Crítica: Cartas Para Um Ladrão de Livros | Cinematecando

Posted On 02/03/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Cartas Para Um Ladrão de Livros

Projeto de cinco anos sobre ladrão de livros raros também aborda questões sobre preservação do patrimônio histórico brasileiro

Utilizando como ponto inicial a troca de correspondências entre um dos diretores e Laéssio Rodrigues de Oliveira, figura conhecida como o maior ladrão de livros raros do país, o documentário Cartas Para Um Ladrão de Livros aproveita seu personagem para abordar questões complicadas e que geram grande debate: se é tão fácil roubar documentos e livros históricos do nosso país, quão preservadas estão tais obras?

Dentre seus roubos, o caso mais “famoso” é o furto de mais de 2000 documentos oficiais do Palácio do Itamaraty do Rio de Janeiro. Laéssio, no entanto, não se envergonha e não se arrepende de tais ações, deixando claro que nunca teve dificuldades em agir dessa maneira. Por também serem jornalistas, os diretores Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini trabalham bem os diversos lados da história e, sem tomar um lado, expõem diversas opiniões e visões sobre seu personagem principal.

Ouvimos depoimentos do bibliotecário do Museu Nacional, que insiste que não vale a pena nem citar o nome de Laéssio, um mero “criminoso e vigarista”, como também ouvimos um antigo amigo que presenciou alguns furtos e teve medo de ser considerado cúmplice. Claramente incomodado pelo fato de Laéssio ganhar um filme só para ele, afirma que tudo o que ele queria é atenção. De fato, acabou conseguindo bastante.

Cartas Para Um Ladrão de Livros torna Laéssio uma figura ambígua: ele é simpático e engraçado, se expressa muito bem e sempre possui um semblante tranquilo, sem culpa alguma. Por outro lado, é impossível esquecer dos crimes que cometeu. Ao analisarmos a pessoa real por trás da figura conhecida nos jornais e na televisão, vemos que a abordagem e o tempo que os diretores dedicaram valeu a pena, pois um rico trabalho de humanidade foi entregue sem sombra de dúvidas. A questão que Laéssio toca e que marca para o espectador, é se a maioria da população entende (ou se interessa verdadeiramente) pelas tais obras que foram furtadas. A maneira como enxergamos – ou não – a nossa própria história é o que acaba ficando em pauta, afinal.

 

Direção
Caio Cavechini
Carlos Juliano Barros

Projeto de cinco anos sobre ladrão de livros raros também aborda questões sobre preservação do patrimônio histórico brasileiro Utilizando como ponto inicial a troca de correspondências entre um dos diretores e Laéssio Rodrigues de Oliveira, figura conhecida como o maior ladrão de livros raros do país, o documentário Cartas Para Um Ladrão de Livros aproveita seu personagem para abordar questões complicadas e que geram grande debate: se é tão fácil roubar documentos e livros históricos do nosso país, quão preservadas estão tais obras? Dentre seus roubos, o caso mais "famoso" é o furto de mais de 2000 documentos oficiais do Palácio do Itamaraty do Rio de Janeiro. Laéssio, no entanto, não se envergonha e não se arrepende de tais ações, deixando claro que nunca teve dificuldades em agir dessa maneira. Por também serem jornalistas, os diretores Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini trabalham bem os diversos lados da história e, sem tomar um lado, expõem diversas opiniões e visões sobre seu personagem principal. Ouvimos depoimentos do bibliotecário do Museu Nacional, que insiste que não vale a pena nem citar o nome de Laéssio, um mero "criminoso e vigarista", como também ouvimos um antigo amigo que presenciou alguns furtos e teve medo de ser considerado cúmplice. Claramente incomodado pelo fato de Laéssio ganhar um filme só para ele, afirma que tudo o que ele queria é atenção. De fato, acabou conseguindo bastante. Cartas Para Um Ladrão de Livros torna Laéssio uma figura ambígua: ele é simpático e engraçado, se expressa muito bem e sempre possui um semblante tranquilo, sem culpa alguma. Por outro lado, é impossível esquecer dos crimes que cometeu. Ao analisarmos a pessoa real por trás da figura conhecida nos jornais e na televisão, vemos que a abordagem e o tempo que os diretores dedicaram valeu a pena, pois um rico trabalho de humanidade foi entregue sem sombra de dúvidas. A questão que Laéssio toca e que marca para o espectador, é se a maioria da população entende (ou se interessa verdadeiramente) pelas tais obras que foram furtadas. A maneira como enxergamos - ou não - a nossa própria história é o que acaba ficando em pauta, afinal. https://www.youtube.com/watch?v=smKSFyC_UIQ   Direção Caio Cavechini Carlos Juliano Barros https://vimeo.com/232579851

Cartas Para Um Ladrão de Livros

Direção e roteiro

Ótimo

80

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Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Trabalhou como assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e apresenta o canal do site no YouTube.