Crítica: Toni Erdmann | Cinematecando

Posted On 20/02/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Toni Erdmann


Um dos indicados ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro já está nas salas de cinema: Toni Erdmann.

Este filme alemão (obs.: que possui alguns trechos falado em inglês) da diretora Maren Ade, teve sua première na competição do último Festival de Cannes e, apesar de ter saído do festival de mãos abanando, foi muito elogiado pela crítica internacional – tanto que em revistas como a Sight & Sound e a respeitadíssima Cahiers du Cinéma, foi eleito o melhor filme do ano de 2016.

O terceiro longa desta diretora nos conta a história de Winfried (Peter Simonischek), um senhor brincalhão que gosta de tirar barato com as pessoas, tentando arrancar um riso destas. Todavia, seu bom humor encontra dificuldades quando tenta se aproximar de sua bem sucedida filha Ines (Sandra Hüller) que é bem sisuda e workaholic. Decidido a mudar esse cenário, Winfried viaja até Bucareste na Romênia, onde Ines trabalha, para se aproximar dela. Lá, continuam as dificuldades de aproximação, mas um novo elemento irá entrar nessa relação: o alter-ego esquisitão de Winfried: Toni Erdmann, de cabelos longos e dentes postiços horrorosos, e especialista em inventar situações e mentiras que faz de tudo para se aproximar de Ines.

Das boas e iluminadas qualidades (como alguns momentos da fotografia no filme) de Toni Erdmann, a maior é a sua dupla de protagonistas. O Winfried/Toni de Peter Simonischek é inegável, um senhor de boa aparência, de estatura alta e um jeitão ‘bonachão’ genuíno que chama a atenção. Um personagem realmente de muita luz e ingenuidade, mesmo que variando de um tipo de humor mais negro para um mais bobinho; um mix de infantilidade e embaraço. Já Ines, da ótima e versátil Sandra Hüller, é o contrário: mais sensata e realista, sem ser pedante.

Essa junção destes dois elementos distantes cria fogos de artifício na grande tela. O carisma comovente de Winfried/Toni, e a prática de abertura que Ines demonstra mesmo diante dos constrangimentos que passa com seu pai são a alma do filme, e sua maior qualidade.

O roteiro e direção são pontuais e bem pungentes nestes momentos de aproximação através do constrangimento, que no filme, vai muito além das duas personagens. Contudo, Toni Erdmann é um filme de duas horas e quarenta e dois minutos. Isso propriamente não é uma má qualidade, mas o filme sobrevive de seus momentos brilhosos que estão espalhados em algumas partes do roteiro, ou seja: em outras partes, falta o que dizer. No todo, é um belo filme harmonioso, mas não necessariamente harmônico. Um roteiro um pouco mais enxugado elevaria Toni Erdmann a níveis do pináculo.

Mas, Toni Erdmann permanece indefectível em sua intenção, assim como seu próprio personagem-título, que busca comover e divertir em um filme de humor provocador, sem medo do absurdo e ridículo, vide a hilária cena da festa de aniversário de Ines, que também ajuda a levantar questões relevantes, como quem realmente usa uma máscara: usa-se para se aproximar ou para se esconder? Quando Winfried põe a peruca e dentes, esconde sua incapacidade de se relacionar, mas convida o mundo a volta para participar de seu ‘show’ de estranhezas; Ines, em sua severidade com o trabalho, projeta uma máscara para conseguir o respeito devido, mas percebe que esta mesma pouco a ajuda a chegar em seus objetivos, assim como o mundo corporativista das aparências que tiram e põem suas máscaras, tudo para manter a roda girando.

Toni Erdmann é sobre isto: a vida e o tempo.

Agora, fica a curiosidade para saber como ficará a versão hollywoodiana que ainda está na fase de pré-produção, mas que já tem dois nomes certos: a comediante Kristen Wiig, e o retorno as telas do titânico Jack Nicholson, afastado (por vontade própria) do cinema desde Como Você Sabe, de 2010.

Que Toni traga de volta à vida Jack Nicholson!

FICHA TÉCNICA
Título Original: Toni Erdmann
Direção: Maren Ade
Produção: Komplizen Film; KNM; Missing Link Films; SWR; WDR; Arte; Enfilade (Austria)
Roteiro: Maren Ade
Gênero: Comédia dramática
Duração: 162 minutos
Classificação: 16 anos
Elenco: Peter Simonischek (Winfried Conradi/Toni Erdmann); Sandra Hüller (Ines Conradi); Ingrid Bisu (Anca); Lucy Russell (Steph)

Um dos indicados ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro já está nas salas de cinema: Toni Erdmann. Este filme alemão (obs.: que possui alguns trechos falado em inglês) da diretora Maren Ade, teve sua première na competição do último Festival de Cannes e, apesar de ter saído do festival de mãos abanando, foi muito elogiado pela crítica internacional - tanto que em revistas como a Sight & Sound e a respeitadíssima Cahiers du Cinéma, foi eleito o melhor filme do ano de 2016. O terceiro longa desta diretora nos conta a história de Winfried (Peter Simonischek), um senhor brincalhão que gosta de tirar barato com as pessoas, tentando arrancar um riso destas. Todavia, seu bom humor encontra dificuldades quando tenta se aproximar de sua bem sucedida filha Ines (Sandra Hüller) que é bem sisuda e workaholic. Decidido a mudar esse cenário, Winfried viaja até Bucareste na Romênia, onde Ines trabalha, para se aproximar dela. Lá, continuam as dificuldades de aproximação, mas um novo elemento irá entrar nessa relação: o alter-ego esquisitão de Winfried: Toni Erdmann, de cabelos longos e dentes postiços horrorosos, e especialista em inventar situações e mentiras que faz de tudo para se aproximar de Ines. Das boas e iluminadas qualidades (como alguns momentos da fotografia no filme) de Toni Erdmann, a maior é a sua dupla de protagonistas. O Winfried/Toni de Peter Simonischek é inegável, um senhor de boa aparência, de estatura alta e um jeitão ‘bonachão’ genuíno que chama a atenção. Um personagem realmente de muita luz e ingenuidade, mesmo que variando de um tipo de humor mais negro para um mais bobinho; um mix de infantilidade e embaraço. Já Ines, da ótima e versátil Sandra Hüller, é o contrário: mais sensata e realista, sem ser pedante. Essa junção destes dois elementos distantes cria fogos de artifício na grande tela. O carisma comovente de Winfried/Toni, e a prática de abertura que Ines demonstra mesmo diante dos constrangimentos que passa com seu pai são a alma do filme, e sua maior qualidade. O roteiro e direção são pontuais e bem pungentes nestes momentos de aproximação através do constrangimento, que no filme, vai muito além das duas personagens. Contudo, Toni Erdmann é um filme de duas horas e quarenta e dois minutos. Isso propriamente não é uma má qualidade, mas o filme sobrevive de seus momentos brilhosos que estão espalhados em algumas partes do roteiro, ou seja: em outras partes, falta o que dizer. No todo, é um belo filme harmonioso, mas não necessariamente harmônico. Um roteiro um pouco mais enxugado elevaria Toni Erdmann a níveis do pináculo. Mas, Toni Erdmann permanece indefectível em sua intenção, assim como seu próprio personagem-título, que busca comover e divertir em um filme de humor provocador, sem medo do absurdo e ridículo, vide a hilária cena da festa de aniversário de Ines, que também ajuda a levantar questões relevantes, como quem realmente usa uma máscara: usa-se para se aproximar ou para se esconder? Quando Winfried põe a peruca e dentes, esconde sua…

Toni Erdmann

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia

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