Movimentos cinematográficos | Cinematecando

Posted On 14/03/2016 By In Artigos, Filmes

Movimentos cinematográficos

O cinema é uma arte que está em constante transformação. Desde os primórdios da história dos filmes, influências como a política e as duas Guerras Mundiais foram muito importantes para movimentos cinematográficos surgirem e se tornarem conhecidos. Diversos cineastas já pensavam além de seu tempo e produziram obras com técnicas e estilos diferentes que sobreviveram por muitas décadas – e que continuarão sendo estudadas e admiradas por estudantes e profissionais do cinema.

Abaixo estão cinco dos grandes movimentos que a Sétima Arte já viveu!

Expressionismo Alemão

O movimento alemão se iniciou na década de 1920, após a Primeira Guerra Mundial, e trazia como elemento principal filmes mudos com temas sombrios. O trabalho com a fotografia, atores e o uso de sombras tornavam as obras surreais e bem semelhantes às pinturas da época. O Nazismo infelizmente deu um fim ao movimento, mas a influência dele vive até hoje: diretores como Alfred Hitchcock utilizou métodos do expressionismo alemão em suas obras iniciais, enquanto Tim Burton fez muitos filmes que remetem a um “expressionismo moderno”. Os diretores alemães que mais se destacaram no Expressionismo Alemão foram F.W. Murnau, Fritz Lang, G.W. Pabst e Robert Wien.

Filmes essenciais para entender o movimento: O Gabinete do Doutor Caligari, Nosferatu, Metrópolis, O Golem – Como ele veio ao mundo, A Última Gargalhada e M, o Vampiro de Dusseldorf.

Neorrealismo Italiano

Após a Segunda Guerra Mundial, com a Itália em ruínas, diretores italianos nadaram contra a maré de filmes hollywoodianos e começaram a filmar obras que eram poeticamente realistas, com elementos únicos: atores que não eram exatamente atores, mas cidadãos comuns, cenários reais em diversas cidades da Itália e, talvez a maior característica do movimento: histórias que exibiam os problemas sociais pós-guerra e que não acabavam em finais felizes. Os filmes são tristes e melancólicos, mas sobretudo muito reais – e algumas obras-primas do cinema foram frutos do Neorrealismo. Os maiores diretores da época foram Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti.

Filmes essenciais para entender o movimento: Roma – Cidade Aberta, Humberto D., Ladrões de Bicicleta, A Terra Treme e Os Boas Vidas.

Nouvelle Vague

O movimento francês surgiu em meados da década de 50, com escritores da revista Cahiers du Cinemá (veiculada até hoje) que queriam fazer um cinema de autor, e não comercial. O crítico André Bazin, também da Cahiers, foi uma peça chave no período ao propor a Teoria dos Autores, onde o diretor é o centro do filme. Quebrando as regras com filmagens em plenas ruas e filmes de baixo custo, a Nouvelle Vague foi incrivelmente inovadora e atraiu mais diretores posteriormente, inclusive de fora da França. A edição dos filmes foi um elemento muito usado para caracterizar o movimento, já que na maioria dos filmes há a não-linearidade e cortes repentinos. Os principais diretores da Nouvelle Vague foram Francois Truffaut, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer, Claude Chabrol e Jacques Rivette.

Filmes essenciais para entender o movimento: Os Incompreendidos, Acossado, Jules e Jim, O Demônio das Onze Horas, Cléo das 5 às 7 e O Desprezo.

Cinema Novo

“Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”. Este importante movimento brasileiro teve influência direta com a Nouvelle Vague e Neorrealismo Italiano pois também foi criado na década de 50, com jovens cineastas que buscavam uma nova forma de fazer filmes, sobretudo fora dos grandes estúdios. Os autores do Cinema Novo buscavam em seus filmes um equilíbrio entre o cinema de autor e a preocupação de formar uma consciência nacional em relação à política da época. Os grandes diretores do movimento foram Glauber Rocha, Ruy Guerra, Cacá Diegues e Joaquim Pedro de Andrade.

Filmes essenciais para entender o movimento: Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe, Macunaíma, O dragão da maldade contra o santo guerreiro, Rio 40 Graus, Os Fuzis e A Grande Cidade.

Nova Hollywood

Em 1960, os Estados Unidos estavam passando por um período de transição. As velhas regras do cinema não conseguiam acompanhar a modernidade das sitcoms em televisões, ao mesmo tempo em que, durante a Guerra do Vietnã, as pessoas começaram a se cansar de filmes como A Noviça Rebelde. Era uma nova época que se iniciava, e os jovens diretores que haviam estudado Cinema na universidade, como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Terrence Malick, Mike Nichols e John Cassavetes, começaram a brilhar. O interessante é que neste movimento não houve nenhum estilo novo, mas sim a junção de influências de movimentos antigos. Porém, os filmes não se encaixavam em “filmes de família”, eram recheados de palavrões, drogas e violência e não eram glamourosos. Mas, hoje, muitos dos filmes que se encaixam na Nova Hollywood são classificados como cult.

Filmes essenciais para entender o movimento: Táxi Driver, O Poderoso Chefão, Um Dia de Cão, A Primeira Noite de um Homem, Bonnie e Clyde, Easy Rider, O Franco Atirador, A Conversação, Perdidos na Noite e Tubarão.

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Trabalhou como assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e apresenta o canal do site no YouTube.