Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam (COM SPOILERS) | Cinematecando

Posted On 18/11/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam (COM SPOILERS)

AVISO: Esta análise de Animais Fantásticos e Onde Habitam possui diversos spoilers e, caso você ainda não tenha assistido e queira só uma crítica sem essas informações adicionais, confira o nosso texto sem spoilers.

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A sensação de ir ao cinema sem saber ao certo o que esperar do filme é ao mesmo tempo maravilhosa e amedrontadora, e é exatamente esse misto de sensações que cerca os fãs nos momentos antes de entrarem na sessão de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Mesmo fazendo parte do universo que engloba os acontecimentos de Harry Potter, essa história que começa a ser contada neste primeiro filme (de cinco) não é conhecida por ninguém além da autora (e agora roteirista) J. K. Rowling, que disse em diversas entrevistas que esta era a história que ela realmente queria contar.

Logo no início do longa é possível escutar a mesma música que iniciava os filmes sobre as aventuras de Harry Potter e então aparece o logo da Warner Bros. em meio às nuvens, pronto, os fãs receosos sobre o que encontrariam nas próximas duas horas de filme já começam a se sentir mais em casa. Depois do momento nostalgia, vemos o grande vilão da série, Gellert Grindelwald (interpretado, sim, por Johnny Depp) de costas e, logo em seguida, vemos o vilão do filme, Graves (Collin Farrell), pelo mesmo ângulo e posição (prestar atenção nisso talvez seja um dos maiores spoilers).

Logo após a introdução sobre o mal que assombra Nova Iorque em 1926, vemos o herói Newt Scamander (Eddie Redmayne) chegando na cidade com sua mala repleta de animais mágicos. O jovem magizoologista, ex-estudante da casa Lufa-Lufa em Hogwarts e muito querido pelo então professor Alvo Dumbledore, atravessou o oceano viajando da Europa até a América do Norte por um motivo nobre: devolver uma de suas mais belas e imponentes criaturas ao seu habitat natural.

Newt não sabe sobre os problemas que o mundo mágico está enfrentando nos EUA e acaba se envolvendo em uma confusão envolvendo troca de maletas com o No-Maj (maneira norte americana de chamar as pessoas que não são bruxas) Jacob (Dan Fogler) em uma agência bancária. Esse evento o faz ser levado ao Congresso Mágico dos Estados Unidos da America (MACUSA), por Tina (Katherine Waterson), uma Auror que perdeu sua importância e influência ao atacar uma No-Maj que persegue os bruxos e abusa dos filhos adotivos retirados de famílias com poderes mágicos. Entre esses filhos, está Credence (Ezra Miller), um jovem retraído que não concorda muito com a propaganda anti magia divulgada por sua “mãe”.

A partir desse ponto, o filme segue por duas linhas diferentes: uma mais ensolarada e claramente engraçada envolvendo Newt, Tina, Jacob e Queenie (irmã de Tina, interpretada por Alison Sudol) e a busca pelos animais fantásticos que fugiram da maleta. A interação entre esses personagens são responsáveis por nos proporcionar duas das cenas mais bonitas do longa inteiro, sendo a primeira, o momento em que Newt mostra para Jacob o mundo que existe dentro de sua maleta e o No-Maj reage exatamente como qualquer fã da saga reagiria se fosse inserido nesse universo, e depois, a cena que envolve a dança de acasalamento de uma erumpente, porque depois dela passamos a entender melhor os motivos de Newt e a paixão com a qual ele estuda e cuida de seus animais. A segunda linha que surge no filme e é apresentada paralelamente ao lado “feliz” da história, é a relação sombria entre Credence e Graves, e é dela que nasce o grande terror que assombra Nova Iorque, uma vez que Graves insiste em pressionar Credence a encontrar uma criança com grandes poderes mágicos. Mas o que ele não percebe é que esta pessoa que ele tanto procura é o próprio garoto atormentado – até que todo o poder que foi reprimido e escondido dentro de Credence durante suas poucas décadas de vida se mostra imenso e capaz de devastar uma cidade inteira. A partir da descoberta do real Credence, podemos perceber mais uma vez o quão bom o ator Ezra Miller (que dará vida ao Flash nos próximos filmes da DC Comics) é em fazer o garoto problema, já que seu currículo conta com outros personagens problemáticos em filmes como Precisamos Falar Sobre Kevin e As Vantagens de Ser Invisível.

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A partir da revelação do poder de Credence e sua revolta contra a cidade, todos os núcleos da história se unem para combatê-lo, alguns querendo simplesmente matá-lo e outros tentando ajudar o jovem a lidar com a magia que existe dentro dele, mas infelizmente os mais radicais ganham e assassinam o garoto antes que ele pudesse se explicar ou coisa do tipo, o que é bem triste, uma vez que é um ótimo personagem que poderia ser melhor desenvolvido nas continuações da história. Após a morte de Credence, vemos Graves se revoltando contra o MACUSA, órgão para o qual trabalhava, então é preso e neste momento Newt lança sobre ele um feitiço de revelação, o que dá a entender que o vilão revelaria todos seus planos e o que sabia sobre as pessoas anti bruxos, mas não, o feitiço não é para esse fim, e sim para revelar quem Graves realmente é. Então, vemos seu cabelo preto se transformando em loiro e descobrimos que durante todo o filme vimos Gelllert Grindelwald na tela, interagindo com os personagens principais e tentando instalar seu conceito de supremacia bruxa Para Um Bem Maior na América do Norte.

Sem dúvidas os pontos fortes desse filme são os efeitos visuais maravilhosamente executados e a escolha do elenco, que está confortável e confiante ao nos apresentar esses personagens. Mas existem pontos fracos. Mesmo o roteiro da J.K.Rowling sendo muito bom (excelente para um primeiro), as pontas soltas que ela deixa na história são um pouco incômodas e fazem com que o filme seja absurdamente dependente de suas continuações, como por exemplo o fato de Grindelwald estar infiltrado no MACUSA. Como ele fez isso? Há quanto tempo isso acontecia? Onde está o verdadeiro Graves? São questões como essas que ficam em aberto para serem explicadas nos próximos quatro filmes.

No geral, o filme é maravilhoso, agrada aos fãs que se sentiam órfãos do universo mágico e introduz uma nova aventura bem interessante para quem ainda não conhecia. Animais Fantásticos e Onde Habitam vai ser a história capaz de trazer aspectos adultos para um mundo que muitas vezes foi visto como infanto-juvenil por muitos. A saga de Newt e seus amigos vai além de Harry Potter e isso é genial, então, enquanto 2018 não chega para vermos o segundo filme, muitas teorias ainda irão rolar, mas J. K. Rowling sabe o que faz e ela não é de decepcionar.

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FICHA TÉCNICA
Direção: David Yates
Roteiro: J.K. Rowling
Elenco: Alison Sudol, Carmen Ejogo, Christine Marzano, Colin Farrell, Dan Fogler, Eddie Redmayne, Ezra Miller, Fanny Carbonnel, Gemma Chan, Jason Newell, Jason Redshaw, Jenn Murray, Joe Malone, Jon Voight, Katherine Waterston, Lasco Atkins, Lobna Futers, Lucie Pohl, Peter Breitmayer, Ron Perlman
Produção: David Heyman, J.K. Rowling, Lionel Wigram, Neil Blair, Steve Kloves
Fotografia: Philippe Rousselot
Montador: Mark Day
Trilha Sonora: James Newton Howard
Duração: 133 min.

AVISO: Esta análise de Animais Fantásticos e Onde Habitam possui diversos spoilers e, caso você ainda não tenha assistido e queira só uma crítica sem essas informações adicionais, confira o nosso texto sem spoilers. A sensação de ir ao cinema sem saber ao certo o que esperar do filme é ao mesmo tempo maravilhosa e amedrontadora, e é exatamente esse misto de sensações que cerca os fãs nos momentos antes de entrarem na sessão de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Mesmo fazendo parte do universo que engloba os acontecimentos de Harry Potter, essa história que começa a ser contada neste primeiro filme (de cinco) não é conhecida por ninguém além da autora (e agora roteirista) J. K. Rowling, que disse em diversas entrevistas que esta era a história que ela realmente queria contar. Logo no início do longa é possível escutar a mesma música que iniciava os filmes sobre as aventuras de Harry Potter e então aparece o logo da Warner Bros. em meio às nuvens, pronto, os fãs receosos sobre o que encontrariam nas próximas duas horas de filme já começam a se sentir mais em casa. Depois do momento nostalgia, vemos o grande vilão da série, Gellert Grindelwald (interpretado, sim, por Johnny Depp) de costas e, logo em seguida, vemos o vilão do filme, Graves (Collin Farrell), pelo mesmo ângulo e posição (prestar atenção nisso talvez seja um dos maiores spoilers). Logo após a introdução sobre o mal que assombra Nova Iorque em 1926, vemos o herói Newt Scamander (Eddie Redmayne) chegando na cidade com sua mala repleta de animais mágicos. O jovem magizoologista, ex-estudante da casa Lufa-Lufa em Hogwarts e muito querido pelo então professor Alvo Dumbledore, atravessou o oceano viajando da Europa até a América do Norte por um motivo nobre: devolver uma de suas mais belas e imponentes criaturas ao seu habitat natural. Newt não sabe sobre os problemas que o mundo mágico está enfrentando nos EUA e acaba se envolvendo em uma confusão envolvendo troca de maletas com o No-Maj (maneira norte americana de chamar as pessoas que não são bruxas) Jacob (Dan Fogler) em uma agência bancária. Esse evento o faz ser levado ao Congresso Mágico dos Estados Unidos da America (MACUSA), por Tina (Katherine Waterson), uma Auror que perdeu sua importância e influência ao atacar uma No-Maj que persegue os bruxos e abusa dos filhos adotivos retirados de famílias com poderes mágicos. Entre esses filhos, está Credence (Ezra Miller), um jovem retraído que não concorda muito com a propaganda anti magia divulgada por sua “mãe”. A partir desse ponto, o filme segue por duas linhas diferentes: uma mais ensolarada e claramente engraçada envolvendo Newt, Tina, Jacob e Queenie (irmã de Tina, interpretada por Alison Sudol) e a busca pelos animais fantásticos que fugiram da maleta. A interação entre esses personagens são responsáveis por nos proporcionar duas das cenas mais bonitas do longa inteiro, sendo a primeira, o momento em que Newt mostra para Jacob o mundo que existe dentro de sua maleta e o No-Maj…

Nota

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Excelente

92