases cronológicas. Na trama, a versão jovem de Margot (Agathe Bonitzer) está em um momento de dúvida na vida, no qual ela não sabe se continua a morar em Paris ou se retorna para Lyon, onde mora a sua família, e se continua a fazer mestrado. Durante uma festa, ela encontra a sua versão de 45 anos (Sandrine Kiberlain), cuja introdução na trama mostra a inadequação pessoal e o desconforto de perder uma amiga do qual o seu “eu” mais novo havia se afastado, e de quem já percebe que não cabe mais naquele mundo. Como é de se esperar, o comportamento reflexo das duas versões da mesma Margot causa estranheza na mais jovem, a ponto de ela julgar que o seu “eu” mais experiente é, na verdade, uma pessoa totalmente fora da realidade. Todavia, o que parece ser um comportamento de stalker por parte da Margot mais velha se revela, com o passar do tempo, vibe de quem já sabe como tudo dará - desde um possível affair que terminará mal a até mesmo os passos seguintes na vida. A partir disso, elas se unem por meio de dinâmica estranha e incomum, até, para quem vê de fora, mas que faz sentido para elas - inclusive por meio do flerte com Marc (Melvil Poupaud), cuja dinâmica parece transcender a lógica entre passado, presente e futuro. A narrativa de Quando Margot Encontra Margot faz o espectador ser testemunha e cúmplice das duas fases da protagonista e entender como os eventos da fase jovem de Margot são refletidos em seu estágio de 45 anos. Ainda, se a Margot de 20 anos parece esconder-se de si mesma mesmo de modo inconsciente, o que é representado pelos tons mais discretos de suas roupas, a sua versão mais madura não aparenta se importar com o modo como o mundo a vê e, invariavelmente, aparece sempre com uma peça de roupa vermelha - no entanto, o contato com o seu “eu” mais novo faz o pantone de seu dress code ficar menos chamativo à medida em que se reconecta com o seu passado. O ponto positivo de Quando Margot Encontra Margot é induzir quem assiste ao filme a questionar como lidaria com o fato de encontrar com a sua versão mais velha e o que tentaria mudar para ter um destino melhor, ou, se encontrasse…

Quando Margot Encontra Margot

Cotação

Bom

O filme faz o espectador questionar-se sobre como as decisões tomadas hoje poderão refletir amanhã e o que poderia fazer para a vida ser diferente

71

Jornalista. Cinéfilo, crítico cultural wannabe e interessado por assuntos relativos a esportes, direitos humanos e minorias. Foi redator de cinema do Yahoo por um ano.