Posted On dezembro 19, 2015 By In Críticas - Séries, Séries

Crítica: Jessica Jones (1ª temporada)

A série Demolidor marcou o início da parceria entre Netflix e Marvel, deixando uma expectativa bem alta para as próximas três séries de herois que foram prometidas para os fãs. Luke Cage e Punho de Ferro ainda estão por vir, mas Jessica Jones já estreou no serviço de streaming em 20 de novembro. Com 13 episódios, a série nos apresenta uma heróina um tanto quanto diferente do que estamos acostumados a ver no Universo Marvel Cinematográfico. E isso é bom! Mas, mais do que isso, Jessica Jones lida com temas complicados e sensíveis, como transtorno de estresse pós-traumático e relacionamentos abusivos. É literalmente um thriller psicológico.

MARVEL’S JESSICA JONES

Jessica Jones (Krysten Ritter) é uma mulher cheia de personalidade que possui resistência e força física sobre-humanas; já tentou ser uma super heroína no bairro de Hell’s Kitchen (mesmo ambiente em que se passa a série Demolidor), mas essa breve carreira não acabou muito bem. Ao mesmo tempo em que tenta lidar com seus problemas psicológicos devido a um passado conturbado, Jessica começa a ganhar a vida como detetive particular. Mesmo com algumas doses de álcool durante o expediente, essa vida parece dar certo. Porém, o motivo de tanta fragilidade da nossa protagonista tem nome – e aparentemente voltou para assombrá-la: Kilgrave (David Tennant) é um homem violento que possui o poder de manipular a mente de qualquer pessoa e que não mede esforços quando se trata de reencontrar Jessica, praticamente um objeto de desejo.

Em meio à luta contra o psicopata Kilgrave, Jessica também se esforça para superar suas lutas internas. Por consequência, forma uma “casca” que faz com que as pessoas que não a conhecem tão bem nunca imaginem o quão frágil ela é. Ela pode ser forte fisicamente, mas os abusos físicos e psicológicos do vilão poderiam deixar qualquer pessoa paranoica, principalmente depois do controle de sua mente. E é o que acontece. Sua amiga de infância, Trish Walker (Rachael Taylor), é o único resquício familiar que Jessica possui em sua vida, e Luke Cage (Mike Colter) se torna alguém de confiança, mesmo que de maneira inusitada.

Com tons de noir, a narrativa da série é constituída por alguns flashbacks da vida de Jessica, mas não chega a expor quando e como ela adquiriu seus poderes. O foco da série, que se passa após os eventos dos filmes dos Vingadores, é mostrar como a carreira da heroína afeta sua própria vida e a das pessoas ao seu redor. Porém, a trama inicialmente forte começa a se quebrar um pouco chegando no fim, podendo se tornar até cansativa para algumas pessoas, com cenas de ação pouco empolgantes. Dá a impressão de que não era preciso 13 episódios, poderia ser menos. Mas o roteiro acerta na construção de Kilgrave, e o antagonista sustenta os alicerces da temporada.

Jessica_Jones_02

A Jessica de Krysten Ritter tem carisma e equilibra todas as nuances de sua personalidade, com uma postura descompromissada mas que não esconde seu lado sensível. Os personagens principais da série são interessantes e bem desenvolvidos, principalmente Trish e até mesmo Luke Cage, que ganhará uma série só dele. Kilgrave é um show à parte; David Tennant é um ator fantástico e entrega um vilão cínico e imponente. O policial Simpson (Will Traval) também se destaca pela sua vontade de sempre querer fazer o bem – mesmo que isso implique em fazer algumas coisas ruins no meio do caminho; e Jeri (Carrie-Anne Moss), advogada que contrata Jessica para alguns casos, tem uma presença inquestionável. Com o passar dos episódios, os arcos de todos os personagens vão se tornando cada vez mais tensos, acompanhando o ritmo da série.

No geral, Jessica Jones vale a pena ser vista, pois é uma série corajosa que expõe um lado mais maduro da Marvel. Não é tão violenta como Demolidor, até porque possui um impacto muito mais psicológico do que físico. Com assuntos que despertam a curiosidade por ainda não estarem nem perto de serem resolvidos, só resta torcer para que a produção ganhe uma 2ª temporada!

Jessica Jones – 1ª temporada – 13 episódios (2015)
Série criada por Melissa Rosenberg
Personagem criada por Brian Michael Bendis e Michael Gaydos

A série Demolidor marcou o início da parceria entre Netflix e Marvel, deixando uma expectativa bem alta para as próximas três séries de herois que foram prometidas para os fãs. Luke Cage e Punho de Ferro ainda estão por vir, mas Jessica Jones já estreou no serviço de streaming em 20 de novembro. Com 13 episódios, a série nos apresenta uma heróina um tanto quanto diferente do que estamos acostumados a ver no Universo Marvel Cinematográfico. E isso é bom! Mas, mais do que isso, Jessica Jones lida com temas complicados e sensíveis, como transtorno de estresse pós-traumático e relacionamentos abusivos. É literalmente um thriller psicológico. Jessica Jones (Krysten Ritter) é uma mulher cheia de personalidade que possui resistência e força física sobre-humanas; já tentou ser uma super heroína no bairro de Hell’s Kitchen (mesmo ambiente em que se passa a série Demolidor), mas essa breve carreira não acabou muito bem. Ao mesmo tempo em que tenta lidar com seus problemas psicológicos devido a um passado conturbado, Jessica começa a ganhar a vida como detetive particular. Mesmo com algumas doses de álcool durante o expediente, essa vida parece dar certo. Porém, o motivo de tanta fragilidade da nossa protagonista tem nome - e aparentemente voltou para assombrá-la: Kilgrave (David Tennant) é um homem violento que possui o poder de manipular a mente de qualquer pessoa e que não mede esforços quando se trata de reencontrar Jessica, praticamente um objeto de desejo. Em meio à luta contra o psicopata Kilgrave, Jessica também se esforça para superar suas lutas internas. Por consequência, forma uma “casca” que faz com que as pessoas que não a conhecem tão bem nunca imaginem o quão frágil ela é. Ela pode ser forte fisicamente, mas os abusos físicos e psicológicos do vilão poderiam deixar qualquer pessoa paranoica, principalmente depois do controle de sua mente. E é o que acontece. Sua amiga de infância, Trish Walker (Rachael Taylor), é o único resquício familiar que Jessica possui em sua vida, e Luke Cage (Mike Colter) se torna alguém de confiança, mesmo que de maneira inusitada. Com tons de noir, a narrativa da série é constituída por alguns flashbacks da vida de Jessica, mas não chega a expor quando e como ela adquiriu seus poderes. O foco da série, que se passa após os eventos dos filmes dos Vingadores, é mostrar como a carreira da heroína afeta sua própria vida e a das pessoas ao seu redor. Porém, a trama inicialmente forte começa a se quebrar um pouco chegando no fim, podendo se tornar até cansativa para algumas pessoas, com cenas de ação pouco empolgantes. Dá a impressão de que não era preciso 13 episódios, poderia ser menos. Mas o roteiro acerta na construção de Kilgrave, e o antagonista sustenta os alicerces da temporada. A Jessica de Krysten Ritter tem carisma e equilibra todas as nuances de sua personalidade, com uma postura descompromissada mas que não esconde seu lado sensível. Os personagens principais da série são interessantes e bem desenvolvidos, principalmente Trish e até mesmo Luke Cage,…

Nota

Jessica Jones (1ª temporada)

Excelente

100

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Criadora e editora-chefe do Cinematecando | Jornalista, 24 anos. Logo na infância encontrou no cinema uma grande paixão. Ama ler, fazer maratonas de séries (de Mad Men a The Office) e é fascinada por movimentos cinematográficos como Nouvelle Vague e Neo Realismo Italiano. Se inspirou na frase "Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", do diretor Glauber Rocha, para criar o Cinematecando e fazer o que mais gosta: escrever sobre cinema. Só que, ao invés da câmera, usa as palavras para transmitir seus pensamentos. Contato: barbara@cinematecando.com.br