Diego Olivares, Autor em Cinematecando

All posts by Diego Olivares

Crítico de cinema, roteirista e diretor. Pós-graduado em Jornalismo Cultural. Além do Cinematecando, é colunista do Yahoo! Brasil

Posted On janeiro 14, 2020By Diego OlivaresIn Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: 1917

Guerra contra o tempo 1917 não é o primeiro longa-metragem a ser filmado como se fosse um único plano-sequência. Hitchcock usou a mesma fórmula em Festim Diabólico, em 1948 (embora reduzindo a ação praticamente sempre no mesmo ambiente), e, mais recentemente, o mexicano Alejandro G. Iñárritu brincou com isso em Birdman, enquanto o húngaro László Nemes levou a experiência de forma visceral para um campo de concentração durante a 2ª Guerra no premiado O Filho de Saul. A linguagem escolhida pelo diretor Sam Mendes (Beleza Americana, 007 – Operação Skyfall),Read More
Um pé no passado, outro na incerteza O ano de 2019 trouxe os desfechos de três sagas marcantes da cultura pop/geek mundial: o fim do ciclo Vingadores com Ultimato, a temporada derradeira de Game of Thrones e, agora, a conclusão da saga iniciada por George Lucas em 1977, com Star Wars – A Ascensão Skywalker. Por mais que não se tratem de despedidas absolutas, já que as franquias se manterão com outros filmes e séries derivadas para seguir girando os milhões de dólares na caixa registradora, é um momento emblemáticoRead More

Posted On dezembro 10, 2019By Diego OlivaresIn Críticas - Séries, Séries

Crítica: Ninguém Tá Olhando (1ª Temporada)

Anjos tortos que vivem na sombra Uma série sobre anjos agnósticos. Assim pode ser definida, pelo menos pela primeira temporada, Ninguém Tá Olhando, produção nacional original da Netflix. Apesar de ter como protagonistas criaturas conhecidas por serem celestiais, a atração foge das representações tradicionais de céu e inferno e chega até mesmo a questionar a existência de uma força superior que esteja regendo os acontecimentos terrenos. Criada pelo trio Daniel Rezende (responsável por Bingo – O Rei das Manhãs e Turma da Mônica – Laços e indicado ao Oscar pelaRead More

Posted On dezembro 7, 2019By Diego OlivaresIn Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: As Golpistas

Dias de glória, dias de luta Logo no início de As Golpistas, numa cena que ressignifica para sempre o hit do rock alternativo Criminal, da cantora Fiona Apple, Jennifer Lopez (ou melhor, Ramona, sua personagem) faz uma exuberante performance de pole dance. Enquanto os homens babam ao seu redor, arremessando notas de um dólar no palco do clube de striptease, Destiny (Constance Wu) olha aquilo com um sentimento de devoção verdadeiro. É como se, pela primeira vez na vida, encontrasse alguém que a inspire. Na sequência seguinte, Ramona coloca DestinyRead More

Posted On dezembro 4, 2019By Diego OlivaresIn Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Entre Facas e Segredos

Intrigas de classe Como define o policial vivido por Lakeith Stanfield, o cenário de Entre Facas e Segredos parece um tabuleiro do jogo Detetive que ganhou vida. Há uma luxuosa casa de campo, uma morte misteriosa e muitos suspeitos, todos com potenciais motivos para assassinar a vítima. Porém, se à primeira vista o longa escrito e dirigido por Rian Johnson, tem certa semelhança com as intrigas criadas pela célebre autora Agatha Christie, o desenrolar da trama denota pitadas da mesma crítica social vista em produções recentes como Corra! e Parasita.Read More

Posted On novembro 21, 2019By Diego OlivaresIn Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Um Dia de Chuva em Nova York

Fora do tempo Um Dia de Chuva em Nova York é um divisor de águas na carreira de Woody Allen. Não pela obra em si – que requenta o estilo habitual do diretor -, mas por ter tido o lançamento cancelado nos cinemas de sua terra natal, os EUA, após o surgimento do movimento #MeToo e a volta das acusações de que Allen teria abusado de sua então enteada Dylan, ainda nos anos 80, durante a união com Mia Farrow. A polêmica não apenas interrompeu a tradição de o veteranoRead More

Posted On novembro 18, 2019By Diego OlivaresIn Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: O Irlandês

A máfia no divã “Eu soube que você pinta casas”. A frase, que abre o primeiro contato, via telefone, entre Frank Sheeran (Robert De Niro) e Jimmy Hoffa (Al Pacino), é o título do livro escrito por Charles Brandt que inspirou o roteiro de O Irlandês. Como o diretor Martin Scorsese demonstra habilmente logo nas primeiras cenas de seu filme, “pintar casas” é um eufemismo para matar pessoas: o sangue jorrado na parede é a tinta, o revólver serve como pincel. É este o universo em que se desenrola aRead More

Posted On novembro 4, 2019By Diego OlivaresIn Críticas - Lançamentos, Filmes

43ª Mostra – Crítica: Pacificado

A paz que se quer conservar para tentar ser feliz O diretor Paxton Winters nasceu nos Estados Unidos, morou por 18 anos na Turquia e depois se instalou no Rio de Janeiro. Depois de três anos morando no Morro dos Prazeres decidiu escrever uma história sobre o local. O resultado é Pacificado, premiado como melhor filme na edição 2019 do tradicional festival de San Sebástian, na Espanha, e que entra para a lista de mais uma produção audiovisual sobre a periferia brasileira. Depois dos fenômenos Cidade de Deus e TropaRead More

Posted On novembro 4, 2019By Diego OlivaresIn Críticas - Lançamentos, Filmes

43ª Mostra – Crítica: Sinônimos

Estar e não pertencer Nos últimos anos, a questão dos imigrantes e expatriados tem sido frequente no cinema europeu e rendido prêmios importantes a quem aborda o tema. É o caso do francês Deephan – O Refúgio, vencedor da Palma de Ouro em Cannes na edição 2015, do documentário italiano Fogo no Mar, agraciado com o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, em 2016. A tradição recente foi retomada na capital alemã em 2019, com a vitória de Sinônimos. Porém, o filme de contornos auto-biográficos dirigido peloRead More

Posted On novembro 4, 2019By Diego OlivaresIn Críticas - Lançamentos, Filmes

43ª Mostra – Crítica: O Relatório

Outra verdade inconveniente Quase todas as cenas de O Relatório se passam em escritórios fechados, onde funcionários do governo norte-americano e de seus órgãos associados reviram os segredos da estratégia dos EUA nos anos que se seguiram ao 11 de setembro. A alta voltagem do filme, portanto, não vem de sequências de perseguição ou explosões, mas das discussões acaloradas entre os personagens, que lidam com o fato do exército ter utilizado a tortura como método durante suas invasões ao Afeganistão e Iraque. A quantidade de diálogos pode ser excessiva paraRead More