Crítica: Nerve - Um Jogo sem Regras | Cinematecando

Posted On 21/08/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Nerve – Um Jogo sem Regras

Vivemos hoje em um mundo cercado de tecnologia, onde é muito raro andar pelas ruas sem encontrar alguém sem um celular na mão. Passamos horas e horas fazendo várias atividades simultaneamente pela tela de nossos aparelhos eletrônicos ou computadores, e isso só se amplifica quando alguns ‘fenômenos’ aparecem. Diante deste cenário (onde as pessoas buscam visibilidade na internet todos os dias e estão fascinadas pelo game Pokemon Go), o filme Nerve definitivamente não poderia ser lançado em uma época melhor.

Dirigido por Ariel Schulman e Henry Joost e baseado no livro homônimo de Jeanne Ryan, Nerve tem como protagonista a jovem Vee (Emma Roberts), uma estudante prestes a entrar na faculdade – e que nunca fez algo ousado em sua vida. O ponto de virada é quando sua amiga Sydney (Emily Meade) lhe apresenta a febre do momento: o jogo online Nerve, que fica 24h em uma determinada cidade e no qual a pessoa pode ser jogador ou observador. Motivada a se aventurar, Vee surpreende seu círculo de amizades quando aceita participar como jogadora e fica maravilhada quando, a cada desafio completo, recebe uma certa quantia em sua conta bancária.

O que ela não sabe é que Nerve foi criado por um grupo de hackers que usam vários servidores e é impossível de ser descoberto. A partir do momento em que ela colocou sua impressão digital no jogo, sua vida já começou a ser controlada. Multiplique essa situação por alguns milhares, e agora sim dá para se ter uma ideia do poder que Nerve construiu apenas com a divulgação entre jovens. Quanto mais fãs o jogador tiver, os desafios se tornam mais complicados, mas o maior problema do jogo não são os desafios em si – na verdade, sair dele é o que exige ‘nerve’ (que significa ousadia em português). Se a pessoa desiste de um desafio, é expulsa, mas a situação fica ainda pior para quem tenta dedurar o jogo para algum adulto ou para a polícia, já que o jogador é observado a todo momento e tem todos os seus dados nas mãos de hackers.

Quando Vee começa a enxergar a verdadeira face do jogo, percebe que ele não é uma atividade inofensiva. Junto com seu parceiro Ian (Dave Franco), que fez parte de seu primeiro desafio, ela busca encerrar a manipulação que estão fazendo com milhares de jovens em várias cidades, e a dupla fará isso em uma noite cheia de adrenalina no melhor cenário possível: nas ruas iluminadas de Nova York.

Nerve é um filme de imersão imediata. Logo na primeira cena, com Vee usando seu computador e a câmera acompanhando a ‘rotina cibernética’ (que vai desde conversas no Skype até likes no Facebook) pelo olhar da personagem, é fácil se identificar com a atmosfera moderna do longa, pois essa rotina é a realidade de muitas pessoas. A história é bem construída e seus personagens são tão cativantes que torna-se impossível não torcer para que dê tudo certo no final; isso é muito importante em qualquer filme, ainda mais quando se trata de um filme de aventura como este. A realização dos desafios trazem cenas muito bem feitas, de fazer o espectador sentar na ponta da cadeira (ainda mais se você tem medo de altura!). Além disso, a dupla de protagonistas Vee e Ian possui uma química inegável e o elenco de apoio só adiciona a trama, com os atores Juliette Lewis (mãe de Vee), Miles Heizer (Tommy), Kimiko Glenn (Liv) e Samira Wiley (Hacker Kween).

O filme também propõe uma reflexão interessante: a de que todas as pessoas, mesmo aqueles que usam o artifício do anonimato (como os observadores), são responsáveis pelo o que dizem ou fazem na internet. Todos os atos têm uma consequência, e cabe a cada um se responsabilizar por isso. A exploração dessa mensagem é, de longe, um dos pontos altos do filme.

Os diretores sabem a que o filme veio: agradar a geração de adolescentes. Mas eles conseguem ir além com uma boa direção e uma fotografia hipnotizante na companhia de uma trilha sonora muito bem escolhida. Todos esses elementos fazem de Nerve um pacote completo: há romance, comédia, drama e ação. Sua temática atual e, sobretudo, realística, é muito inteligente e atinge tanto adolescentes como adultos, pois a maneira como foi abordada é um acerto em cheio para ambos os públicos. 

Nerve estreia em 25 de agosto!

FICHA TÉCNICA
Direção: Ariel Schulman, Henry Joost
Roteiro: Jessica Sharzer
Elenco: Brian ‘Sene’ Marc, Danielle DeWulf, Dave Franco, Dillon Mathews, Ed Squires, Emily Meade, Emma Roberts, Jonny Beauchamp, Juliette Lewis, Kelsey Lynn Stokes, Kimiko Glenn, Machine Gun Kelly, Marc John Jefferies, Marko Caka, Miles Heizer, Rosemary Howard, Samira Wiley, Toshiko Onizawa
Produção: Allison Shearmur, Anthony Katagas
Fotografia: Michael Simmonds
Montador: Jeff McEvoy, Madeleine Gavin
Trilha Sonora: Rob Simonsen

Vivemos hoje em um mundo cercado de tecnologia, onde é muito raro andar pelas ruas sem encontrar alguém sem um celular na mão. Passamos horas e horas fazendo várias atividades simultaneamente pela tela de nossos aparelhos eletrônicos ou computadores, e isso só se amplifica quando alguns ‘fenômenos’ aparecem. Diante deste cenário (onde as pessoas buscam visibilidade na internet todos os dias e estão fascinadas pelo game Pokemon Go), o filme Nerve definitivamente não poderia ser lançado em uma época melhor. Dirigido por Ariel Schulman e Henry Joost e baseado no livro homônimo de Jeanne Ryan, Nerve tem como protagonista a jovem Vee (Emma Roberts), uma estudante prestes a entrar na faculdade - e que nunca fez algo ousado em sua vida. O ponto de virada é quando sua amiga Sydney (Emily Meade) lhe apresenta a febre do momento: o jogo online Nerve, que fica 24h em uma determinada cidade e no qual a pessoa pode ser jogador ou observador. Motivada a se aventurar, Vee surpreende seu círculo de amizades quando aceita participar como jogadora e fica maravilhada quando, a cada desafio completo, recebe uma certa quantia em sua conta bancária. O que ela não sabe é que Nerve foi criado por um grupo de hackers que usam vários servidores e é impossível de ser descoberto. A partir do momento em que ela colocou sua impressão digital no jogo, sua vida já começou a ser controlada. Multiplique essa situação por alguns milhares, e agora sim dá para se ter uma ideia do poder que Nerve construiu apenas com a divulgação entre jovens. Quanto mais fãs o jogador tiver, os desafios se tornam mais complicados, mas o maior problema do jogo não são os desafios em si - na verdade, sair dele é o que exige ‘nerve’ (que significa ousadia em português). Se a pessoa desiste de um desafio, é expulsa, mas a situação fica ainda pior para quem tenta dedurar o jogo para algum adulto ou para a polícia, já que o jogador é observado a todo momento e tem todos os seus dados nas mãos de hackers. Quando Vee começa a enxergar a verdadeira face do jogo, percebe que ele não é uma atividade inofensiva. Junto com seu parceiro Ian (Dave Franco), que fez parte de seu primeiro desafio, ela busca encerrar a manipulação que estão fazendo com milhares de jovens em várias cidades, e a dupla fará isso em uma noite cheia de adrenalina no melhor cenário possível: nas ruas iluminadas de Nova York. Nerve é um filme de imersão imediata. Logo na primeira cena, com Vee usando seu computador e a câmera acompanhando a ‘rotina cibernética’ (que vai desde conversas no Skype até likes no Facebook) pelo olhar da personagem, é fácil se identificar com a atmosfera moderna do longa, pois essa rotina é a realidade de muitas pessoas. A história é bem construída e seus personagens são tão cativantes que torna-se impossível não torcer para que dê tudo certo no final; isso é muito importante em qualquer filme, ainda mais quando se trata de um filme…

Nota

Nerve - Um Jogo sem Regras

Excelente

Sua temática atual e, sobretudo, realística, é muito inteligente e atinge tanto adolescentes como adultos devido a abordagem.

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Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.