Filme brasileiro LGBTQ+ estreia mundialmente em festival na Índia | Cinematecando

Posted On 28/05/2018 By In Notícias

Filme brasileiro LGBTQ+ estreia mundialmente em festival na Índia

“Madá Luz – Saindo do Camarim” fez sua estreia mundial na nona edição do KASHISH Mumbai International Queer Film Festival

O KASHISH Mumbai International Queer Film Festival é o maior festival de filmes LGBT da Ásia do Sul e da Índia, e acontece desde 2010 na cidade de Mumbai, na Índia. A Índia sofreu um duro golpe em 11 de dezembro de 2013, quando foi revertido o veredicto da Suprema Corte de Deli, recriminando a homossexualidade. O veredicto, ainda vigente na Índia, torna as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais vulneráveis, ​​não apenas à ação penal de prisão, mas também à extorsão, à chantagem e ao estigma social.

O KASHISH Mumbai International Queer Film Festival mantém firme apoio ao ultraje global contra a seção 377 do Código Penal Indiano e trabalha com outras organizações e movimentos a fim de que a lei seja revogada, e também acredita que filmes e arte são um meio poderoso para provocar mudanças sociais.

O filme brasileiro “Madá Luz – Saindo do Camarim”, de 8 minutos, que aborda a questão LGBTQ+ por meio de metáforas, foi selecionado para o festival indiano. O filme foi exibido no dia 25 de maio na sessão “Girls Shorts” (Short Film Package), juntamente com outros filmes dirigidos por cineastas mulheres.

“Madá Luz – Saindo do Camarim” foi dirigido e produzido pela diretora estreante Bruna Trigueiros Lins, com produção executiva de Petras Serafim. Contou com uma equipe majoritariamente composta por mulheres, como a primeira assistente de direção Silvia Seles e a diretora de fotografia Bruna De Vasconcellos Torres. A atriz Manuela Origuella, como Madá Luz, e o ator Paulo Henrique Pires, como Guilherme, são os protagonistas. Completam o elenco o ator Vitor Lins e a atriz Ingrid Fisher.

A história se passa em um mundo hipotético, onde os homens só podem tomar sorvetes de chocolate e as mulheres só podem gostar dos sorvetes de morango, Madá Luz, atriz em ascensão, está prestes a revelar um escandaloso segredo: seu fascínio pelos sorvetes de chocolate. Seu irmão, Guilherme, astuto empresário, tentará dissuadi-la de “sair do camarim” em prol de uma carreira tradicional e sem polêmicas.

O embate entre Madá Luz e o seu irmão, Guilherme, acontece dentro de um camarim, onde a atriz se prepara para uma entrevista para um programa matinal da televisão brasileira.

Aos poucos, Madá Luz vai se revelando quem realmente é. Ela vai se transformando na maquiagem, no vestiário e, por último, na atitude.

Madá Luz representa a jovem que está sofrendo por ir contra as próprias vontades, pois foi moldada, desde pequena, para ser uma influenciadora do padrão feminino. Por outro lado, o seu irmão Guilherme representa o conservadorismo, que se submete ao que lhe foi ensinado, mas ao final também se revela uma vítima desse mundo imaginado.

A lógica da sociedade normatizando padrões aos indivíduos é mostrado de maneira cômica ao longo da narrativa. Algo que é recorrente não só na sociedade perante às pessoas que tem outra orientação sexual, como também a todos que se limitam aos padrões que lhes são impostos.

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Trabalhou como assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e apresenta o canal do site no YouTube.