Posted On julho 5, 2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Soundtrack

Esta semana nós postamos um texto sobre o filme Teus Olhos Meus, que possui já em seu título as palavras “poesia cinematográfica”. Bom, a coincidência é que uma das estreias desta semana também pode ser considerada da mesma forma. Soundtrack é um longa que precisa ser visto desde o princípio com a intenção de mergulhar completamente para dentro da história, caso contrário, não trará a intensidade necessária para compreender e se emocionar. Acredite: a história pode tocar até o fundo de sua alma se você estiver apto(a) a imergir na história de Cris, um artista brasileiro que viaja para uma estação de estudos completamente isolada do mundo.

Estrelado por Selton Mello, um dos melhores atores brasileiros dessa geração, Soundtrack marca a estreia da dupla 300ml na direção de longa metragens. E que ótima estreia, viu? O filme tem uma facilidade em imergir o espectador naquela estação no meio da neve de forma quase que imediata, e isso é extremamente importante para as horas de projeção que se sucedem. De início, não sabemos o que Cris quer fazer exatamente, mas a jornada de introspecção e autoconhecimento do personagem, aliado aos ensinamentos e visões artísticas que ele dá aos seus colegas, vão abrindo o caminho para que possamos entender suas intenções.

Cris chega ao local sem celular e sem computador, apenas com sua playlist que, em breve, fará parte da “exposição da sua vida”. Quando vê que a realidade de seus outros colegas é bem diferente da dele, o protagonista começa a questionar sua própria ideia, afinal, Cao (Seu Jorge) é um botânico brasileiro que investiga a flora em situações extremas; o britânico Mark (Ralph Ineson) é especializado em aquecimento global; o chinês Huang (Thomas Chaanhing) é um biólogo e o dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran) é um pesquisador. Como todos estão envolvidos em projetos grandiosos, a visão de Cris chega a ficar um tanto quanto confusa. Mas aos poucos todos vão interagindo cada vez mais e até mesmo o preconceito que alguns têm com Cris vai se diluindo. Os pontos de vista vão mudando e o respeito vai aumentando.

Na neve, na solidão, o clima que Soundtrack possui é de longitude, distância, frieza; contudo, a paixão de Cris com a arte é o que aquece seu coração e até mesmo é o que dá ânimo ao dia-a-dia de seus colegas. Aliás, cada tomada feita fora dos trailers poderia ser emoldurada. A fotografia do filme é impecável e traz todas essas sensações enquanto assistimos, mas o que dá ainda mais chão para o misto de sentimentos é a grandiosa atuação de Selton Mello. Aqui, o ator vai além do que já faz de bom e entrega uma performance extremamente poderosa, mesmo que seu semblante permaneça sutil em boa parte dos momentos. O que Cris pensa? Não sabemos, e é isso o que mais intriga. Assim como Cao, Mark, Huang e Rafnar, não conhecemos tão bem o protagonista, e só vamos vendo camada por camada à medida em que seus pensamentos vagam cada vez mais.

Além de Cris, Cao também é brasileiro e ambos se sentem em casa ao conversarem no idioma de origem, mas é com o inglês Mark com quem Cris cria fortes laços. As cenas em que os dois estão fora dos trailers falando sobre arte, com Mark entendendo (mesmo que aos poucos) o que Cris almeja fazer, são inspiradoras. A cena em que Cris mostra a Mark o poder da música, por exemplo, é uma das mais incríveis do longa e vai arrancar lágrimas dos mais sonhadores espectadores.

Sountrack é uma obra que pode passar por baixo do radar nos grandes cinemas, mas definitivamente merece ser vista na telona. Para quem ama arte, ama se expressar ou até mesmo ama ler, ver e ouvir obras do tipo, a nova empreitada da 300ml é um prato cheíssimo. Qualidade, simplicidade e força nunca trabalharam tão bem juntas! E além disso, Soundtrack possui um nome curioso. Pode não ter músicas conhecidas como o título implica, mas isso é porque ele quer dizer mais. Cris criou sua própria playlist e almeja mostrar ao mundo seus pensamentos e divagações. Isso resultou a mim muitas reflexões… no fim, acredito que o filme quer mostrar que a soundtrack da sua vida é o que você quer que ela seja, e as pessoas que ela pode alcançar importam mais do que qualquer um pode imaginar.

FICHA TÉCNICA
Direção e Roteiro – 300ml
Produção – Julio Uchôa, Isabelle Tanugi, Carlos Paiva, Selton Mello e Seu Jorge e 300ml
Coprodução – Orion, Globo Filmes, OM.art, Clan, FM Produções, Naymar/Cia Rio
Produção Associada – Mondo Cane, Cafuné, Suno Entertainment, MGP
Direção de Fotografia – Felipe Reinheimer
Direção de Arte – Tulé Peake, ABC
Fotos Cris – Oskar Metsavaht
Montagem – Felipe Lacerda
Elenco – Michael Cox & Thom Hammond
Som – Yan Saldanha
Figurino – Bia Salgado
Maquiagem – Juliana Mendes
Efeitos Visuais – Clã

ELENCO – PERSONAGENS
Selton Mello – Cris
Ralph Ineson – Mark
Seu Jorge – Cao
Lukas Loughran – Rafnar
Thomas Chaanhing – Huang
Gustavo Falcão – Amigo do Cris
J.G.Franklin – Nórdico

Esta semana nós postamos um texto sobre o filme Teus Olhos Meus, que possui já em seu título as palavras "poesia cinematográfica". Bom, a coincidência é que uma das estreias desta semana também pode ser considerada da mesma forma. Soundtrack é um longa que precisa ser visto desde o princípio com a intenção de mergulhar completamente para dentro da história, caso contrário, não trará a intensidade necessária para compreender e se emocionar. Acredite: a história pode tocar até o fundo de sua alma se você estiver apto(a) a imergir na história de Cris, um artista brasileiro que viaja para uma estação de estudos completamente isolada do mundo. Estrelado por Selton Mello, um dos melhores atores brasileiros dessa geração, Soundtrack marca a estreia da dupla 300ml na direção de longa metragens. E que ótima estreia, viu? O filme tem uma facilidade em imergir o espectador naquela estação no meio da neve de forma quase que imediata, e isso é extremamente importante para as horas de projeção que se sucedem. De início, não sabemos o que Cris quer fazer exatamente, mas a jornada de introspecção e autoconhecimento do personagem, aliado aos ensinamentos e visões artísticas que ele dá aos seus colegas, vão abrindo o caminho para que possamos entender suas intenções. Cris chega ao local sem celular e sem computador, apenas com sua playlist que, em breve, fará parte da "exposição da sua vida". Quando vê que a realidade de seus outros colegas é bem diferente da dele, o protagonista começa a questionar sua própria ideia, afinal, Cao (Seu Jorge) é um botânico brasileiro que investiga a flora em situações extremas; o britânico Mark (Ralph Ineson) é especializado em aquecimento global; o chinês Huang (Thomas Chaanhing) é um biólogo e o dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran) é um pesquisador. Como todos estão envolvidos em projetos grandiosos, a visão de Cris chega a ficar um tanto quanto confusa. Mas aos poucos todos vão interagindo cada vez mais e até mesmo o preconceito que alguns têm com Cris vai se diluindo. Os pontos de vista vão mudando e o respeito vai aumentando. Na neve, na solidão, o clima que Soundtrack possui é de longitude, distância, frieza; contudo, a paixão de Cris com a arte é o que aquece seu coração e até mesmo é o que dá ânimo ao dia-a-dia de seus colegas. Aliás, cada tomada feita fora dos trailers poderia ser emoldurada. A fotografia do filme é impecável e traz todas essas sensações enquanto assistimos, mas o que dá ainda mais chão para o misto de sentimentos é a grandiosa atuação de Selton Mello. Aqui, o ator vai além do que já faz de bom e entrega uma performance extremamente poderosa, mesmo que seu semblante permaneça sutil em boa parte dos momentos. O que Cris pensa? Não sabemos, e é isso o que mais intriga. Assim como Cao, Mark, Huang e Rafnar, não conhecemos tão bem o protagonista, e só vamos vendo camada por camada à medida em que seus pensamentos vagam cada vez mais. Além…

Soundtrack

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia

Ótimo

85

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Criadora e editora-chefe do Cinematecando | Jornalista, 24 anos. Logo na infância encontrou no cinema uma grande paixão. Ama ler, fazer maratonas de séries (de Mad Men a The Office) e é fascinada por movimentos cinematográficos como Nouvelle Vague e Neo Realismo Italiano. Se inspirou na frase "Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", do diretor Glauber Rocha, para criar o Cinematecando e fazer o que mais gosta: escrever sobre cinema. Só que, ao invés da câmera, usa as palavras para transmitir seus pensamentos. Contato: barbara@cinematecando.com.br