Crítica: Zumbilândia - Atire Duas Vezes | Cinematecando

Posted On 17/10/2019 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Zumbilândia – Atire Duas Vezes

Um retorno capenga

Zumbilândia - Atire Duas Vezes

Sucesso relativamente inesperado em 2009, Zumbilândia ganha uma sequência dez anos depois apostando no que deu certo no filme original: o entrosamento do elenco. O carismático Woody Harrelson volta ao papel do durão Tallahasse, enquanto Jesse Eisenberg e Emma Stone (desde então consagrada com um Oscar e outros prêmios) retomam o casal Columbus e Wichita. Do quarteto principal, apenas Abigail Breslin perdeu prestígio em Hollywood na última década, cada vez mais distante da garotinha de Pequena Miss Sunshine, o que se reflete em perda de tempo de tela para sua personagem, Little Rock.

O longa mantém o ritmo acelerado do primeiro, com as referências à cultura pop (os zumbis são divididos em categorias que vão do palerma Homer Simpson ao exterminador T-800) e as intervenções gráficas que sinalizam as regras criadas por Columbus. Também aparecem com destaque ícones do imaginário coletivo norte-americano, como Elvis Presley e a Casa Branca – chega até a ser estranho que, apesar de situar parte da ação na residência oficial do presidente dos EUA e fazer graça com praticamente tudo, não há nenhuma indireta à Donald Trump, alvo de milhares humoristas ao redor do mundo nos últimos anos.

Zumbilândia – Atire Duas Vezes não parece ter nenhuma preocupação em passar mensagens políticas ou ser politicamente correto. Chega até mesmo a parecer anacrônico, ao inserir no time de protagonistas uma patricinha no estereotipo “loira burra”. Nesse ponto a sensação de fato é que o filme ainda parou em 2009. Poderia até ser proposital, mas em nenhum momento o roteiro dá subsídios que sustentem essa teoria. A comunidade hippie e pacifista também é uma representação clichê, mas, diferente do que acontece com a garota, não vira o saco de pancadas para as piadas do roteiro.

Voltando ao universo que ajudou a criar, o diretor Ruben Fleischer (que ano passado assinou o fraco Venom) requenta a atmosfera da produção de 2009 e cria poucos momentos que se sobressaem. A honrosa exceção é um plano sequência de tirar o fôlego, no início da segunda metade. As aparições de Rosario Dawson, Luke Wilson e Thomas Middleditch de fato injetam ânimo novo na trama, mas seu impacto no desenrolar da narrativa é perto de zero, especialmente no caso da dupla de atores.

O que mais incomoda nessa continuação é que ela pouco se esforça para trazer algo original ao público. O clímax num espaço colorido, aberto e cheio de parafernálias é praticamente idêntico ao do primeiro filme, assim como a mensagem final de união pregada pelo personagem de Eisenberg no breve epílogo. Há inclusive uma tentativa de repetir a antológica participação de Bill Murray, agora numa cena entre os créditos. Sem o mesmo vigor e com a inteligência sensivelmente comprometida, Zumbilândia – Atire Duas Vezes está mais para uma cópia moribunda de algo que já foi mais cheio de vida.

Um retorno capenga Sucesso relativamente inesperado em 2009, Zumbilândia ganha uma sequência dez anos depois apostando no que deu certo no filme original: o entrosamento do elenco. O carismático Woody Harrelson volta ao papel do durão Tallahasse, enquanto Jesse Eisenberg e Emma Stone (desde então consagrada com um Oscar e outros prêmios) retomam o casal Columbus e Wichita. Do quarteto principal, apenas Abigail Breslin perdeu prestígio em Hollywood na última década, cada vez mais distante da garotinha de Pequena Miss Sunshine, o que se reflete em perda de tempo de tela para sua personagem, Little Rock. O longa mantém o ritmo acelerado do primeiro, com as referências à cultura pop (os zumbis são divididos em categorias que vão do palerma Homer Simpson ao exterminador T-800) e as intervenções gráficas que sinalizam as regras criadas por Columbus. Também aparecem com destaque ícones do imaginário coletivo norte-americano, como Elvis Presley e a Casa Branca - chega até a ser estranho que, apesar de situar parte da ação na residência oficial do presidente dos EUA e fazer graça com praticamente tudo, não há nenhuma indireta à Donald Trump, alvo de milhares humoristas ao redor do mundo nos últimos anos. Zumbilândia - Atire Duas Vezes não parece ter nenhuma preocupação em passar mensagens políticas ou ser politicamente correto. Chega até mesmo a parecer anacrônico, ao inserir no time de protagonistas uma patricinha no estereotipo "loira burra". Nesse ponto a sensação de fato é que o filme ainda parou em 2009. Poderia até ser proposital, mas em nenhum momento o roteiro dá subsídios que sustentem essa teoria. A comunidade hippie e pacifista também é uma representação clichê, mas, diferente do que acontece com a garota, não vira o saco de pancadas para as piadas do roteiro. Voltando ao universo que ajudou a criar, o diretor Ruben Fleischer (que ano passado assinou o fraco Venom) requenta a atmosfera da produção de 2009 e cria poucos momentos que se sobressaem. A honrosa exceção é um plano sequência de tirar o fôlego, no início da segunda metade. As aparições de Rosario Dawson, Luke Wilson e Thomas Middleditch de fato injetam ânimo novo na trama, mas seu impacto no desenrolar da narrativa é perto de zero, especialmente no caso da dupla de atores. O que mais incomoda nessa continuação é que ela pouco se esforça para trazer algo original ao público. O clímax num espaço colorido, aberto e cheio de parafernálias é praticamente idêntico ao do primeiro filme, assim como a mensagem final de união pregada pelo personagem de Eisenberg no breve epílogo. Há inclusive uma tentativa de repetir a antológica participação de Bill Murray, agora numa cena entre os créditos. Sem o mesmo vigor e com a inteligência sensivelmente comprometida, Zumbilândia - Atire Duas Vezes está mais para uma cópia moribunda de algo que já foi mais cheio de vida.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes

Cotação

Regular

Sequência repete fórmula do original, e se aproxima perigosamente da paródia de si mesma

40

Crítico de cinema, roteirista e diretor. Pós-graduado em Jornalismo Cultural. Além do Cinematecando, é colunista do Yahoo! Brasil