Posted On maio 28, 2017 By In Notícias

Gabriel e a Montanha, de Fellipe Barbosa, ganha dois prêmios no Festival de Cannes

O longa-metragem Gabriel e a Montanha, do diretor carioca Fellipe Barbosa, recebeu dois prêmios nesta quinta-feira, 25 de maio, no Festival de Cannes. A coprodução entre Brasil e França foi honrada com o prêmio France 4 Visionary Award, oferecido ao diretor pela obra “que mostra a paixão e o entusiasmo de um novo talento da indústria cinematográfica”. O outro prêmio, o Gan Foundation Award For Distribution, foi dado à distribuidora francesa para alavancar a distribuição do filme na França. Gabriel e a Montanha retrata a história do economista carioca Gabriel Buchmann na África e tem produção da TvZERO, da Gamarosa Filmes & Damned Films.

“Estou muito feliz e muito emocionado com essa conquista e esse reconhecimento. A gente teve o prêmio Revelação concedido pelo nosso conterrâneo Kleber Mendonça Filho e o prêmio de um outro júri que nos dará um apoio de distribuição na França. Estou aqui com a mãe e a irmã do Gabriel, a Fátima e a Nina, e elas estão muito emocionadas. O filme nasceu de uma forma gloriosa. Parecia que não podia ficar melhor, tivemos uma recepção muito emocionante aqui em Cannes. E espero que o filme possa ser visto em breve por vocês no Brasil. Vamos com tudo, como diria o Gabriel”, comemora Fellipe Barbosa.

O prêmio de revelação da Semana da Crítica oferecido pelo canal France 4 é realizado pela quinta vez no Festival de Cannes.Os vencedores anteriores foram “Sofia’s Last Ambulance”(2012), de Ilian Metev; “Salvo” (2013), de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza; “The Tribe” (2014), de Myroslav Slaboshpytskiy; “Land and Shade” (2015), de César Augusto Acevedo; e “Album” (2016), de Mehmet Can Mertoğlu.

“São dois prêmios importantíssimos, por tudo o que representam. O prêmio Revelação dado pela France 4, especialmente numa mostra como a Semaine de La Critique, dedicada à descoberta de novos cineastas, é sensacional e só comprova o talento promissor e em ascensão do diretor Fellipe Barbosa”, diz Rodrigo Letier, produtor-executivo da TvZERO, uma das produtoras do longa. “É o segundo prêmio, dado pela Fundação Gan para a distribuição do filme na França, é essencial para assegurar que o filme tenha um grande lançamento por lá, já negociado com a distribuidora Version Originale. Ficamos especialmente contentes por ganhar esses dois prêmios numa disputa tão acirrada, com filmes de altíssima qualidade.”

Gabriel Buchmann, que tem sua história retratada no longa, viajou para a África com o objetivo de analisar de perto a pobreza e se qualificar para um doutorado em políticas públicas na UCLA. Gabriel morreu de hipotermia, em 2009, após decidir subir o Monte Mulanje, pico mais alto do Malawi com mais de três mil metros de altitude, sem a companhia de um guia. Seu corpo foi encontrado dias depois na subida da montanha. O longa tem roteiro baseado em anotações, e-mails de Gabriel para a mãe e a namorada e entrevistas com pessoas que cruzaram seu caminho na África.

Na viagem, Gabriel Buchmann também passou por países como Quênia e Tanzânia, sempre preocupado em conhecer as particularidades das comunidades locais, como a tribo dos Massais. Ele gastava entre dois e três dólares por dia e chegou a ajudar amigos que fez nessas regiões, pagando o aluguel mensal da casa de uma família africana com somente 12 dólares.

Ao longo da viagem, Gabriel, interpretado por João Pedro Zappa, se aventura por outras subidas difíceis, como o Kilimanjaro, ponto mais alto do continente africano. Ele também recebe a visita de sua namorada, Cris (Caroline Abras), que estava na África do Sul participando de um seminário sobre políticas públicas e, juntos, viajaram pela Tanzânia e Zâmbia. O principal objetivo do pesquisador era avaliar a miséria de perto.

Este é o segundo longa-metragem de ficção dirigido por Fellipe Barbosa, que esteve à frente de Casa Grande (2014), ganhador do prêmio do público no Festival do Rio. Na competição de longas-metragens, a Semana da Crítica do Festival de Cannes, que este ano teve Kleber Mendonça Filho como presidente do júri, tem a tradição de selecionar cineastas com seus primeiros ou segundos longas.

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Criadora e editora-chefe do Cinematecando | Jornalista, 24 anos. Logo na infância encontrou no cinema uma grande paixão. Ama ler, fazer maratonas de séries (de Mad Men a The Office) e é fascinada por movimentos cinematográficos como Nouvelle Vague e Neo Realismo Italiano. Se inspirou na frase "Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", do diretor Glauber Rocha, para criar o Cinematecando e fazer o que mais gosta: escrever sobre cinema. Só que, ao invés da câmera, usa as palavras para transmitir seus pensamentos. Contato: barbara@cinematecando.com.br