Crítica: The End Of The F*ing World (2ª Temporada) | Cinematecando

Posted On 19/11/2019 By In Críticas - Séries, Séries

Crítica: The End Of The F*ing World (2ª Temporada)

A essência do espírito adolescente e da rebeldia

Crítica The End Of The F*ing World (2ª Temporada)

Como dizia a sábia escritora e psicóloga Terri Apter, “a adolescência é a permissão da sociedade para combinar a maturidade física com a irresponsabilidade psicológica”. O final da adolescência e o início da vida adulta é um período complexo, difícil e até confuso. Não sabemos exatamente como agir, nem mesmo como exatamente as pessoas esperam que ajamos. Se as fartas expectativas em torno de nossas ações, e os obstáculos que parecem ser o fim do mundo, aliados à toda insegurança, incerteza e instabilidade emocional que enfrentamos nesse período não são suficientes para levar um adolescente tardio/jovem adulto à loucura, é difícil imaginar o que seria.

Enquanto a primeira temporada de The End Of The F*ing World tinha o nítido objetivo de entreter e divertir o público com aventuras protagonizadas por dois adolescentes rebeldes e “problemáticos”, nesta segunda temporada notamos um enfoque nas consequências (psicológicas e morais) das ações cometidas por James e Alyssa nos episódios anteriores, e também nas responsabilidades que agora ambos carregam consigo, em um processo constante de amadurecimento. Em uma abordagem diferente de séries como Atypical e BABY, aqui os altos e baixos da adolescência são transmitidos por meio de sutilezas humorísticas e dramáticas, além de atitudes e riscos inconsequentes que tecem uma trama de suspense muito bem amarrada e sufocante.

Passados dois anos dos eventos da primeira temporada (incluindo o misterioso gancho do episódio final), Alyssa (Jessica Barden) parece ter se tornado mais responsável e conformada com o rumo de sua vida, enquanto vive com sua mãe no interior do país. James (Alex Lawther), por sua vez, após sobreviver de um tiro quase fatal, não consegue esquecer Alyssa e tudo que viveram juntos. O problema é que uma misteriosa mulher chamada Bonnie (Naomi Ackie) está em busca de ambos para vingar a morte de seu amante.

Crítica The End Of The F*ing World (2ª Temporada)

A partir do momento que Bonnie se instala na vida de James e Alyssa, as pistas e recompensas são muito bem plantadas, sugerindo humor, tensão e drama simultaneamente. O espectador é colocado em uma situação de desconforto, em que sabemos mais sobre Bonnie que os protagonistas da história, e consequentemente, sobre os riscos que correm. Porém o roteiro sabiamente utiliza dessa situação para extrair cenas hilariantes e arquitetar uma narrativa gradativa de suspense que se elabora e se conclui extremamente bem ao longo de oito episódios curtíssimos.

Utilizando de um bom espaço do enredo para abordar o abuso psicológico e físico sofrido por Alyssa e os indícios depressivos de James (afinal não são personagens unidimensionais), a série nos mostra o quanto ambos precisam um do outro para enfrentar as adversidades da vida, os conflitos da vida adulta, e os traumas do passado. Se na primeira temporada os personagens, ainda adolescentes, buscavam estar sempre fugindo de seus problemas, aqui, na vida adulta, fica evidente a busca de ambos por maturidade e coragem para enfim enfrentar esses problemas, juntos obviamente.

O estranhamento provocado por músicas fora de contexto (como músicas alegres em cenas tristes) mantém sua funcionalidade e sua sugestão de humor assim como fez com sucesso na temporada anterior. Tanto a soundtrack de músicas antigas até às músicas originais puxadas para o folk, com elementos rurais e instrumentos acústicos, compostas por Graham Coxon (desta vez não tão criativo e ousado como na primeira temporada), cumprem a tarefa de gerar comicidade sem que a obra necessite de diálogos a todo tempo. Entretanto, é exatamente nos momentos em que há diálogos, mais especificamente na rápida alternância entre falas explícitas e voice overs (narracão) dos personagens que reside a maior parte do conteúdo satírico e cômico da série.

Sem intercalar cenas da infância dos protagonistas como fez na primeira temporada, mas utilizando muito mais de flashes de memória perturbadores para refletir o estado de choque dos personagens, a segunda temporada da britânica The End Of The F*ing World se mostra eficiente em sua mensagem, fiel na ótima personalidade de seus protagonistas, e nos apresenta uma aceitável conclusão para uma história que se banha no melhor que o romance e o suspense dramático pode oferecer.

Crítica The End Of The F*ing World (2ª Temporada)

A essência do espírito adolescente e da rebeldia Como dizia a sábia escritora e psicóloga Terri Apter, “a adolescência é a permissão da sociedade para combinar a maturidade física com a irresponsabilidade psicológica”. O final da adolescência e o início da vida adulta é um período complexo, difícil e até confuso. Não sabemos exatamente como agir, nem mesmo como exatamente as pessoas esperam que ajamos. Se as fartas expectativas em torno de nossas ações, e os obstáculos que parecem ser o fim do mundo, aliados à toda insegurança, incerteza e instabilidade emocional que enfrentamos nesse período não são suficientes para levar um adolescente tardio/jovem adulto à loucura, é difícil imaginar o que seria. Enquanto a primeira temporada de The End Of The F*ing World tinha o nítido objetivo de entreter e divertir o público com aventuras protagonizadas por dois adolescentes rebeldes e “problemáticos”, nesta segunda temporada notamos um enfoque nas consequências (psicológicas e morais) das ações cometidas por James e Alyssa nos episódios anteriores, e também nas responsabilidades que agora ambos carregam consigo, em um processo constante de amadurecimento. Em uma abordagem diferente de séries como Atypical e BABY, aqui os altos e baixos da adolescência são transmitidos por meio de sutilezas humorísticas e dramáticas, além de atitudes e riscos inconsequentes que tecem uma trama de suspense muito bem amarrada e sufocante. Passados dois anos dos eventos da primeira temporada (incluindo o misterioso gancho do episódio final), Alyssa (Jessica Barden) parece ter se tornado mais responsável e conformada com o rumo de sua vida, enquanto vive com sua mãe no interior do país. James (Alex Lawther), por sua vez, após sobreviver de um tiro quase fatal, não consegue esquecer Alyssa e tudo que viveram juntos. O problema é que uma misteriosa mulher chamada Bonnie (Naomi Ackie) está em busca de ambos para vingar a morte de seu amante. A partir do momento que Bonnie se instala na vida de James e Alyssa, as pistas e recompensas são muito bem plantadas, sugerindo humor, tensão e drama simultaneamente. O espectador é colocado em uma situação de desconforto, em que sabemos mais sobre Bonnie que os protagonistas da história, e consequentemente, sobre os riscos que correm. Porém o roteiro sabiamente utiliza dessa situação para extrair cenas hilariantes e arquitetar uma narrativa gradativa de suspense que se elabora e se conclui extremamente bem ao longo de oito episódios curtíssimos. Utilizando de um bom espaço do enredo para abordar o abuso psicológico e físico sofrido por Alyssa e os indícios depressivos de James (afinal não são personagens unidimensionais), a série nos mostra o quanto ambos precisam um do outro para enfrentar as adversidades da vida, os conflitos da vida adulta, e os traumas do passado. Se na primeira temporada os personagens, ainda adolescentes, buscavam estar sempre fugindo de seus problemas, aqui, na vida adulta, fica evidente a busca de ambos por maturidade e coragem para enfim enfrentar esses problemas, juntos obviamente. O estranhamento provocado por músicas fora de contexto (como músicas alegres em cenas tristes)…

The End Of The F*ing World (2ª Temporada)

Cotação

Ótimo

Cômica, tensa e criativa como a primeira temporada, série britânica encontra seu provável desfecho diante de boas reflexões sobre traumas e depressão

80