Crítica: Godless (1ª temporada) | Cinematecando

Posted On 01/12/2017 By In Críticas - Séries, Séries

Crítica: Godless (1ª temporada)

É possível que Michelle Dockery escolha a dedo seus papéis em prol do vislumbre visual proposto pela obra? Claramente nem seus filmes, ou mesmo séries, possuem apelo artístico tão chamativo, mas depois de Downtown Abbey, série britânica com um dos melhores e mais apurados designs de produção já vistos na televisão, a atriz se aventurou em outro seriado, dessa vez americano, sendo sua direção de arte o maior prazer captado pelo espectador. Mas se a família aristocrática inglesa mais famosa da televisão tinha um roteiro mais “novelesco”, a nova série original Netflix traz algo bem diferente: mais dinamismo, mais identidade e mais emoção.

Escrita e dirigida pelo mestre do roteiro, Scott Frank, Godless é uma série de faroeste que deixa claro desde os primeiros episódios suas ambições: estabelecer bons arcos de personagens, trazer uma história principal interessante, apresentar uma precisão histórica minuciosa (temática e artisticamente), demarcar um ritmo característico que equilibra perfeitamente cenas dinâmicas e ocasiões vagarosas e, principalmente, aprazer seu público (senão inspirá-lo) com cenários belíssimos e uma construção de ambiente extremamente fiel. O melhor é que esses objetivos se cumprem de uma forma bem natural, fazendo da série um entretenimento abrangente que pode agradar bastante.

Na série, Frank Griffin (Jeff Daniels) é um fora-da-lei que aterroriza o Novo México à procura de Roy Goode (Jack O’Connell), seu antigo parceiro transformado em inimigo mortal. Enquanto Roy se esconde no rancho de Alice Fletcher (Michelle Dockery), a busca incessante de Frank o leva até a pequena cidade de La Belle — cuja população é inteiramente formada por mulheres. Nem todos os personagens são tão aprofundados como gostaríamos, mas os que são, por menores que sejam, trazem uma sensação boa, de satisfação, como se fosse o suficiente para nos importarmos e simpatizarmos com todos.

O título Godless espelha a realidade da cidade/país em questão em uma época e em um espaço que todos (ou pelo menos a maioria) tentam seguir suas vidas sem olhar para trás (ou para o próximo). O egoísmo, a frieza, o orgulho pelos princípios e a ambição estão sempre presentes na maior parte dos personagens, causando grande conflito de interesses na região, principalmente por parte de pessoas armadas que, teoricamente, conservam o poder. Essas terras “sem Deus”, expõem o que de mais cru pode haver na humanidade, mas ao mesmo tempo denotam a bondade e a esperança de alguns personagens, provocando uma estabilidade interessante. Por falar em interessante, outro ponto positivo (e dos bons) é o empoderamento feminino da série, trazendo mulheres valentes dispostas a segurar um rifle e garantir a segurança da cidade.

O roteiro da série é fechado e conciso, como só poderia ser uma vez que é escrito por um dos maiores especialistas na área. O mesmo especialista parece acertar a mão na direção e garantir um espetáculo audiovisual espantoso, desde os incessantes movimentos de câmera, até a mais que perfeita ambientação western, com paisagens características, figurinos, maquiagens realistas e uma produção de cenários impressionante. A montagem também não erra, conduzindo sem erros o ritmo pretendido pela direção, alterando entre a calmaria de alguns momentos, e as sequências de ação com vários cortes (ou até poucos dependendo da cena).

A série também aposta na influência emocional da trilha sonora – muito bem trabalhada, por sinal. O conjunto de canções não decepciona, mas é o fundo instrumental que complementa as cenas o maior responsável por transmitir emoções ao espectador, principalmente em cenas mais longas/arrastadas, que deixam a experiência original e profunda. Godless também conta com ótimas atuações, principalmente de Jeff Daniels e Jack O’Connell, que simbolizam praticamente o antagonista e o protagonista, respectivamente. Mas de qualquer forma, os coadjuvantes também arrebentam.

Com uma grande variedade de personagens peculiares, poucos episódios (ainda que longos), bom enredo, uma bela direção e uma arte sensacional, Godless se prova desde já como uma das melhores séries de western do século XXI, ao lado de Westworld (2016-), Hell on Wheels (2011-2016) e Deadwood (2004-2006).


Trailer

É possível que Michelle Dockery escolha a dedo seus papéis em prol do vislumbre visual proposto pela obra? Claramente nem seus filmes, ou mesmo séries, possuem apelo artístico tão chamativo, mas depois de Downtown Abbey, série britânica com um dos melhores e mais apurados designs de produção já vistos na televisão, a atriz se aventurou em outro seriado, dessa vez americano, sendo sua direção de arte o maior prazer captado pelo espectador. Mas se a família aristocrática inglesa mais famosa da televisão tinha um roteiro mais "novelesco", a nova série original Netflix traz algo bem diferente: mais dinamismo, mais identidade e mais emoção. Escrita e dirigida pelo mestre do roteiro, Scott Frank, Godless é uma série de faroeste que deixa claro desde os primeiros episódios suas ambições: estabelecer bons arcos de personagens, trazer uma história principal interessante, apresentar uma precisão histórica minuciosa (temática e artisticamente), demarcar um ritmo característico que equilibra perfeitamente cenas dinâmicas e ocasiões vagarosas e, principalmente, aprazer seu público (senão inspirá-lo) com cenários belíssimos e uma construção de ambiente extremamente fiel. O melhor é que esses objetivos se cumprem de uma forma bem natural, fazendo da série um entretenimento abrangente que pode agradar bastante. Na série, Frank Griffin (Jeff Daniels) é um fora-da-lei que aterroriza o Novo México à procura de Roy Goode (Jack O'Connell), seu antigo parceiro transformado em inimigo mortal. Enquanto Roy se esconde no rancho de Alice Fletcher (Michelle Dockery), a busca incessante de Frank o leva até a pequena cidade de La Belle — cuja população é inteiramente formada por mulheres. Nem todos os personagens são tão aprofundados como gostaríamos, mas os que são, por menores que sejam, trazem uma sensação boa, de satisfação, como se fosse o suficiente para nos importarmos e simpatizarmos com todos. O título Godless espelha a realidade da cidade/país em questão em uma época e em um espaço que todos (ou pelo menos a maioria) tentam seguir suas vidas sem olhar para trás (ou para o próximo). O egoísmo, a frieza, o orgulho pelos princípios e a ambição estão sempre presentes na maior parte dos personagens, causando grande conflito de interesses na região, principalmente por parte de pessoas armadas que, teoricamente, conservam o poder. Essas terras "sem Deus", expõem o que de mais cru pode haver na humanidade, mas ao mesmo tempo denotam a bondade e a esperança de alguns personagens, provocando uma estabilidade interessante. Por falar em interessante, outro ponto positivo (e dos bons) é o empoderamento feminino da série, trazendo mulheres valentes dispostas a segurar um rifle e garantir a segurança da cidade. O roteiro da série é fechado e conciso, como só poderia ser uma vez que é escrito por um dos maiores especialistas na área. O mesmo especialista parece acertar a mão na direção e garantir um espetáculo audiovisual espantoso, desde os incessantes movimentos de câmera, até a mais que perfeita ambientação western, com paisagens características, figurinos, maquiagens realistas e uma produção de cenários impressionante. A montagem também não erra, conduzindo sem erros o…

Godless (1ª temporada)

Direção
Roteiro
Elenco
Arte
Fotografia
Montagem
Trilha Sonora

Ótimo

80

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