Posted On 01/11/2017 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Terra Selvagem

O gênero faroeste, até a década de sessenta, era o mais popular dentro da indústria cinematográfica hollywoodiana. Com No Tempo das Diligências, do renomado diretor John Ford, que este gênero começou a alçar fama – assim como o ator John Wayne, que passaria a ser visto como uma estrela de cinema. De 1939 até os dias atuais, o faroeste, assim como tudo, transformou-se. Foram aparecendo diretores – de Cecil B. DeMille a John Sturges, de Howard Hawks a Anthony Mann, de Alejandro Jodorowsky a Sam Peckinpah – que apresentariam distintas formas artísticas para um mesmo tipo de filme.

A partir destas transformações chegamos ao presente e, nele, podemos encontrar diversos subgêneros já criados, como o ‘acid western’, o faroeste espaguete, os épicos e revisionistas. Destes, o mais apresentado nos dias atuais é o faroeste contemporâneo (ou neo-western). Terra Selvagem, novo filme do já conhecido roteirista Taylor Sheridan (e agora também cada vez mais diretor), é parte deste faroeste contemporâneo.

Terra Selvagem narra a história de Cory Lambert (Jeremy Renner), caçador de predadores naturais no estado de Wyoming. Em uma de suas caçadas, encontra o corpo congelado de uma jovem, e assim se inicia uma investigação do crime com o auxílio de Jane Banner (Elizabeth Olsen), agente novata do FBI.

Taylor Sheridan tem conseguido certa notoriedade dentro da indústria nos últimos anos. Hoje, um ex-ator que criou certa alergia a exposição, e mais focado em sua escrita: escolha acertada.

Terra Selvagem continua com a empreitada de Taylor Sheridan em colocar o dedo na ferida ao retratar cenários reais desoladores, seja na fronteira com o México em Sicario: Terra de Ninguém, explorando a América profunda nas pequenas cidades do Texas em A Qualquer Custo, ou agora, nas montanhas brancas congelantes em Wyoming.

O grande mérito de Taylor Sheridan nestes três projetos é a qualidade na construção/tratamento das personagens que cria, além de conhecimento profundo tanto no campo social (até econômico) quanto emocional dos ambientes onde se passarão suas histórias. Não bastasse isso, Sheridan ainda consegue entregar sabores finais variados: no seu mais desolador e sem raio de esperança em Sicario: Terra de Ninguém; de bom entretenimento e conteúdo arrojado de viés socioeconômico da América atual em A Qualquer Custo; e em um ‘filme denúncia’ intimista que, mesmo no isolamento, sob forte nevasca, encontra vias para a empatia em Terra Selvagem.

O roteiro é clássico do gênero, sendo pouco efetivo e vibrante quando assistimos pela via do suspense, pois entrega um pouco a mais ao espectador, atrapalhando a escalada para o clímax. Porém, é de grande competência no tratamento das relações das personagens, além dos protagonistas.

Jeremy Renner está em uma atuação contida e sem exageros, mas definitivamente envolvente; sua companheira protagonista Elizabeth Olsen faz a personagem mais capaz de alcançar o público empaticamente, principalmente mulheres (obs.: sua cena final é emocionante!). Vale ressaltar também o bom trabalho dos atores Gil Birmingham e Graham Greene.

Na fotografia, ousa-se pouco, tanto que em algumas cenas, mesmo em outro ambiente, é possível encontrar similaridades com Sicario: Terra de Ninguém e A Qualquer Custo, principalmente com as tomadas aéreas, geralmente filmadas com o uso de drones. Ainda assim, essa mesma consegue elevar o grau íntimo nas cenas entre atores, além de saber se aproveitar bem das belíssimas paisagens, que encantam e isolam.

Para 2018, Taylor Sheridan já tem assinado mais um roteiro: Soldado, com Benicio del Toro e Josh Brolin, é a continuação de Sicario: Terra de Ninguém. Gera estranheza imaginar que o filme de 2015 teria sequência. Todavia, se tem uma coisa que é possível confiar até o momento, é no ótimo trabalho que Sheridan tem feito. E isso acontece porque, aparentemente, ele entendeu com virtudes uma das coisas mais básicas para o cinema: que ação é personagem, e personagem é ação.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Wind River
Direção: Taylor Sheridan
Produção: Acacia Entertainment; Savvy Media Holdings; Thunder Road Pictures; Film 44; The Weinstein Company
Roteiro: Taylor Sheridan
Gênero: Neo-Western/Suspense
Duração: 111 minutos
Elenco: Jeremy Renner (Cory Lambert); Elizabeth Olsen (Jane Banner); Gil Birmingham (Martin Hanson); Jon Bernthal (Matt Rayburn); Julia Jones (Wilma); Kelsey Chow (Natalie Hanson); Graham Greene (Ben)

O gênero faroeste, até a década de sessenta, era o mais popular dentro da indústria cinematográfica hollywoodiana. Com No Tempo das Diligências, do renomado diretor John Ford, que este gênero começou a alçar fama - assim como o ator John Wayne, que passaria a ser visto como uma estrela de cinema. De 1939 até os dias atuais, o faroeste, assim como tudo, transformou-se. Foram aparecendo diretores - de Cecil B. DeMille a John Sturges, de Howard Hawks a Anthony Mann, de Alejandro Jodorowsky a Sam Peckinpah - que apresentariam distintas formas artísticas para um mesmo tipo de filme. A partir destas transformações chegamos ao presente e, nele, podemos encontrar diversos subgêneros já criados, como o ‘acid western’, o faroeste espaguete, os épicos e revisionistas. Destes, o mais apresentado nos dias atuais é o faroeste contemporâneo (ou neo-western). Terra Selvagem, novo filme do já conhecido roteirista Taylor Sheridan (e agora também cada vez mais diretor), é parte deste faroeste contemporâneo. Terra Selvagem narra a história de Cory Lambert (Jeremy Renner), caçador de predadores naturais no estado de Wyoming. Em uma de suas caçadas, encontra o corpo congelado de uma jovem, e assim se inicia uma investigação do crime com o auxílio de Jane Banner (Elizabeth Olsen), agente novata do FBI. Taylor Sheridan tem conseguido certa notoriedade dentro da indústria nos últimos anos. Hoje, um ex-ator que criou certa alergia a exposição, e mais focado em sua escrita: escolha acertada. Terra Selvagem continua com a empreitada de Taylor Sheridan em colocar o dedo na ferida ao retratar cenários reais desoladores, seja na fronteira com o México em Sicario: Terra de Ninguém, explorando a América profunda nas pequenas cidades do Texas em A Qualquer Custo, ou agora, nas montanhas brancas congelantes em Wyoming. O grande mérito de Taylor Sheridan nestes três projetos é a qualidade na construção/tratamento das personagens que cria, além de conhecimento profundo tanto no campo social (até econômico) quanto emocional dos ambientes onde se passarão suas histórias. Não bastasse isso, Sheridan ainda consegue entregar sabores finais variados: no seu mais desolador e sem raio de esperança em Sicario: Terra de Ninguém; de bom entretenimento e conteúdo arrojado de viés socioeconômico da América atual em A Qualquer Custo; e em um ‘filme denúncia’ intimista que, mesmo no isolamento, sob forte nevasca, encontra vias para a empatia em Terra Selvagem. O roteiro é clássico do gênero, sendo pouco efetivo e vibrante quando assistimos pela via do suspense, pois entrega um pouco a mais ao espectador, atrapalhando a escalada para o clímax. Porém, é de grande competência no tratamento das relações das personagens, além dos protagonistas. Jeremy Renner está em uma atuação contida e sem exageros, mas definitivamente envolvente; sua companheira protagonista Elizabeth Olsen faz a personagem mais capaz de alcançar o público empaticamente, principalmente mulheres (obs.: sua cena final é emocionante!). Vale ressaltar também o bom trabalho dos atores Gil Birmingham e Graham Greene. Na fotografia, ousa-se pouco, tanto que em algumas cenas, mesmo em outro ambiente, é possível encontrar similaridades com Sicario:…

Terra Selvagem

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia

Ótimo

75

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