Crítica: Crimes em Happytime | Cinematecando

Posted On 26/09/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Crimes em Happytime

Variações de uma mesma piada

Imagem Crimes em Happytime critica

A piada de ver fantoches fazendo sexo, falando palavrão e consumindo drogas já nem é assim tão nova (tivemos Ted há pouco tempo) ou engraçada assim a ponto de ser o único motivo de fazerem um filme. Porém, isso não impediu a existência de Crimes em Happytime. O diretor Brian Henson, ele próprio experiente em trabalhar sendo as vozes e movimentos de bonecos como os de Labirinto, A Magia do Tempo, aposta basicamente apenas neste recurso para tentar fazer rir, colocando como coadjuvante até mesmo a presença da humorista Melissa McCarthy, um dos principais nomes do gênero no cinema norte-americano atual.

As investidas de fazer alusão ao preconceito a seres diferentes do padrão convivendo numa sociedade dominada por uma maioria étnica (no caso, os humanos) são rasas demais para serem consideradas, a exemplo do que aconteceu recentemente em Bright, filme da Netflix no qual Will Smith vive um policial que tem como dupla um Orc.

Pelo menos a comédia acerta algumas vezes quando parte para a paródia do cinema noir, com direito a um detetive atormentado pela culpa e uma misteriosa femme fatale. Este tal detetive é Phil Phillips, interpretado por Bill Baretta, também acostumado a dar vida a personagens como o Pepe de Os Muppets.

Trabalhando como investigador particular após um evento traumático que lhe afastou da corporação oficial, ele apura o caso dos assassinatos dos membros de um antigo programa de TV em que seu irmão e outros amigos trabalharam. Aparentemente, é um crime motivado por dinheiro, mas o detetive Phillips suspeita que haja outros interesses por trás. Para descobrir a verdade, ele é forçado a voltar a trabalhar com a antiga parceira, Connie Edwards (McCarthy).

Como existe uma rixa entre os dois, não faltam provocações vindas de ambos os lados. As tiradas soam desgastadas, sempre baseadas em trocadilhos ou insinuações sexuais. Há, inclusive, uma paródia da famosa cena da cruzada de pernas de Sharon Stone em Instinto Selvagem, desta vez com close nos pelos pubianos de uma fantoche.

Crimes em Happytime chegou a causar polêmica nos Estados Unidos em maio, quando sua campanha de divulgação foi lançada. Os criadores de Vila Sésamo ficaram incomodados com uma referência que o pôster do filme fazia à tradicional atração infantil, utilizando a frase “No Sesame. All Street. Os produtores temiam que pais desavisados levassem os filhos ao cinema, pensando se tratar de uma comédia para crianças.

Se algum pai ou mãe chegou a fazer isso, é provável que o estrago nem tenha sido grande. Perto do tipo de humor que está em alta hoje, em que sátiras apontam para as questões sociais como um meio de tocar em assuntos difíceis e até incômodos da sociedade, o filme é, em sua essência, meramente inofensivo.

Variações de uma mesma piada A piada de ver fantoches fazendo sexo, falando palavrão e consumindo drogas já nem é assim tão nova (tivemos Ted há pouco tempo) ou engraçada assim a ponto de ser o único motivo de fazerem um filme. Porém, isso não impediu a existência de Crimes em Happytime. O diretor Brian Henson, ele próprio experiente em trabalhar sendo as vozes e movimentos de bonecos como os de Labirinto, A Magia do Tempo, aposta basicamente apenas neste recurso para tentar fazer rir, colocando como coadjuvante até mesmo a presença da humorista Melissa McCarthy, um dos principais nomes do gênero no cinema norte-americano atual. As investidas de fazer alusão ao preconceito a seres diferentes do padrão convivendo numa sociedade dominada por uma maioria étnica (no caso, os humanos) são rasas demais para serem consideradas, a exemplo do que aconteceu recentemente em Bright, filme da Netflix no qual Will Smith vive um policial que tem como dupla um Orc. Pelo menos a comédia acerta algumas vezes quando parte para a paródia do cinema noir, com direito a um detetive atormentado pela culpa e uma misteriosa femme fatale. Este tal detetive é Phil Phillips, interpretado por Bill Baretta, também acostumado a dar vida a personagens como o Pepe de Os Muppets. Trabalhando como investigador particular após um evento traumático que lhe afastou da corporação oficial, ele apura o caso dos assassinatos dos membros de um antigo programa de TV em que seu irmão e outros amigos trabalharam. Aparentemente, é um crime motivado por dinheiro, mas o detetive Phillips suspeita que haja outros interesses por trás. Para descobrir a verdade, ele é forçado a voltar a trabalhar com a antiga parceira, Connie Edwards (McCarthy). Como existe uma rixa entre os dois, não faltam provocações vindas de ambos os lados. As tiradas soam desgastadas, sempre baseadas em trocadilhos ou insinuações sexuais. Há, inclusive, uma paródia da famosa cena da cruzada de pernas de Sharon Stone em Instinto Selvagem, desta vez com close nos pelos pubianos de uma fantoche. Crimes em Happytime chegou a causar polêmica nos Estados Unidos em maio, quando sua campanha de divulgação foi lançada. Os criadores de Vila Sésamo ficaram incomodados com uma referência que o pôster do filme fazia à tradicional atração infantil, utilizando a frase “No Sesame. All Street. Os produtores temiam que pais desavisados levassem os filhos ao cinema, pensando se tratar de uma comédia para crianças. Se algum pai ou mãe chegou a fazer isso, é provável que o estrago nem tenha sido grande. Perto do tipo de humor que está em alta hoje, em que sátiras apontam para as questões sociais como um meio de tocar em assuntos difíceis e até incômodos da sociedade, o filme é, em sua essência, meramente inofensivo.

Crimes em Happytime

Cotação

Regular

Sustentada na maior parte do tempo por piadas envolvendo fantoches em situações constrangedoras, filme se dá melhor apenas como paródia do cinema noir

40

Crítico de cinema, roteirista e diretor. Pós-graduado em Jornalismo Cultural. Além do Cinematecando, é colunista do Yahoo! Brasil