Crítica: Sete Homens e Um Destino

Crítica: Sete Homens e Um Destino

Direto ao ponto. Sete Homens e Um Destino é um remake do western de 1960 com o mesmo nome e direção de John Sturges, que também foi um remake/adaptação de Os Sete Samurais, do visionário Akira Kurosawa, de 1954.

Normalmente, existe um pressuposto de se estabelecer comparações com as versões originais, ou anteriores. Todavia, esse “caminho” é perigoso para análise, até incontingente, pois existem muitas derivações do primordial ao atual, seja pelo tempo ou contexto das circunstâncias e fatos da época. Além de serem três diretores diferentes, com três conceitos narrativos distintos.

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A partir disso, voltando para a versão atual…

Nesta adaptação do diretor Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, Rei Arthur, Atirador) acompanhamos a terrível realidade de um vilarejo em Rose Creek que sofre com a tirania de Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard, ótimo ator mas um pouco acima do tom) e seus pistoleiros, que exploram e aterrorizam a vida dos moradores, até que uma jovem moça (Haley Bennett) sai em busca de ajuda para tentar deter Bogue e suas intenções, e cruza caminho com o caçador de recompensas, interpretado com competência por Denzel Washington. Depois de convencer Sam Chisolm a ajuda-lá em sua tentativa de conseguir justiça (e vingança!), eles partem com o objetivo de formar um bando perigoso e hábil que possa dar um fim à essa tirania.

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O diretor Antoine Fuqua tem uma carreira irregular no cinema, com bons (Dia de Treinamento, Atirador, O Protetor) e maus resultados (Rei Arthur, Invasão à Casa Branca, Nocaute). Uma característica muito evidente em seu estilo, tanto para seus atores quanto para a dinâmica de sua narrativa, são que ambas têm vigor e buscam impacto demasiado. Fuqua é daqueles diretores de ‘mão pesada’ na direção, mas isso não é um problema, dependendo do enredo.

No caso deste remake, essa ‘mão pesada’ encontra uma ‘luva’ confortável que fica se equilibrando entre uma narrativa em gradação e um bom entretenimento, que inclui: humor; duas cenas de tiroteio (a primeira melhor que a segunda); trilha sonora ininterrupta e estrondosa, assim como a sonoplastia dos tiros. Num filme de Fuqua, geralmente, não temos eloquente reflexão ou ponderações, mas tamanho e grau. Ele entrega um remake ‘típico’ para os dias de hoje, feito para o público masculino (obs.: filmes western sempre tiveram homens como seu público alvo) com muitas mortes e uma mocinha linda (e determinada!) que usa um decote.

Porém, o diretor conseguiu trazer algo novo à mesa neste filme: o multiculturalismo.

Existe representatividade nessa nova versão, no bando dos chamados ‘sete magníficos’: seu líder Sam Chisolm, um negro; Joshua Faraday (Chris Pratt numa atuação leve e carismática), um irlandês; Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke com vigor e competência), um francês; Billy Rocks, um chinês; Vasquez, um mexicano e Red Harvest, um índio.

Esse é um retrato da verdadeira América. Um país que, assim como o nosso Brasil, acolhe e mistura suas culturas e etnias, e constrói dessa miscigenação, sua história e alma.

Alma, que a partir do próximo mês de novembro, pode ganhar traços desfigurados, e paredes frias feitas a base de medo e desprezo…

…é isso gente, God bless, America – até porquê eles estão precisando.

FICHA TÉCNICA
Título Original: The Magnificent Seven
Direção: Antoine Fuqua
Produção: LStar Capital/Village Roadshow Pictures/Pin High Productions/Escape Artists
Roteiro: Nic Pizzolatto e Richard Wenk
Gênero: Western
Duração: 133 minutos
Classificação: 14 anos
Elenco: Denzel Washington (Sam Chisolm), Chris Pratt (Joshua Faraday), Ethan Hawke (Goodnight Robicheaux), Vincent D’Onofrio (Jack Horne), Byung-hun Lee (Billy Rocks), Manuel Garcia-Rulfo (Vasquez), Martin Sensmeier (Red Harvest), Peter Sarsgaard (Bartholomew Bogue) e Haley Bennett (Emma Cullen)

Alexis Thunderduck

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