Crítica: A Luz entre Oceanos | Cinematecando

Posted On 28/10/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: A Luz entre Oceanos

Derek Cianfrance, diretor dos ótimos Namorados para Sempre e O Lugar Onde Tudo Termina, escreveu e dirigiu a adaptação do livro The Light Between Oceans, de M.L. Stedman. A Luz entre Oceanos é seu primeiro filme baseado em uma obra de ficção e possui um trio de atores excepcional, formado por Michael Fassbender (indicado ao Oscar), Alicia Vikander e Rachel Weisz (ambas vencedoras do Oscar).

Ambientado logo após a Primeira Guerra Mundial, o longa apresenta Tom (Fassbender), ex-soldado que vai morar em uma ilha remota da Austrália e se alista como zelador de um farol, que se encontra no meio de dois oceanos. Ele procura paz e solidão após vivenciar tantos traumas durante seu serviço militar, mas acaba se apaixonando por Isabel (Vikander), filha de seu chefe. Eles se casam e a jovem se muda para o farol para eles viverem juntos. As lindas paisagens e planos de câmera mostram como o local é pacífico e reconfortante para quem vive ali, mas tais sensações são intercaladas com a dor e impotência de Isabel, que sonha em formar uma família e ter filhos com seu marido. Certo dia, um pequeno barco aparece na costa da praia com um bebê de dois meses e o cadáver do pai. Isabel, em um misto de desespero e fé, afirma que aquele foi um presente de Deus e implora a Tom para que fiquem com a criança. Tom reluta por alguns dias, mas acaba concordando com a ideia. Ambos acreditam que salvaram a criança de um destino cruel, e apenas pensam em cuidar dela como sua filha. Alguns anos se passam e tudo parece estar bem – mesmo com a dificuldade de Tom em aceitar que, no fundo, o que eles fizeram foi a coisa certa. O problema é que a mãe biológica da criança, Hannah (Weisz), mora na mesma ilha e Tom acaba descobrindo o quanto ela sofre com a perda do marido e da filha.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS

O que se sucede a partir do momento em que Tom se dá conta da gravidade de seus atos, é um drama forte sobre aceitação e perdão, além das dificuldades em viver afastado do ‘mundo real’. A forma como o relacionamento de Isabel e Tom é trabalhado permite que seja fácil sentirmos empatia pela vida que levam juntos e, assim, também nos preocupamos com o que pode acontecer com eles. Contando com alguns flashbacks de Hannah sobrepondo com o presente, o estilo da história – pela ótica vigorosa e calma do diretor, também é trabalhado com altíssima sensibilidade e com um cuidado que quase se torna palpável.

A Luz entre Oceanos possui um elenco que trabalha muito bem os sentimentos dos três personagens que dividem essa história. A primeira metade do filme consiste em trabalhar detalhadamente o relacionamento de Tom e Isabel, e a outra metade foca nas diferentes visões dos três personagens, fato esse que não faz com o que o espectador julgue um dos lados, mas sim entenda a motivação de cada um. Não há vilões e nem heróis, apenas pessoas que têm as melhores das intenções e que buscam ser perdoadas pelos seus atos.

Alicia Vikander, que deu um show de interpretação em O Amante da Rainha, Ex-Machina e A Garota Dinamarquesa, surpreende novamente aqui. Ela entrega todo o desespero de uma mulher que sonha em ser mãe e que se agarra à única oportunidade que aparece com toda a força que tem. É comovente ver o amor que Isabel tem pela filha que adotou, e muito difícil julgá-la por isso, dada a maneira como as situações são trabalhadas pelo diretor. Michael Fassbender é o que mais se encaixa como protagonista do filme, tanto por ter um foco maior na história como por ser apresentado com uma angústia aparente, que está sempre presente até nos momentos leves e agradáveis. Rachel Weisz, por sua vez, dedicou-se a um papel difícil: o de uma mãe que viveu por anos com a fé de que sua filha estava viva, e que depois precisa reaver sua filha para si fisicamente e, principalmente, mentalmente. Um dos momentos mais emocionantes do filme é quando Hannah encontra sua filha pela primeira vez e, mesmo sem saber quem ela é de verdade, seu olhar já transparece uma expressão maternal.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS

Além das atuações, a beleza estética do filme e a trilha sonora composta em piano por Alexandre Desplat são definitivamente os pontos que mais merecem elogios, tornando, assim, a jornada de Tom e Isabel mais emocionante e afetuosa. A Luz entre Oceanos não tem uma história fácil de se assistir, mas sua autenticidade e realismo dão a força necessária que ela precisa para se tornar uma adaptação marcante.

FICHA TÉCNICA
Direção: Derek Cianfrance
Roteiro: Derek Cianfrance
Elenco: Alicia Vikander, Anthony Hayes, Benedict Hardie, Bryan Brown, Elizabeth Hawthorne, Emily Barclay, Florence Clery, Garry Macdonald, Gerald Bryan, Jack Thompson, Jane Menelaus, Jonathan Wagstaff, Leon Ford, Michael Fassbender, Michael Wallace, Peter McCauley, Rachel Weisz, Rosella Hart, Stephen Ure, Thomas Unger
Produção: Jeffrey Clifford
Fotografia: Adam Arkapaw
Montador: Jim Helton, Ron Patane
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Duração: 132 min.
Lançamento: 02/11/2016

Derek Cianfrance, diretor dos ótimos Namorados para Sempre e O Lugar Onde Tudo Termina, escreveu e dirigiu a adaptação do livro The Light Between Oceans, de M.L. Stedman. A Luz entre Oceanos é seu primeiro filme baseado em uma obra de ficção e possui um trio de atores excepcional, formado por Michael Fassbender (indicado ao Oscar), Alicia Vikander e Rachel Weisz (ambas vencedoras do Oscar). Ambientado logo após a Primeira Guerra Mundial, o longa apresenta Tom (Fassbender), ex-soldado que vai morar em uma ilha remota da Austrália e se alista como zelador de um farol, que se encontra no meio de dois oceanos. Ele procura paz e solidão após vivenciar tantos traumas durante seu serviço militar, mas acaba se apaixonando por Isabel (Vikander), filha de seu chefe. Eles se casam e a jovem se muda para o farol para eles viverem juntos. As lindas paisagens e planos de câmera mostram como o local é pacífico e reconfortante para quem vive ali, mas tais sensações são intercaladas com a dor e impotência de Isabel, que sonha em formar uma família e ter filhos com seu marido. Certo dia, um pequeno barco aparece na costa da praia com um bebê de dois meses e o cadáver do pai. Isabel, em um misto de desespero e fé, afirma que aquele foi um presente de Deus e implora a Tom para que fiquem com a criança. Tom reluta por alguns dias, mas acaba concordando com a ideia. Ambos acreditam que salvaram a criança de um destino cruel, e apenas pensam em cuidar dela como sua filha. Alguns anos se passam e tudo parece estar bem - mesmo com a dificuldade de Tom em aceitar que, no fundo, o que eles fizeram foi a coisa certa. O problema é que a mãe biológica da criança, Hannah (Weisz), mora na mesma ilha e Tom acaba descobrindo o quanto ela sofre com a perda do marido e da filha. O que se sucede a partir do momento em que Tom se dá conta da gravidade de seus atos, é um drama forte sobre aceitação e perdão, além das dificuldades em viver afastado do 'mundo real'. A forma como o relacionamento de Isabel e Tom é trabalhado permite que seja fácil sentirmos empatia pela vida que levam juntos e, assim, também nos preocupamos com o que pode acontecer com eles. Contando com alguns flashbacks de Hannah sobrepondo com o presente, o estilo da história - pela ótica vigorosa e calma do diretor, também é trabalhado com altíssima sensibilidade e com um cuidado que quase se torna palpável. A Luz entre Oceanos possui um elenco que trabalha muito bem os sentimentos dos três personagens que dividem essa história. A primeira metade do filme consiste em trabalhar detalhadamente o relacionamento de Tom e Isabel, e a outra metade foca nas diferentes visões dos três personagens, fato esse que não faz com o que o espectador julgue um dos lados, mas sim entenda a motivação de cada um. Não há vilões e nem…

Nota

A Luz entre Oceanos

Ótimo

80

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.