Posted On 20/01/2017 By In Livros

Resenha: O Mar Infinito

Por Giovanna Orlando

O Mar Infinito é o segundo volume da trilogia de A Quinta Onda – e provavelmente o mais intenso. O medo de “os segundos livros sempre desapontam” é totalmente irracional neste caso. A continuação da saga consegue ser mais densa, mais complexa, com mais explicações e mais mistério do que o que é apresentado no primeiro livro.

O livro foca na história do Esquadrão 53 e em como eles vão conseguir sobreviver depois de fugirem da base militar. Eles estão escondidos em um hotel abandonado, esperando Evan Walker, o grande salvador de Cassie e em quem nenhum outro do grupo confia, aparecer.

Ficar nas cidades é perigoso, e com Zumbi debilitado, Ringer (ou Especialista, como foi traduzido para o português) parte para vasculhar as cavernas próximas a cidade, e se forem seguras e adequadas para se esconderem, todo o grupo se mudaria para lá. E é a partir daí que as duas faces do livro se desenrolam.

Cassie não é mais a narradora principal e protagonista do livro, o que é ótimo. Rick Yancey continua utilizando o recurso de mudança de narrador, e permite que você se aproxime e se encante por Especialista, que no primeiro livro era tratada como a menina arrogante que veio salvar o Esquadrão 53 e os ajudou a se formar.

Ringer é a personagem mais complexa entre todos. E é somente no segundo livro que você descobre que, por debaixo de toda aquela seriedade e as constantes recusas a sorrir, existe a menina mais forte e determinada do grupo.

Mas se por um lado o autor explorou melhor ela, ele deixou os outros personagens em segundo plano. Evan Walker continua com seus conflitos internos. Ele está apaixonado por Cassie e disposto a trair a própria espécie para salvá-la, mas não se deixa aprofundar totalmente nas nuances do personagem.

O grande sucesso do segundo livro foi o núcleo e a trajetória de Ringer. As reviravoltas, o sofrimento e as torturas; tudo é justificado e tudo ajuda a entender ainda mais o ponto de vista dos Outros, fazendo o leitor se questionar por diversos momentos se existe mesmo uma chance para a salvação da Terra.

O núcleo de Cassie é esquecido na maior parte do livro, mas não o torna ruim. Deixar Ringer como a protagonista da vez funciona melhor que se fizesse um livro inteiro sobre a jornada de Cassie e o reencontro com Evan, pois ele deixaria de ser um livro de ação e ficção-científica e se tornaria um romance.

Um dos personagens que também teve um destaque merecido foi Ben. Apesar de debilitado, ele continua sendo o líder do esquadrão, forte e cativante. Impossível não se deixar conquistar com as tiradas sarcásticas dele e o deixa ser o alívio cômico em toda a tragédia.

A escolha para o título do livro é perfeita. O mar infinito é uma metáfora citada diversas vezes no primeiro livro. É toda a angústia, o sofrimento, a sensação de estar se afogando e nunca chegar à superfície; a sensação de estar perdido e não saber o que fazer. A metáfora funciona bem tanto para explicar a situação do planeta como as lutas de cada um dos personagens.

O livro é mais lento que o primeiro, mas a trajetória de Especialista e as reviravoltas compensam. Os pensamentos, explicações e diálogos funcionam bem. Mesmo com a ação ficando em segundo plano, o livro não desaponta nas cenas de luta e continua difícil de deixar de lado.

Nome: O Mar Infinito
Autor: Rick Yancey
Ano: 2015
Páginas: 248
Sinopse: Cassie Sullivan e seus amigos sobreviveram às quatro ondas de destruição provocadas pelos Outros. Agora, com a raça humana quase exterminada e a 5ª Onda encobrindo a Terra, os sobreviventes devem escolher: encarar o inverno e esperar o retorno de Evan Walker ou partir à procura de abrigo antes que o inimigo os alcance. Porque o próximo ataque é mais do que possível – ele é inevitável.

Por Giovanna Orlando O Mar Infinito é o segundo volume da trilogia de A Quinta Onda - e provavelmente o mais intenso. O medo de “os segundos livros sempre desapontam” é totalmente irracional neste caso. A continuação da saga consegue ser mais densa, mais complexa, com mais explicações e mais mistério do que o que é apresentado no primeiro livro. O livro foca na história do Esquadrão 53 e em como eles vão conseguir sobreviver depois de fugirem da base militar. Eles estão escondidos em um hotel abandonado, esperando Evan Walker, o grande salvador de Cassie e em quem nenhum outro do grupo confia, aparecer. Ficar nas cidades é perigoso, e com Zumbi debilitado, Ringer (ou Especialista, como foi traduzido para o português) parte para vasculhar as cavernas próximas a cidade, e se forem seguras e adequadas para se esconderem, todo o grupo se mudaria para lá. E é a partir daí que as duas faces do livro se desenrolam. Cassie não é mais a narradora principal e protagonista do livro, o que é ótimo. Rick Yancey continua utilizando o recurso de mudança de narrador, e permite que você se aproxime e se encante por Especialista, que no primeiro livro era tratada como a menina arrogante que veio salvar o Esquadrão 53 e os ajudou a se formar. Ringer é a personagem mais complexa entre todos. E é somente no segundo livro que você descobre que, por debaixo de toda aquela seriedade e as constantes recusas a sorrir, existe a menina mais forte e determinada do grupo. Mas se por um lado o autor explorou melhor ela, ele deixou os outros personagens em segundo plano. Evan Walker continua com seus conflitos internos. Ele está apaixonado por Cassie e disposto a trair a própria espécie para salvá-la, mas não se deixa aprofundar totalmente nas nuances do personagem. O grande sucesso do segundo livro foi o núcleo e a trajetória de Ringer. As reviravoltas, o sofrimento e as torturas; tudo é justificado e tudo ajuda a entender ainda mais o ponto de vista dos Outros, fazendo o leitor se questionar por diversos momentos se existe mesmo uma chance para a salvação da Terra. O núcleo de Cassie é esquecido na maior parte do livro, mas não o torna ruim. Deixar Ringer como a protagonista da vez funciona melhor que se fizesse um livro inteiro sobre a jornada de Cassie e o reencontro com Evan, pois ele deixaria de ser um livro de ação e ficção-científica e se tornaria um romance. Um dos personagens que também teve um destaque merecido foi Ben. Apesar de debilitado, ele continua sendo o líder do esquadrão, forte e cativante. Impossível não se deixar conquistar com as tiradas sarcásticas dele e o deixa ser o alívio cômico em toda a tragédia. A escolha para o título do livro é perfeita. O mar infinito é uma metáfora citada diversas vezes no primeiro livro. É toda a angústia, o sofrimento, a sensação de estar se afogando e nunca chegar à superfície;…

Nota

O Mar Infinito

Ótimo

80

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