Crítica: Os Estranhos - Caçada Noturna | Cinematecando

Posted On 12/06/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Os Estranhos – Caçada Noturna

Pessimamente roteirizado e com atuações desinteressantes, sequência de filme de 2008 se mostra como uma das produções mais entediantes do ano

Filmes de home invasion (invasão domiciliar) são populares desde que o terror slasher chegou aos cinemas. São muitos os filmes que conseguiram de fato entreter o público e trazer algo novo com a presença de um assassino (ou mais) tentando invadir uma casa e assustando seus moradores, é o caso do ótimo Hush: A Morte Ouve (2016). Porém, há ainda mais filmes que caíram no esquecimento justamente por serem repetitivos e previsíveis. Infelizmente é onde se enquadra o terrível Os Estranhos: A Caçada Noturna. Sendo uma sequência do filme Os Estranhos (2008), a obra consegue ser menos interessante que o primeiro filme – que, apesar de alguns momentos de tensão, já não era grande coisa.

Seguindo os acontecimentos do primeiro filme, uma nova família recebe a terrível visita de três psicopatas que têm como único objetivo transformar suas vidas em um inferno na Terra. Nisso, o filme nos apresenta (se é que podemos chamar isso de “apresentar”) a família de maneira corriqueira e deselegante, sem nenhum apreço pela elaboração dos membros. A protagonista, Kinsey (Bailee Madison), também é introduzida superficialmente e é vista como a clássica adolescente rebelde cheia de conflitos pessoais com sua família, mas não sabemos em nenhum momento o que levou ela a agir de tal forma.

Temos aqui um elenco muito mal aproveitado. A atriz principal Bailee Madison é a que mais sofre com isso, e Christina Hendricks, que é quem tem o papel mais curto do filme, também acaba ficando sem espaço para fazer de sua personagem relevante aos olhos do espectador. Mas as interpretações representam apenas uma parte do problema, ainda que grande. Na verdade, o mais odioso acaba se tornando a falta de respeito do roteiro com o seu público.

Diante de situações de tensão, vemos os personagens tomarem decisões pífias (estratégia obsoleta de filmes do gênero) a ponto de se arriscar (mesmo sem nenhuma arma) para investigar a origem de um barulho. Intencionalmente ou não, isso deve deixar o espectador com os nervos saltados e revoltado. Essa é apenas uma das cenas que trazem a proposta preguiçosa de antecipar um jump scare e dar medo na plateia. O mais triste é que essa abordagem, além de pouco inteligente, é também pouco original, e isso é do que o filme mais carece: originalidade.

Dá para imaginar o quanto grave é isso? O fato da trama, no geral, ser previsível, mesmo com os furos improváveis do enredo? Ou seja, a indústria cinematográfica está tão repleta de “repetecos” em suspenses e filmes de terror que boa parte de nós já esperamos que a verossimilhança não seja cumprida e, portanto, consigamos prever a resolução de algumas cenas. Essa é a maior prova de que precisamos de filmes inovadores com propostas originais, que façam alguma diferença para o gênero e renovando a forma como o público se emociona.

A soundtrack oitentista traz nostalgia e um caráter “vintage” a obra, mas causa um estranhamento desnecessário pela falta de coesão com a proposta emocional das cenas em que se insere (cenas cheias de sangue e morte com músicas românticas alegres). Porém, diferentemente da série The End Of The F***king World, não há um sentido narrativo no gênero que se apresenta durante obra (ironia e falta de coerência pra gerar humor).

Algumas qualidades podem ser vistas em Os Estranhos: Caçada Noturna, como mortes agoniantes (mesmo consequentes de uma tremenda falta de realidade das ações dos personagens) e uso do zoom em momentos interessantes, que causam dinamismo e espanto ao mesmo tempo. Mas o filme entrega muito menos do que o esperado e deixa a certeza de que os suspenses de terror precisam, mais do que nunca, melhorar e inovar na forma de envolver seu público.

FICHA TÉCNICA
Direção: Johannes Roberts
Roteiro: Bryan Bertino, Ben Ketai
Elenco: Christina Hendricks, Martin Henderson, Bailee Madison, Lewis Pullman, Emma Bellomy, Damien Maffei, Lea Enslin
Produção: Jalen Headchop, Wayne Marc Godfrey, Mark Lane, Robert Jones, Ryan Kavanaugh
Fotografia: Ryan Samul
Música: Adrian Johnston
Montagem: Martin Brinkler
Gênero:
Suspense / Terror
Duração: 85 min.

Pessimamente roteirizado e com atuações desinteressantes, sequência de filme de 2008 se mostra como uma das produções mais entediantes do ano Filmes de home invasion (invasão domiciliar) são populares desde que o terror slasher chegou aos cinemas. São muitos os filmes que conseguiram de fato entreter o público e trazer algo novo com a presença de um assassino (ou mais) tentando invadir uma casa e assustando seus moradores, é o caso do ótimo Hush: A Morte Ouve (2016). Porém, há ainda mais filmes que caíram no esquecimento justamente por serem repetitivos e previsíveis. Infelizmente é onde se enquadra o terrível Os Estranhos: A Caçada Noturna. Sendo uma sequência do filme Os Estranhos (2008), a obra consegue ser menos interessante que o primeiro filme - que, apesar de alguns momentos de tensão, já não era grande coisa. Seguindo os acontecimentos do primeiro filme, uma nova família recebe a terrível visita de três psicopatas que têm como único objetivo transformar suas vidas em um inferno na Terra. Nisso, o filme nos apresenta (se é que podemos chamar isso de "apresentar") a família de maneira corriqueira e deselegante, sem nenhum apreço pela elaboração dos membros. A protagonista, Kinsey (Bailee Madison), também é introduzida superficialmente e é vista como a clássica adolescente rebelde cheia de conflitos pessoais com sua família, mas não sabemos em nenhum momento o que levou ela a agir de tal forma. Temos aqui um elenco muito mal aproveitado. A atriz principal Bailee Madison é a que mais sofre com isso, e Christina Hendricks, que é quem tem o papel mais curto do filme, também acaba ficando sem espaço para fazer de sua personagem relevante aos olhos do espectador. Mas as interpretações representam apenas uma parte do problema, ainda que grande. Na verdade, o mais odioso acaba se tornando a falta de respeito do roteiro com o seu público. Diante de situações de tensão, vemos os personagens tomarem decisões pífias (estratégia obsoleta de filmes do gênero) a ponto de se arriscar (mesmo sem nenhuma arma) para investigar a origem de um barulho. Intencionalmente ou não, isso deve deixar o espectador com os nervos saltados e revoltado. Essa é apenas uma das cenas que trazem a proposta preguiçosa de antecipar um jump scare e dar medo na plateia. O mais triste é que essa abordagem, além de pouco inteligente, é também pouco original, e isso é do que o filme mais carece: originalidade. Dá para imaginar o quanto grave é isso? O fato da trama, no geral, ser previsível, mesmo com os furos improváveis do enredo? Ou seja, a indústria cinematográfica está tão repleta de "repetecos" em suspenses e filmes de terror que boa parte de nós já esperamos que a verossimilhança não seja cumprida e, portanto, consigamos prever a resolução de algumas cenas. Essa é a maior prova de que precisamos de filmes inovadores com propostas originais, que façam alguma diferença para o gênero e renovando a forma como o público se emociona. A soundtrack oitentista traz nostalgia e um caráter "vintage"…

Os Estranhos 2

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