Posted On 15/11/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Uma Razão Para Viver

Primeiro filme de Andy Serkis demonstra firmeza e traz protagonistas de peso

Se pararmos para pensar, muitos grandes atores de Hollywood já colocaram a mão na massa e dirigiram seus próprios filmes. Clint Eastwood, Sean Penn, Angelina Jolie, Ben Affleck, Tom Hanks, Mel Gibson e Robert Redford são bons exemplos, e agora Andy Serkis pode se considerar um integrante deste time. Arriscando-se do outro lado da câmera (o ator é mundialmente conhecido por suas atuações através da captura de movimentos em Senhor dos Anéis e Planeta dos Macacos), Serkis já prova ser um bom condutor não só com a história que conta mas também com seus atores/personagens – até porque, com Claire Foy e Andrew Garfield, dificilmente o resultado seria negativo.

Uma Razão para Viver é baseado na história real de Robin Cavendish (Garfield), britânico que contraiu poliomelite na África em 1958 e ficou tetraplégico com apenas 28 anos. Recém-casado com Diana (Foy) e sedento para viajar e conhecer o mundo, o jovem inicialmente recebeu alguns meses de vida, mas com o passar do tempo todas as estatísticas foram contrariadas.

Com o apoio de sua esposa e o amor pelo seu pequeno filho, Robin acaba aceitando sua condição e encontra meios para viver da melhor forma possível. Ao sair do hospital e deparar-se novamente com “a vida lá fora”, ele compreende que é possível encontrar a felicidade. O motivo é essencialmente Diana, que acaba sendo tão protagonista quanto Robin. A força da personagem e a imensidão de seus atos altruístas, tudo em nome do bem-estar de sua família, são emocionantes e delicadamente trabalhados pelo roteiro. Vemos mais lados da esposa do que do marido, se analisado a complexidade da personagem. São raríssimos os momentos que a vemos incerta do que está fazendo – até arrisco dizer que não há nenhum, na verdade -, o que é ainda mais inspirador para uma história que tinha tudo para acabar de maneira trágica.

O amor e a paciência são as peças-chave de Uma Razão para Viver, que não detalha tanto o relacionamento inicial do casal do mesmo modo que é possível ver em A Teoria de Tudo. Apesar de conter elementos parecidos e da doença de Robin ser igualmente trabalhada como no caso de Stephen Hawking no cinema, o que importa é a partir do momento em que o casal passa a enfrentar a realidade da condição de Robin. Já sabemos o quanto são apaixonados e o quanto sonhavam juntos, mas Serkis não especifica em inúmeras cenas montadas no início do filme. A sutileza em mostrar poucos, mas belos momentos entre os dois, já justifica e já toma o espaço necessário. Sem soar piegas, a seriedade mostrada no dia-a-dia da família se intercala com momentos de extrema alegria, condizentes com a satisfação de Robin simplesmente ter a chance de estar em casa. Sem dúvidas, a simplicidade com que o diretor trabalha as nuances realistas é uma das melhores coisas do filme.

Também é importante destacar que Claire Foy chega a brilhar mais que o próprio Andrew Garfield, que, pelo estado debilitado de seu personagem, teve um trabalho mais cuidadoso. Com ótimos e emocionantes momentos, Claire/Diana é a luz de tudo – tanto para seu marido como para o filme. Andrew, por sua vez, cativa como sempre faz, mas acaba deixando uma sensação de que já vimos essa atuação antes (por mais que desta vez ele esteja em uma cadeira de rodas).

Andy Serkis não chega a brilhar na direção, porém já se encontra em uma posição muito segura e firme. Alguns movimentos de câmera são dinâmicos e muito interessantes, dando um tom descontraído e certamente bem-vindo dado a seriedade da doença apresentada na história (destaque para a cena do escritório; vocês saberão qual). No fim, a mesma direção segura aponta para caminhos já aguardados pelo espectador, mas a emoção não é diminuída.

O objetivo do filme, além de sensibilizar, é o de mostrar os dois lados da moeda: o de quem sofre com alguma doença e o de quem vive rodeado dela. Os últimos minutos de Uma Razão Para Viver emocionam justamente por balancear a dificuldade dos desafios impostos pela vida e a capacidade de encará-los; não por escolha e nem como um fardo, mas por simples e puro amor. No final, tudo acaba valendo a pena.


Com roteiro escrito por William Nicholson (de Gladiador), o filme foi escolhido para abrir BFI London Film Festival em 2017. No Brasil, Uma Razão para Viver chega aos cinemas no dia 16 de novembro com distribuição da Diamond Films.

Primeiro filme de Andy Serkis demonstra firmeza e traz protagonistas de peso Se pararmos para pensar, muitos grandes atores de Hollywood já colocaram a mão na massa e dirigiram seus próprios filmes. Clint Eastwood, Sean Penn, Angelina Jolie, Ben Affleck, Tom Hanks, Mel Gibson e Robert Redford são bons exemplos, e agora Andy Serkis pode se considerar um integrante deste time. Arriscando-se do outro lado da câmera (o ator é mundialmente conhecido por suas atuações através da captura de movimentos em Senhor dos Anéis e Planeta dos Macacos), Serkis já prova ser um bom condutor não só com a história que conta mas também com seus atores/personagens - até porque, com Claire Foy e Andrew Garfield, dificilmente o resultado seria negativo. Uma Razão para Viver é baseado na história real de Robin Cavendish (Garfield), britânico que contraiu poliomelite na África em 1958 e ficou tetraplégico com apenas 28 anos. Recém-casado com Diana (Foy) e sedento para viajar e conhecer o mundo, o jovem inicialmente recebeu alguns meses de vida, mas com o passar do tempo todas as estatísticas foram contrariadas. Com o apoio de sua esposa e o amor pelo seu pequeno filho, Robin acaba aceitando sua condição e encontra meios para viver da melhor forma possível. Ao sair do hospital e deparar-se novamente com "a vida lá fora", ele compreende que é possível encontrar a felicidade. O motivo é essencialmente Diana, que acaba sendo tão protagonista quanto Robin. A força da personagem e a imensidão de seus atos altruístas, tudo em nome do bem-estar de sua família, são emocionantes e delicadamente trabalhados pelo roteiro. Vemos mais lados da esposa do que do marido, se analisado a complexidade da personagem. São raríssimos os momentos que a vemos incerta do que está fazendo - até arrisco dizer que não há nenhum, na verdade -, o que é ainda mais inspirador para uma história que tinha tudo para acabar de maneira trágica. O amor e a paciência são as peças-chave de Uma Razão para Viver, que não detalha tanto o relacionamento inicial do casal do mesmo modo que é possível ver em A Teoria de Tudo. Apesar de conter elementos parecidos e da doença de Robin ser igualmente trabalhada como no caso de Stephen Hawking no cinema, o que importa é a partir do momento em que o casal passa a enfrentar a realidade da condição de Robin. Já sabemos o quanto são apaixonados e o quanto sonhavam juntos, mas Serkis não especifica em inúmeras cenas montadas no início do filme. A sutileza em mostrar poucos, mas belos momentos entre os dois, já justifica e já toma o espaço necessário. Sem soar piegas, a seriedade mostrada no dia-a-dia da família se intercala com momentos de extrema alegria, condizentes com a satisfação de Robin simplesmente ter a chance de estar em casa. Sem dúvidas, a simplicidade com que o diretor trabalha as nuances realistas é uma das melhores coisas do filme. Também é importante destacar que Claire Foy chega a brilhar mais que o…

Uma Razão Para Viver

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia

Bom

71

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