Posted On 16/01/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Lion – Uma Jornada para Casa

Histórias baseadas em fatos sempre emocionam, nos deixam com uma sensação boa e, principalmente, com a esperança de que o mundo ainda tem jeito. Histórias neste perfil se encaixam perfeitamente na temporada pré-Oscar, e algumas são reconhecidas apenas assim: filmes caça-Oscar. Alguns exemplos de filmes esquecíveis e que chegaram perto da estatueta? TrapaçaTão Forte e Tão Perto, Um Sonho Possível, entre outros. Mas é claro que há alguns filmes que se sobressaem, como Histórias Cruzadas, Clube de Compras Dallas e Selma: Uma Luta Pela Igualdade. Em 2017, a temporada de premiações está cada vez melhor, expondo uma gama de histórias, diretores e abordagens diferentes e edificantes; e um filme notável que entrará para a lista de filmes inesquecíveis, sem dúvidas, é Lion – Uma Jornada para Casa, dirigido por Garth Davis (da série Top of The Lake), com Dev Patel (Quem Quer Ser Um Milionário?) e Nicole Kidman (As Horas) no elenco.

A história, baseada na história real do indiano Saroo Brierley, autor do romance autobiográfico A Long Way Home, centra-se em Saroo em duas fases de sua vida: a primeira, a partir dos cinco anos de idade, quando se perde do irmão em uma estação de trem em Calcutá, até ser adotado por uma família australiana; e a segunda, aos 25 anos de idade, quando parte em busca da família biológica. Poderia ser apenas mais uma história de superação? Poderia. Mas nada do que vemos em Lion soa forçado ou inimaginável. E é aqui que entra como mérito o elenco fantástico que o filme possui, começando por Sunny Pawar, de apenas oito anos, que interpreta Saroo enquanto criança. Com uma sutileza e delicadeza emocionantes, Pawar definitivamente estreou no cinema da melhor maneira possível com uma atuação digna de ser indicada ao Oscar. Mesmo que pareça frágil, Saroo é esperto e consegue se desvencilhar dos perigos na cidade até chegar a um orfanato. Sua reação quando percebe que se perdeu do irmão dentro de um trem que o leva a milhares de quilômetros longe de casa são extremamente tocantes. Na primeira metade do filme, inclusive, é muito fácil relembrar cenas de Quem Quer ser Um Milionário? (e que também tem Dev Patel no elenco) por conta das passagens na Índia em que Saroo se aventura a fim de achar sua casa. Sua jornada quando criança é tratada com uma realidade perigosa e que aflige o espectador, mas ainda assim trabalha em aspectos infantis e delicados, tais como pureza e bondade. Outro aspecto importante e que ajuda na originalidade da obra é que em, no mínimo metade do longa, o idioma local da Índia é utilizado. Isso sem dúvidas promove uma imersão maior naquele universo, e nos sentimos “de fora” assim como o pequeno Saroo.

Quando somos inseridos na segunda metade do longa, a sensação é a de que começamos a assistir outro filme: agora, vemos Saroo estabelecido com seus pais adotivos Sue e John (Nicole Kidman e David Wenham) na Austrália, já formado e com um futuro brilhante pela frente. Porém, o protagonista convive, em segredo, com as lembranças de seu passado e se sente agoniado ao pensar em sua família biológica, principalmente pelo fato de nem saber ao certo onde fica o vilarejo em que morava. A necessidade de se reencontrar com o passado aumenta quando conhece alguns colegas indianos que o fazem se lembrar de seu antigo vilarejo, fazendo com que seja impossível viver sua vida normalmente. Mas como retornar para casa se você não sabe onde ela fica? Como Saroo não se sente à vontade para falar com seus amáveis pais adotivos sobre a vontade de ir para a Índia, ele encontra em Lucy (Rooney Mara) todo o apoio necessário. Mesmo apaixonado e com uma vida pela frente, o protagonista se foca em uma missão quase impossível: a de encontrar seu antigo lar por meio da ferramenta Google Earth.

Dev Patel, que foi indicado ao Globo de Ouro como Ator Coadjuvante por este filme, personifica com muita resiliência e emoção Saroo em uma idade mais madura, com todas as dúvidas de um homem comum quanto ao seu futuro, aliadas às lembranças de uma infância cheia de amor, mas encoberta por muitas dúvidas. Nicole Kidman também se destaca brilhantemente em seu papel como a mãe adotiva de Saroo, onde, em poucos (mas poderosos) diálogos, transmite toda sua força e fé quanto ao papel de mãe que sempre sonhou em executar.

Abordando temas complexos como a maternidade, a importância de um lar e de saber quem você é, Lion – Uma Jornada para Casa é um filme cativante e bem executado que merece sua atenção, seja pelos questionamentos como pelas atuações emocionantes de seu elenco. É uma história feita para o cinema, com todos os elementos que a tornam ainda mais poderosa.

FICHA TÉCNICA
Direção: Garth Davis
Roteiro: Saroo Brierly, Luke Davies
Fotografia: Greig Fraser
Montagem: Alexandre de Franceschi
Trilha Sonora: Volker Bertelmann, Dustin O’Halloran
Elenco: Dev Patel, Rooney Mara, Nicole Kidman, Sunny Pawar, Abhishek Bharate, Priyanka Bose, Khushi Solanski, Shankar Nisode, Tannishtha Chatterjee, Nawazuddin Siddiqui, Riddhi Sen, Koushik Sen, Rita Boy

Histórias baseadas em fatos sempre emocionam, nos deixam com uma sensação boa e, principalmente, com a esperança de que o mundo ainda tem jeito. Histórias neste perfil se encaixam perfeitamente na temporada pré-Oscar, e algumas são reconhecidas apenas assim: filmes caça-Oscar. Alguns exemplos de filmes esquecíveis e que chegaram perto da estatueta? Trapaça, Tão Forte e Tão Perto, Um Sonho Possível, entre outros. Mas é claro que há alguns filmes que se sobressaem, como Histórias Cruzadas, Clube de Compras Dallas e Selma: Uma Luta Pela Igualdade. Em 2017, a temporada de premiações está cada vez melhor, expondo uma gama de histórias, diretores e abordagens diferentes e edificantes; e um filme notável que entrará para a lista de filmes inesquecíveis, sem dúvidas, é Lion - Uma Jornada para Casa, dirigido por Garth Davis (da série Top of The Lake), com Dev Patel (Quem Quer Ser Um Milionário?) e Nicole Kidman (As Horas) no elenco. A história, baseada na história real do indiano Saroo Brierley, autor do romance autobiográfico A Long Way Home, centra-se em Saroo em duas fases de sua vida: a primeira, a partir dos cinco anos de idade, quando se perde do irmão em uma estação de trem em Calcutá, até ser adotado por uma família australiana; e a segunda, aos 25 anos de idade, quando parte em busca da família biológica. Poderia ser apenas mais uma história de superação? Poderia. Mas nada do que vemos em Lion soa forçado ou inimaginável. E é aqui que entra como mérito o elenco fantástico que o filme possui, começando por Sunny Pawar, de apenas oito anos, que interpreta Saroo enquanto criança. Com uma sutileza e delicadeza emocionantes, Pawar definitivamente estreou no cinema da melhor maneira possível com uma atuação digna de ser indicada ao Oscar. Mesmo que pareça frágil, Saroo é esperto e consegue se desvencilhar dos perigos na cidade até chegar a um orfanato. Sua reação quando percebe que se perdeu do irmão dentro de um trem que o leva a milhares de quilômetros longe de casa são extremamente tocantes. Na primeira metade do filme, inclusive, é muito fácil relembrar cenas de Quem Quer ser Um Milionário? (e que também tem Dev Patel no elenco) por conta das passagens na Índia em que Saroo se aventura a fim de achar sua casa. Sua jornada quando criança é tratada com uma realidade perigosa e que aflige o espectador, mas ainda assim trabalha em aspectos infantis e delicados, tais como pureza e bondade. Outro aspecto importante e que ajuda na originalidade da obra é que em, no mínimo metade do longa, o idioma local da Índia é utilizado. Isso sem dúvidas promove uma imersão maior naquele universo, e nos sentimos "de fora" assim como o pequeno Saroo. Quando somos inseridos na segunda metade do longa, a sensação é a de que começamos a assistir outro filme: agora, vemos Saroo estabelecido com seus pais adotivos Sue e John (Nicole Kidman e David Wenham) na Austrália, já formado e com um futuro brilhante pela frente. Porém, o protagonista convive, em segredo, com as lembranças de…

Nota

Crítica: Lion - Uma Jornada para Casa

Excelente

91

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