Crítica: Os Inocentes (1ª temporada) | Cinematecando

Posted On 27/08/2018 By In Críticas - Séries, Séries

Crítica: Os Inocentes (1ª temporada)

Com enredo imprevisível e eletrizante, Netflix aposta em ficção científica com drama adolescente em sua nova série

Imagem da série 'Os Inocentes', da Netflix

Durante a segunda metade do século XIX, Friedrich Nietzsche já parecia compreender algo curioso sobre nós. O escritor dizia que há uma inocência na admiração: a daquele a quem ainda não passou pela cabeça que também poderia um dia ser admirado. Ouso ir além e propôr uma reflexão: seriam inocentes apenas aqueles movidos a uma cega confiança e perdidos quanto ao seu lugar no mundo? Ou seríamos todos parte de um coletivo ingênuo, que pouco sabe o que sentir, e no que ou em quem acreditar? Isso está propriamente ligado as observações sugeridas pela trama de Os Inocentes, série original Netflix que vem gerando altas expectativas desde seu marketing de divulgação, com trailers e fotos enigmáticas.

A história da série gira em torno de June (Sorcha Groundsell), que após fugir de casa para viver com seu namorado Harry (Percelle Ascott) em Londres e escapar das paranóias de John (Sam Hazeldine), seu sistemático pai, embarca numa jornada de autodescoberta de suas condições físicas e psicológicas. Nesse meio tempo, em uma região da Noruega, um homem chamado Dr. Halvorson (Guy Pearce) tenta desenvolver pesquisas com suas pacientes, afim de compreender os limites do poder da metamorfose. Aos poucos as relações entre os personagens vão se revelando e dando corpo à uma narrativa bem amarrada.

Envolver-se totalmente diante das circunstâncias de nervosismo e medo dos personagens e sentir empatia pelos mesmos são sentimentos raros nos conteúdos televisivos de atualmente, principalmente quanto notamos por aí uma recorrência de estratégias fáceis e previsíveis que visam apenas o sucesso comercial do produto. Para o nosso bem, isso não acontece com Os Inocentes. É exatamente na imprevisibilidade que seu enredo se baseia, nos acontecimentos improváveis, tudo isso num ritmo agitado que estimula nosso gosto pela história e nos faz criar apego ou distanciamento dos personagens. Inclusive, é outro ponto positivo da série ter personagens falhos e multidimensionais.

Imagem da série 'Os Inocentes', da Netflix

Por meio de mudanças de focos e uma fotografia esfumaçada (que remete à ambiguidade dos personagens), percebemos já nos primeiros episódios que em Os Inocentes ninguém é perfeito. Todos tomam decisões duvidosas como qualquer um de nós. Entre os personagens, se destaca a principal, June, que representa as descobertas pessoais de qualquer garota adolescente, e ao mesmo tempo tem que lidar com seus instintos mentais que a fazem ser diferente de todos os outros.

Porém, o personagem mais intrigante talvez seja Halvorson. Muito disso se deve à sublime atuação de Guy Pearce, que consegue numa mesma cena e num mesmo plano demonstrar inocência em seu olhar, vontade de fazer o bem às suas pacientes e também uma pitada de malícia nos meios o qual toma para atingir seus objetivos. Essas características, que o acompanham até o último episódio, nos colocam em uma posição de questionamento sobre sua índole, suas verdadeiras intenções.

Algo que pode incomodar alguns espectadores é a trilha sonora repleta de músicas indie pop de atualmente, que embora casem com algumas cenas do casal de adolescentes (June e Harry), destoam da carga dramática presente em cenas entre personagens de mais idade como Halvorson e suas pacientes (onde também são incluídas as músicas).

No entanto, como o público-alvo da série é mesmo o espectador adolescente, as músicas no geral conversam com a narrativa. Ao final da temporada, ficamos com um gancho instigante, mas também com a vontade de ter conhecido mais sobre alguns dos personagens secundários. Esse desejo não é um indício de problemas de roteiro, mas sim o contrário. É a prova de que um roteiro é competente ao ser provocativo e deixar o público querendo saber detalhes de subtramas que movem a história.

A série assegura seu papel de envolver e absorver o cotidiano do drama adolescente, mas além disso, traz uma trama sci-fi que brinca com suas próprias regras sem fazer o espectador de bobo. O tempero do suspense e do romance dos episódios serve para amarrar alguns fatos e criar maior identificação com os personagens principais. É tudo minuciosamente elaborado para impressionar, sensibilizar e colocar o público pra pensar. Os Inocentes é entretenimento e obra de arte, pronto pra fazer do seu final de semana um alvo da melhor maratona possível.

Com enredo imprevisível e eletrizante, Netflix aposta em ficção científica com drama adolescente em sua nova série Durante a segunda metade do século XIX, Friedrich Nietzsche já parecia compreender algo curioso sobre nós. O escritor dizia que há uma inocência na admiração: a daquele a quem ainda não passou pela cabeça que também poderia um dia ser admirado. Ouso ir além e propôr uma reflexão: seriam inocentes apenas aqueles movidos a uma cega confiança e perdidos quanto ao seu lugar no mundo? Ou seríamos todos parte de um coletivo ingênuo, que pouco sabe o que sentir, e no que ou em quem acreditar? Isso está propriamente ligado as observações sugeridas pela trama de Os Inocentes, série original Netflix que vem gerando altas expectativas desde seu marketing de divulgação, com trailers e fotos enigmáticas. A história da série gira em torno de June (Sorcha Groundsell), que após fugir de casa para viver com seu namorado Harry (Percelle Ascott) em Londres e escapar das paranóias de John (Sam Hazeldine), seu sistemático pai, embarca numa jornada de autodescoberta de suas condições físicas e psicológicas. Nesse meio tempo, em uma região da Noruega, um homem chamado Dr. Halvorson (Guy Pearce) tenta desenvolver pesquisas com suas pacientes, afim de compreender os limites do poder da metamorfose. Aos poucos as relações entre os personagens vão se revelando e dando corpo à uma narrativa bem amarrada. Envolver-se totalmente diante das circunstâncias de nervosismo e medo dos personagens e sentir empatia pelos mesmos são sentimentos raros nos conteúdos televisivos de atualmente, principalmente quanto notamos por aí uma recorrência de estratégias fáceis e previsíveis que visam apenas o sucesso comercial do produto. Para o nosso bem, isso não acontece com Os Inocentes. É exatamente na imprevisibilidade que seu enredo se baseia, nos acontecimentos improváveis, tudo isso num ritmo agitado que estimula nosso gosto pela história e nos faz criar apego ou distanciamento dos personagens. Inclusive, é outro ponto positivo da série ter personagens falhos e multidimensionais. Por meio de mudanças de focos e uma fotografia esfumaçada (que remete à ambiguidade dos personagens), percebemos já nos primeiros episódios que em Os Inocentes ninguém é perfeito. Todos tomam decisões duvidosas como qualquer um de nós. Entre os personagens, se destaca a principal, June, que representa as descobertas pessoais de qualquer garota adolescente, e ao mesmo tempo tem que lidar com seus instintos mentais que a fazem ser diferente de todos os outros. Porém, o personagem mais intrigante talvez seja Halvorson. Muito disso se deve à sublime atuação de Guy Pearce, que consegue numa mesma cena e num mesmo plano demonstrar inocência em seu olhar, vontade de fazer o bem às suas pacientes e também uma pitada de malícia nos meios o qual toma para atingir seus objetivos. Essas características, que o acompanham até o último episódio, nos colocam em uma posição de questionamento sobre sua índole, suas verdadeiras intenções. Algo que pode incomodar alguns espectadores é a trilha sonora repleta de músicas indie pop de atualmente, que embora casem com algumas…

Os Inocentes (1ª Temporada)

Direção
Roteiro
Elenco
Direção de Arte
Fotografia
Montagem
Trilha Sonora

Ótimo

81