Posted On dezembro 20, 2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Estrelas Além do Tempo

“Sim, há mulheres que fazem coisas importantes na NASA… E não é porque usamos saias, e sim, porque usamos óculos.

Baseado em fatos reais e prestes a estrear na era do empoderamento feminino, Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) conta a incrível história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer, a memorável Minny de Histórias Cruzadas) e Mary Jackson (Janelle Monaé). Elas, mulheres e negras vivendo no início da década de 60, foram o cérebro por trás da corrida espacial na NASA durante a Guerra Fria entre Estados Unidos e Rússia. Foram as primeiras mulheres a romper qualquer barreira de preconceito e machismo no trabalho – um ambiente extremamente hostil e masculino, como também em casa, como submissas do marido ou de serem os dois papéis em casa.

O que mais me chamou a atenção do filme é que ele é narrado sob a perspectiva das personagens principais como mulheres no trabalho (o que já era difícil) e em um período que a região da Virgínia era segregada. O diretor Theodore Melfi (também roteirista do filme, junto com Alisson Schroeder), retrata tudo com respeito, sensibilidade e o principal: não faz questão nenhuma em maquiar o preconceito vivido naquela época. Tudo é claro e limpo, e mais clara ainda é a forma em que elas respondem a tudo isso. Como toda mulher quando menosprezada, elas se agarram na ironia e sarcasmo, e acabam dando o tom de alívio cômico para quebrar a tensão e o drama do filme, deixando-o mais fluído e leve. Tais elementos remetem ao filme Histórias Cruzadas (2011) passado na mesma época, no mesmo tipo de ambiente da América separatista e com a luta dos negros pelos Direitos Civis; porém, sem o ar mais comédia que se encontra no filme de Tate Taylor, embora ambos sejam baseados em livros (Histórias Cruzadas, de Kathryn Stockett, e Hidden Figures: The Story of the Women African-American Who Helped Win the Space Race, de Margot Lee Shetterly).

Estrelas Além do Tempo nos apresenta Katherine (Henson) quando criança, com sua mente que já conseguia ver além da matemática, ganhando uma bolsa integral no condado de Kanawha, no Instituto onde hoje se encontra a Universidade de West Virginia. Dali em diante passamos a ver Katherine adulta e com suas colegas: Dorothy Vaugh (Spencer) e Mary Jackson (Monaé), onde fica clara a personalidade de cada uma. Há uma cena em que o trio se encontra com um pequeno problema técnico com o carro a caminho do trabalho, e quando um policial para e tenta dar a famosa “batida” policial, fica surpreso por ver mulheres afro-americanas trabalharem na NASA. Dorothy já o responde que “sim, há algumas mulheres que trabalham lá” para que não haja discriminação pelo policial. Até o momento em que elas chegam ao trabalho, fica óbvio o cenário racista que existe, a constante luta de provar o seu valor. Inclusive, também existe a luta em lidar com os chefes, o engenheiro-chefe Paul Stafford (Jim Parsons) e o diretor de engenharia Al Harrison (Kevin Costner), tornando cada vez mais quase impossível chegar a algum lugar.

Como Mary diz: “Toda vez em que estamos próximas a conquistar algo, eles mudam a linha de chegada”. Cada luta não foi apenas uma conquista para si mesmas, mas sim, serviu para criar o impacto racial que trouxeram à sociedade e a comunidade negra. Mary Jackson, inclusive, tornou-se a primeira mulher negra a ser engenheira aeroespacial da NASA, e hoje existe um prédio em homenagem à Katherine na NASA. Quanto a Dorothy, ela mudou todo o sistema de computação na época.

Estrelas Além do Tempo expõe bem que o trabalho árduo não termina no local de trabalho para as protagonistas, permanecendo em casa quando retornam para as suas respectivas famílias. Esse era o machismo sofrido pela maioria, e até ouso em dizer, por todas as mulheres em casa na década de 60.

O filme acompanha tanto a jornada delas como da corrida espacial de um modo que foge do paralelo, mas que está mais do que relacionado. Sem deixar pontas soltas, uma trama complementa e se entrelaça na outra. Outro fato que surpreende é a trilha sonora; não é a primeira vez que Pharrell Williams compõe músicas excelentes para filmes, e ao lado de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch, traz a perfeita harmonia de maneira mais íntima.

Todos esses detalhes no enredo e até na trilha sonora tornam Estrelas Além do Tempo não somente uma história de três mulheres incríveis que quebraram paradigmas, mas sim, uma história sobre mudanças, sobre a representatividade de toda uma comunidade, e sobre o início de uma nova era em que o negro pode ser o que quiser.

Estrelas Além do Tempo estreia dia 02 de fevereiro de 2017 nos cinemas.

FICHA TÉCNICA
Direção: Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monaé, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Jim Parsons
Gênero: Drama, biografia
Nacionalidade: Estados Unidos
Duração: 128 minutos

"Sim, há mulheres que fazem coisas importantes na NASA... E não é porque usamos saias, e sim, porque usamos óculos. Baseado em fatos reais e prestes a estrear na era do empoderamento feminino, Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) conta a incrível história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer, a memorável Minny de Histórias Cruzadas) e Mary Jackson (Janelle Monaé). Elas, mulheres e negras vivendo no início da década de 60, foram o cérebro por trás da corrida espacial na NASA durante a Guerra Fria entre Estados Unidos e Rússia. Foram as primeiras mulheres a romper qualquer barreira de preconceito e machismo no trabalho - um ambiente extremamente hostil e masculino, como também em casa, como submissas do marido ou de serem os dois papéis em casa. O que mais me chamou a atenção do filme é que ele é narrado sob a perspectiva das personagens principais como mulheres no trabalho (o que já era difícil) e em um período que a região da Virgínia era segregada. O diretor Theodore Melfi (também roteirista do filme, junto com Alisson Schroeder), retrata tudo com respeito, sensibilidade e o principal: não faz questão nenhuma em maquiar o preconceito vivido naquela época. Tudo é claro e limpo, e mais clara ainda é a forma em que elas respondem a tudo isso. Como toda mulher quando menosprezada, elas se agarram na ironia e sarcasmo, e acabam dando o tom de alívio cômico para quebrar a tensão e o drama do filme, deixando-o mais fluído e leve. Tais elementos remetem ao filme Histórias Cruzadas (2011) passado na mesma época, no mesmo tipo de ambiente da América separatista e com a luta dos negros pelos Direitos Civis; porém, sem o ar mais comédia que se encontra no filme de Tate Taylor, embora ambos sejam baseados em livros (Histórias Cruzadas, de Kathryn Stockett, e Hidden Figures: The Story of the Women African-American Who Helped Win the Space Race, de Margot Lee Shetterly). Estrelas Além do Tempo nos apresenta Katherine (Henson) quando criança, com sua mente que já conseguia ver além da matemática, ganhando uma bolsa integral no condado de Kanawha, no Instituto onde hoje se encontra a Universidade de West Virginia. Dali em diante passamos a ver Katherine adulta e com suas colegas: Dorothy Vaugh (Spencer) e Mary Jackson (Monaé), onde fica clara a personalidade de cada uma. Há uma cena em que o trio se encontra com um pequeno problema técnico com o carro a caminho do trabalho, e quando um policial para e tenta dar a famosa "batida" policial, fica surpreso por ver mulheres afro-americanas trabalharem na NASA. Dorothy já o responde que "sim, há algumas mulheres que trabalham lá" para que não haja discriminação pelo policial. Até o momento em que elas chegam ao trabalho, fica óbvio o cenário racista que existe, a constante luta de provar o seu valor. Inclusive, também existe a luta em lidar com os chefes, o engenheiro-chefe Paul Stafford (Jim Parsons) e o diretor de engenharia Al Harrison (Kevin…

Nota

Estrelas Além do Tempo

Ótimo

80

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Redatora do Cinematecando | Chef, radialista, 25 anos. Apaixonada desde sempre por cinema e comida, hoje tenta equilibrar as duas coisas na sua vida. Seu dia favorito quando criança era sexta-feira, porque era dia de alugar filme na locadora e comer gostosuras em casa. Fã de carteirinha de Neil Gaiman, Tolkien e Star Trek, ama quando fazem filmes baseados em livros e faz maratonas de séries ou filmes a cada folga que tem.