Crítica: Lámen Shop | Cinematecando

Posted On 25/07/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Lámen Shop

Drama de Eric Khoo aposta no conforto da familiaridade para desculpar sua falta de ambição

Imagem do filme Lámen Shop

Comfort Food é um termo estrangeiro usado para descrever o tipo de comida que, quando ingerida, gera sensações de bem-estar e conforto – uma antiga receita de família, por exemplo. Atribuindo esse tipo de poder curativo a pratos asiáticos como Lámen e Bak Kut Teh, o drama Lámen Shop quer se certificar de que descerá fácil para o espectador, sem muitos temperos ou ousadias.

O longa, dirigido pelo singapuriano Eric Khoo, acompanha o jovem chef Masato (Takumi Saitoh), de pai japonês (Tsuyoshi Ihara) e mãe nativa de Singapura (Jeanette Aw). Após a morte do pai, o rapaz decide investigar o passado do casal e deixa seu trabalho como chef de Lámen para ir ao país da mãe, que faleceu anos antes e cuja história não é muito clara. Em meio a recordações de sua infância e reencontros familiares, Masato descobre antigas tensões entre a mãe e a avó (Beatrice Chien), enquanto tenta também aperfeiçoar uma técnica culinária de juntar Lámen e Bak Kuh Teh ao lado do tio (Mark Lee) – o que justifica o título original, Ramen Teh.

Com uma fotografia asséptica e uma trilha melosa, fica claro que Lámen Shop quer provocar lágrimas ao mesmo tempo em que quer entregar uma história redondinha sobre amor e perdão. Logo nos primeiros minutos, quando Masato abre uma mala com cartas, fotos e cadernos antigos de sua mãe, o diretor Khoo parece se precipitar e faz uso de uma trilha sentimental e inchada, como se aquele momento se tratasse de um clímax ou uma descoberta catártica. Rápidos flashbacks, que mostram o passado da família em cores dessaturadas, também dão uma má impressão e soam bastante óbvios.

No entanto, quando o protagonista embarca para Singapura, essa atmosfera se dissipa e dá lugar a um sentimentalismo menos forçado, inclusive com um uso mais econômico da música. Não se enganem: Khoo nunca cessa em tentar arrancar lágrimas do público, como na cena dentro de um museu da Segunda Guerra Mundial, no qual Masato escuta um relato trágico de uma sobrevivente da Batalha de Singapura, um violento ataque do exército japonês ao país. Porém esse trecho, assim como o reencontro com o tio, é beneficiado por não apostar na trilha para causar reações, enquanto o mais belo momento fica, facilmente, por conta de uma das últimas conversas entre Masato e sua avó, usando uma solução de montagem simples mas criativa para construir um sentimento de catarse.

Esse claramente não é o tipo de filme do qual se exige muito além do padrão, mas, por mais bem-intencionado que seja, não deixa nenhum gosto marcante. Não há nada que eleve o filme de Eric Khoo do convencional, incluindo sua cena final, que traz uma fácil resolução dos conflitos internos de Masato, e assim como uma ‘comida de conforto’, Lámen Shop aposta no sentimento de familiaridade para desculpar sua falta de ambição.

Drama de Eric Khoo aposta no conforto da familiaridade para desculpar sua falta de ambição Comfort Food é um termo estrangeiro usado para descrever o tipo de comida que, quando ingerida, gera sensações de bem-estar e conforto - uma antiga receita de família, por exemplo. Atribuindo esse tipo de poder curativo a pratos asiáticos como Lámen e Bak Kut Teh, o drama Lámen Shop quer se certificar de que descerá fácil para o espectador, sem muitos temperos ou ousadias. O longa, dirigido pelo singapuriano Eric Khoo, acompanha o jovem chef Masato (Takumi Saitoh), de pai japonês (Tsuyoshi Ihara) e mãe nativa de Singapura (Jeanette Aw). Após a morte do pai, o rapaz decide investigar o passado do casal e deixa seu trabalho como chef de Lámen para ir ao país da mãe, que faleceu anos antes e cuja história não é muito clara. Em meio a recordações de sua infância e reencontros familiares, Masato descobre antigas tensões entre a mãe e a avó (Beatrice Chien), enquanto tenta também aperfeiçoar uma técnica culinária de juntar Lámen e Bak Kuh Teh ao lado do tio (Mark Lee) - o que justifica o título original, Ramen Teh. Com uma fotografia asséptica e uma trilha melosa, fica claro que Lámen Shop quer provocar lágrimas ao mesmo tempo em que quer entregar uma história redondinha sobre amor e perdão. Logo nos primeiros minutos, quando Masato abre uma mala com cartas, fotos e cadernos antigos de sua mãe, o diretor Khoo parece se precipitar e faz uso de uma trilha sentimental e inchada, como se aquele momento se tratasse de um clímax ou uma descoberta catártica. Rápidos flashbacks, que mostram o passado da família em cores dessaturadas, também dão uma má impressão e soam bastante óbvios. No entanto, quando o protagonista embarca para Singapura, essa atmosfera se dissipa e dá lugar a um sentimentalismo menos forçado, inclusive com um uso mais econômico da música. Não se enganem: Khoo nunca cessa em tentar arrancar lágrimas do público, como na cena dentro de um museu da Segunda Guerra Mundial, no qual Masato escuta um relato trágico de uma sobrevivente da Batalha de Singapura, um violento ataque do exército japonês ao país. Porém esse trecho, assim como o reencontro com o tio, é beneficiado por não apostar na trilha para causar reações, enquanto o mais belo momento fica, facilmente, por conta de uma das últimas conversas entre Masato e sua avó, usando uma solução de montagem simples mas criativa para construir um sentimento de catarse. Esse claramente não é o tipo de filme do qual se exige muito além do padrão, mas, por mais bem-intencionado que seja, não deixa nenhum gosto marcante. Não há nada que eleve o filme de Eric Khoo do convencional, incluindo sua cena final, que traz uma fácil resolução dos conflitos internos de Masato, e assim como uma 'comida de conforto', Lámen Shop aposta no sentimento de familiaridade para desculpar sua falta de ambição.

Lámen Shop

Direção
Roteiro
Elenco

Regular

47

Formado em Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero (FCL). É redator no Cinematecando desde 2016.