Crítica: Como Nossos Pais | Cinematecando

Posted On 25/08/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Como Nossos Pais

Podemos afirmar sem dúvida alguma que Como Nossos Pais é a obra mais madura de Laís Bodanzky até o momento. O filme, que é o quarto longa da diretora, se aprofunda em reflexões importantíssimas para o século XXI, incluindo temas como o papel da mulher na sociedade, os conflitos do relacionamento monogâmico, os embates entre mãe e filha e muito realismo em cada diálogo a cada cena. Como bem definiu o site Screen Daily, este é um filme inteligente e adulto e que, em minha opinião, tem a obrigação de ser visto não apenas por todos os brasileiros, como também estrangeiros.

Rosa (Maria Ribeiro), de 38 anos, é uma mulher que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos.

O início do segundo ato se dá no momento em que Rosa descobre, por meio de sua mãe diante de familiares, que seu verdadeiro pai biológico não é quem ela sempre achou que fosse. Nisso, Rosa passa a ter diversas crises de relacionamento com suas filhas, sua mãe (que só se intensifica), seu marido Dado (Paulo Vilhena) e também com seus colegas de trabalho e seu chefe. Quem aparece para amenizar os problemas e a tensão de Rosa por suas responsabilidades, é seu pai Homero (Jorge Mautner), trazendo uma boa e necessária (visto o peso do drama) suavização cômica, e o pai de um colega de sua filha, Pedro (Felipe Rocha), que consegue mostrar para Rosa que ser uma “super mulher” não é viável, e que traz uma pitada de felicidade para sua vida.

Com exceção de Jorge Mautner, que está em um papel hilariante de um homem que trata tudo ao seu redor com tranquilidade, buscando sempre humor onde nem sempre existe e alegrando quem estiver à sua volta, os outros atores masculinos estão apagados na obra. E obviamente é essa a intenção, pois o enfoque está todo nas mulheres. Entre elas, Clarisse Abujamra se mostra uma mulher forte e extremamente sincera, que admite ter cometido muitos erros na vida – mas sem se arrepender de nenhum. Contudo, os holofotes vão todos para Maria Ribeiro, a atriz que carrega o filme nas costas, protagonizando uma história emotiva e bastante dramática. Ela dá vida a todos os sentimentos de mulheres infelizes, não reconhecidas e mal valorizadas.

A direção de Bodanzky se prova com extrema afinidade ao tema do roteiro. Vemos Dado como um pai preguiçoso, que só tem olhos para o trabalho, enquanto Rosa cuida de suas filhas e da casa praticamente sozinha, esclarecendo a realidade da maioria das famílias, pelo menos brasileiras. Nesse contexto, os planos exploram a mise-en-scène a seu favor, por exemplo em cenas que podemos perceber a câmera fixa em um plano estático dividindo dois quartos, o de Rosa e Dado, e o das duas filhas. No primeiro, vemos Dado dormindo sossegadamente, enquanto no segunda está Rosa, já de pé tentando acordar suas filhas para irem à escola.

Há vários personagens descartáveis no longa que poderiam simplesmente não existir, mas não chegam a atrapalhar a mensagem da obra. O roteiro, assinado por Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi, ainda se mostra significativo por saber dosar a quantidade de exposição (muito bem controlada durante as próprias filmagens sem dúvida), elaborando cenas em que as ações dos personagens dizem muito, enquanto na maioria da obra, os diálogos são quem tomam conta das cenas. É uma ótima projeção das falas como pensamento e das ações como sentimentos. Vale lembrar que os diálogos não somente são créditos dos roteiristas, mas também dos atores, visto que boa parte das discussões contém uma grande presença de improvisos invejavelmente bem realizados, principalmente por Maria Ribeiro e Clarisse Abujamra.

Este não é um filme que aposta em uma fotografia ousada, nem em uma direção de arte acentuada, mas usa de todos seus aspectos de maneira naturalista, buscando apenas contar uma boa história que só tem a acrescentar ao acervo brasileiro de filmes relevantes. É realmente a direção e o roteiro que mais aparecem na obra, fazendo de Bodanzky o que já era considerada: uma das melhores cineastas do nosso país atualmente.

Como Nossos Pais é um filme feito por mulheres e para as mulheres, mas também é uma obra que fará qualquer homem sensível se emocionar e se apaixonar por esta bela história contemporânea.

FICHA TÉCNICA
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro:
Luiz Bolognesi, Laís Bodanzky
Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena, Felipe Rocha, Jorge Mautner, Herson Capri, Sophia Valverde
Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane, Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi, Sonia Hamburger, Rodrigo Castellar
Fotografia: Pedro J. Márquez
Arte:
Rita Faustini
Gênero:
Drama
Duração: 102 min

Podemos afirmar sem dúvida alguma que Como Nossos Pais é a obra mais madura de Laís Bodanzky até o momento. O filme, que é o quarto longa da diretora, se aprofunda em reflexões importantíssimas para o século XXI, incluindo temas como o papel da mulher na sociedade, os conflitos do relacionamento monogâmico, os embates entre mãe e filha e muito realismo em cada diálogo a cada cena. Como bem definiu o site Screen Daily, este é um filme inteligente e adulto e que, em minha opinião, tem a obrigação de ser visto não apenas por todos os brasileiros, como também estrangeiros. Rosa (Maria Ribeiro), de 38 anos, é uma mulher que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos. O início do segundo ato se dá no momento em que Rosa descobre, por meio de sua mãe diante de familiares, que seu verdadeiro pai biológico não é quem ela sempre achou que fosse. Nisso, Rosa passa a ter diversas crises de relacionamento com suas filhas, sua mãe (que só se intensifica), seu marido Dado (Paulo Vilhena) e também com seus colegas de trabalho e seu chefe. Quem aparece para amenizar os problemas e a tensão de Rosa por suas responsabilidades, é seu pai Homero (Jorge Mautner), trazendo uma boa e necessária (visto o peso do drama) suavização cômica, e o pai de um colega de sua filha, Pedro (Felipe Rocha), que consegue mostrar para Rosa que ser uma "super mulher" não é viável, e que traz uma pitada de felicidade para sua vida. Com exceção de Jorge Mautner, que está em um papel hilariante de um homem que trata tudo ao seu redor com tranquilidade, buscando sempre humor onde nem sempre existe e alegrando quem estiver à sua volta, os outros atores masculinos estão apagados na obra. E obviamente é essa a intenção, pois o enfoque está todo nas mulheres. Entre elas, Clarisse Abujamra se mostra uma mulher forte e extremamente sincera, que admite ter cometido muitos erros na vida - mas sem se arrepender de nenhum. Contudo, os holofotes vão todos para Maria Ribeiro, a atriz que carrega o filme nas costas, protagonizando uma história emotiva e bastante dramática. Ela dá vida a todos os sentimentos de mulheres infelizes, não reconhecidas e mal valorizadas. A direção de Bodanzky se prova com extrema afinidade ao tema do roteiro. Vemos Dado como um pai preguiçoso, que só tem olhos para o trabalho, enquanto Rosa cuida de suas filhas e da casa praticamente sozinha, esclarecendo a realidade da maioria das famílias, pelo menos brasileiras. Nesse contexto, os planos exploram a mise-en-scène a seu favor, por exemplo em cenas que podemos perceber a câmera fixa em um plano estático dividindo dois quartos, o de…

Como Nossos Pais

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Arte

Ótimo

81