Crítica: Invasão Zumbi | Cinematecando

Posted On 27/12/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Invasão Zumbi

Com o excelente O Lamento nos cinemas desde semana passada e este Invasão Zumbi chegando às salas de São Paulo nesta quinta-feira, o cinema de terror sul-coreano mostra suas cartas como um dos mais bem-realizados do mundo. A estreia de Sang-ho Yeon na direção de longas live-action, Invasão Zumbi é certamente muito mais acessível que o longa de seu conterrâneo Hong-jin Na, com duração mais palatável e uma trama objetiva e sem muitas nuances, mas Yeon se prova como um realizador promissor, apesar de eventuais problemas.

Na simples trama, acompanhamos Seok Woo, executivo bem-sucedido que, além de divorciado, tem frágil relação com a filha Soo-An, a qual já parece bem habituada à ausência do pai. Em um esforço de fortalecer os laços com a garota e agradar sua ex-esposa, Seok acompanha sua filha em uma viagem de trem que parte de Seoul e tem como destino Busan. Logo após o embarque, fica claro de que há algo de errado acontecendo ao redor, e o que se via apenas como um motim injustificado se prova como uma infecção em escala nacional, transformando a população em zumbis. Sem a opção de desembarque, pai e filha então unem forças com outros passageiros a ponto de sobreviver à situação e chegarem em Busan com vida.

Diferentemente de Na, que prefere um ritmo cadenciado e intimista, Yeon encontra seu foco na ação desenfreada, estabelecendo a situação central rapidamente, de jeito que a tensão não se extinga. Os pequenos indícios de perigo introduzidos nos primeiros minutos seguem o molde de filmes de zumbi populares, como por exemplo Todo Mundo Quase Morto, de Edgar Wright. Quando é dada a partida, há uma explosão de adrenalina, com os personagens encarando hordas reminiscentes das vistas em Guerra Mundial Z. Em meio a todo o caos, Yeon encontra espaço para exercitar grande coerência visual, com uma mise-en-scene sempre clara. Ainda mais admiravelmente, o cineasta faz uso econômico de CGI e aposta em efeitos práticos de ponta, que são evidenciados principalmente na maquiagem e na movimentação dos zumbis, que também se beneficiam da ótima fisicalidade de seus intérpretes.

Aqui, porém, não se dedica o mesmo tempo à construção de personagens vista em Todo Mundo… , algo que acaba por ter efeito negativo sobre o potencial dramático do enredo. Deve-se torcer por um protagonista raso e sem muito carisma, algo que pelo menos é compensado no elenco de apoio com caracterizações que, apesar de superficiais, trazem algum vislumbre mais claro de uma personalidade. Há também, principalmente no terceiro ato, a insistência em clichês batidos do gênero, como uma forçada figura de vilão no empresário egoísta e além disso a famosa plot armor colocada sobre alguns personagens, ou seja, componentes do elenco privados de sofrerem qualquer dano até o rolar dos créditos (há uma grávida e uma criança, façam os cálculos).

O grande elenco se segura consideravelmente bem, com a exceção de Yoo Gong como o superficial protagonista. Como a filha, Soo-An Kim se sai muito melhor, sem descambar ao estereótipo da criança em choque que tantos longas de terror teimosamente insistem. Mas quem rouba a cena, sem sombra de dúvidas, é Dong-seok Ma, que no papel de Sang Hwa prova-se uma supernova de carisma, preenchendo suas cenas com um bem-vindo ar espirituoso. Vale dizer que em certo ponto o sujeito sai na pancadaria com uma legião de zumbis, momento que é nada menos que glorioso, abraçando a alma B da premissa. O resto dos personagens, infelizmente, cria a tendência de desaparecer com o cenário, alguns saindo de cena de maneira tão brusca que não há tempo nem de pensar em digerir suas partidas.

Invasão Zumbi, como qualquer bom filme de seu sub-gênero, também traz uma leve dose de comentário social, que mesmo não sendo especialmente sutil ou sofisticado, trabalha em cima da questão de uma sociedade que vive na regra do “cada um por si”, principalmente em situações de pânico coletivo. Pode-se dizer que, debaixo de todos os efeitos e atmosfera de tensão, há uma história de formação, na qual a (verdadeira) heroína Soo-An passa por um árduo teste de altruísmo. Talvez a menina realmente pudesse ter pego esse trem sozinha.

FICHA TÉCNICA
Direção: 
Sang-ho Yeon
Roteiro: Sang-ho Yeon
Elenco: Yoo Gong, Soo-An Kim, Dong-seok Ma, So-hee Ahn
Fotografia: Hyung-deok Lee
Duração: 118 min
Gênero:  Terror / Ação
Distribuição:  Paris Filmes

Com o excelente O Lamento nos cinemas desde semana passada e este Invasão Zumbi chegando às salas de São Paulo nesta quinta-feira, o cinema de terror sul-coreano mostra suas cartas como um dos mais bem-realizados do mundo. A estreia de Sang-ho Yeon na direção de longas live-action, Invasão Zumbi é certamente muito mais acessível que o longa de seu conterrâneo Hong-jin Na, com duração mais palatável e uma trama objetiva e sem muitas nuances, mas Yeon se prova como um realizador promissor, apesar de eventuais problemas. Na simples trama, acompanhamos Seok Woo, executivo bem-sucedido que, além de divorciado, tem frágil relação com a filha Soo-An, a qual já parece bem habituada à ausência do pai. Em um esforço de fortalecer os laços com a garota e agradar sua ex-esposa, Seok acompanha sua filha em uma viagem de trem que parte de Seoul e tem como destino Busan. Logo após o embarque, fica claro de que há algo de errado acontecendo ao redor, e o que se via apenas como um motim injustificado se prova como uma infecção em escala nacional, transformando a população em zumbis. Sem a opção de desembarque, pai e filha então unem forças com outros passageiros a ponto de sobreviver à situação e chegarem em Busan com vida. Diferentemente de Na, que prefere um ritmo cadenciado e intimista, Yeon encontra seu foco na ação desenfreada, estabelecendo a situação central rapidamente, de jeito que a tensão não se extinga. Os pequenos indícios de perigo introduzidos nos primeiros minutos seguem o molde de filmes de zumbi populares, como por exemplo Todo Mundo Quase Morto, de Edgar Wright. Quando é dada a partida, há uma explosão de adrenalina, com os personagens encarando hordas reminiscentes das vistas em Guerra Mundial Z. Em meio a todo o caos, Yeon encontra espaço para exercitar grande coerência visual, com uma mise-en-scene sempre clara. Ainda mais admiravelmente, o cineasta faz uso econômico de CGI e aposta em efeitos práticos de ponta, que são evidenciados principalmente na maquiagem e na movimentação dos zumbis, que também se beneficiam da ótima fisicalidade de seus intérpretes. Aqui, porém, não se dedica o mesmo tempo à construção de personagens vista em Todo Mundo... , algo que acaba por ter efeito negativo sobre o potencial dramático do enredo. Deve-se torcer por um protagonista raso e sem muito carisma, algo que pelo menos é compensado no elenco de apoio com caracterizações que, apesar de superficiais, trazem algum vislumbre mais claro de uma personalidade. Há também, principalmente no terceiro ato, a insistência em clichês batidos do gênero, como uma forçada figura de vilão no empresário egoísta e além disso a famosa plot armor colocada sobre alguns personagens, ou seja, componentes do elenco privados de sofrerem qualquer dano até o rolar dos créditos (há uma grávida e uma criança, façam os cálculos). O grande elenco se segura consideravelmente bem, com a exceção de Yoo Gong como o superficial protagonista. Como a filha, Soo-An Kim se sai muito melhor, sem descambar ao estereótipo da criança em…

Nota

Invasão Zumbi

Bom

Sang-ho Yeon, que estreou na direção com a animação King of Pigs, também dirigiu em 2016 uma animação complementar a Invasão Zumbi, intitulada Seoul Station, que acompanha um grupo ainda mais desafortunado de sobreviventes da infecção zumbi.

60

Formado em Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero (FCL). É redator no Cinematecando desde 2016.