Crítica: O Regresso | Cinematecando

Posted On 03/02/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: O Regresso

Alejandro González Iñárritu é um diretor de cinema com foco em dramas humanos. Amores Brutos, 21 Gramas e Biutiful são exemplos de obras profundas e reflexivas; já Birdman, o grande favorito e vencedor do Oscar em 2015, marcou uma nova fase na carreira de Iñarritu: a mistura de drama com comédia de humor negro e o ar de cinema teatral nos bastidores da Broadway deu um novo panorama ao diretor, já que foi justamente um filme que o distanciou de tudo o que ele já tinha feito até ali.

Agora, em O Regresso (2015), também favorito no Oscar 2016, Iñárritu conta uma história muito ampla e que vai além de seu título, porque não é só o retorno que é importante: a superação, a perseverança e as provações que o personagem principal, Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), vive no meio do inverno rigoroso do norte dos Estados Unidos também são ingredientes poderosos que caracterizam a narrativa tensa. Inspirado em fatos reais, o filme faz um excelente trabalho ao ambientar o espectador em uma história que ocorreu há dois séculos atrás – e que já virou livro pelo autor Michael Punke – repleta de caçadores de vários lugares do mundo, índios e animais selvagens.

Quem conhece o trabalho do diretor Terrence Malick certamente irá notar algumas semelhanças com o filme de Iñárritu, principalmente na composição das cenas e nas longas tomadas pelos vastos cenários. E não é para menos: Emmanuel Lubezki, o talentoso diretor de fotografia da obra, trabalhou em A Árvore da Vida, de Malick. A montagem do profissional Stephen Mirrione é estonteante, sem deixar o filme monótono, e os planos-sequência são grandiosos. O trabalho com a câmera é feito de maneira bem dinâmica e faz com que ela seja um objeto notado na própria história, como no momento em que ela chega tão perto do protagonista que até pode-se ver a respiração dele embaçando sua lente.

Duas horas e meia de filme pode parecer muito, mas em O Regresso as cenas são realmente muito bem distribuídas, mesclando ação com imagens da natureza. Os animais selvagens foram feitos em CGI, mas aparentam serem reais (em especial durante a já famosa sequência de Glass com o urso). Tudo é muito bem feito e, felizmente, as atuações do elenco em geral não ficam muito atrás da beleza da obra.

Leonardo DiCaprio, indicado ao Oscar pela sexta vez, se empenhou para dar vida a um personagem que não precisa dizer muito para ser hipnotizante. O guia, explorador e caçador de peles Hugh Glass demonstra tudo o que está sentindo com seus olhares e com o seu corpo. Movido pela vingança e o amor à sua família, ele não só carrega a dor, a agonia e a raiva como também carrega o filme inteiro nas costas – aliado ao belíssimo trabalho de produção. Tom Hardy, também indicado ao Oscar por seu trabalho como ator coadjuvante, é John Fitzgerald, homem que não se importa com ninguém a não ser ele mesmo, chegando a abandonar Glass quando este foi gravemente ferido em uma das expedições em grupo. Domhnall Gleeson, como o Capitão Andrew Henry, eWill Poulter, como o jovem voluntário Jim Bridger, também têm seus momentos de brilho com suas boas atuações.

Quanto ao trabalho de Iñárritu, é inegável a dedicação do diretor mexicano. Ele assinou o projeto em 2011 e também produziu e escreveu o roteiro em parceria com Mark L. Smith. As filmagens começaram em 2014, após as gravações de Birdman, o que faz com que os dois filmes possuam datas de estreia bem próximas, sendo Birdman lançado em outubro de 2014, e O Regresso em dezembro de 2015. As duas obras possuem temáticas absolutamente distintas – e isso é o que torna a carreira do diretor tão interessante.

O Regresso é uma experiência maravilhosamente bem feita e, para ser aproveitada da melhor forma possível, vale a pena ser vista no cinema. O longa merece suas doze indicações no Oscar e provavelmente irá levar a maioria os prêmios, por mais que a principal torcida seja para Leonardo DiCaprio levar a estatueta de Melhor Ator. Ele realmente merece tanto por esse filme como pelo conjunto de sua obra – mas, com Oscar ou sem Oscar, ele ainda estará fantástico. E esse filme continuará sendo um grande filme!

FICHA TÉCNICA
Direção: Alejandro González Iñárritu
Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Mark L. Smith
Elenco: Brad Carter, Brendan Fletcher, Dave Burchill, Domhnall Gleeson, Javier Botet, Joshua Burge, Kory Grim, Kristoffer Joner, Leonardo DiCaprio, Lukas Haas, Paul Anderson, Robert Moloney, Tom Hardy, Will Poulter
Produção: Alejandro González Iñárritu, Arnon Milchan, David Kanter, James W. Skotchdopole, Keith Redmon, Mary Parent, Steve Golin
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Montagem: Stephen Mirrione

Alejandro González Iñárritu é um diretor de cinema com foco em dramas humanos. Amores Brutos, 21 Gramas e Biutiful são exemplos de obras profundas e reflexivas; já Birdman, o grande favorito e vencedor do Oscar em 2015, marcou uma nova fase na carreira de Iñarritu: a mistura de drama com comédia de humor negro e o ar de cinema teatral nos bastidores da Broadway deu um novo panorama ao diretor, já que foi justamente um filme que o distanciou de tudo o que ele já tinha feito até ali. Agora, em O Regresso (2015), também favorito no Oscar 2016, Iñárritu conta uma história muito ampla e que vai além de seu título, porque não é só o retorno que é importante: a superação, a perseverança e as provações que o personagem principal, Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), vive no meio do inverno rigoroso do norte dos Estados Unidos também são ingredientes poderosos que caracterizam a narrativa tensa. Inspirado em fatos reais, o filme faz um excelente trabalho ao ambientar o espectador em uma história que ocorreu há dois séculos atrás - e que já virou livro pelo autor Michael Punke - repleta de caçadores de vários lugares do mundo, índios e animais selvagens. Quem conhece o trabalho do diretor Terrence Malick certamente irá notar algumas semelhanças com o filme de Iñárritu, principalmente na composição das cenas e nas longas tomadas pelos vastos cenários. E não é para menos: Emmanuel Lubezki, o talentoso diretor de fotografia da obra, trabalhou em A Árvore da Vida, de Malick. A montagem do profissional Stephen Mirrione é estonteante, sem deixar o filme monótono, e os planos-sequência são grandiosos. O trabalho com a câmera é feito de maneira bem dinâmica e faz com que ela seja um objeto notado na própria história, como no momento em que ela chega tão perto do protagonista que até pode-se ver a respiração dele embaçando sua lente. Duas horas e meia de filme pode parecer muito, mas em O Regresso as cenas são realmente muito bem distribuídas, mesclando ação com imagens da natureza. Os animais selvagens foram feitos em CGI, mas aparentam serem reais (em especial durante a já famosa sequência de Glass com o urso). Tudo é muito bem feito e, felizmente, as atuações do elenco em geral não ficam muito atrás da beleza da obra. Leonardo DiCaprio, indicado ao Oscar pela sexta vez, se empenhou para dar vida a um personagem que não precisa dizer muito para ser hipnotizante. O guia, explorador e caçador de peles Hugh Glass demonstra tudo o que está sentindo com seus olhares e com o seu corpo. Movido pela vingança e o amor à sua família, ele não só carrega a dor, a agonia e a raiva como também carrega o filme inteiro nas costas - aliado ao belíssimo trabalho de produção. Tom Hardy, também indicado ao Oscar por seu trabalho como ator coadjuvante, é John Fitzgerald, homem que não se importa com ninguém a não ser ele mesmo, chegando a abandonar Glass quando este foi gravemente ferido…

Nota

O Regresso

Ótimo

O Regresso é uma obra imersiva, estonteante e que conta com atuações inspiradas de Leonardo DiCaprio e Tom Hardy.

80

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.