Posted On 25/06/2017 By In Artigos - Séries, Séries

One Day a Time: 5 exemplos de machismo expostos pela série

Por Sammy Itaborahy

One Day a Time é uma série que entrou para o catálogo da Netflix e que, infelizmente, não recebeu o seu merecido destaque. O seriado narra a história de uma família de origens cubanas que vive nos Estados Unidos da América, liderada por Penélope, uma mãe solteira e ex-militar que, com a ajuda de sua mãe Lydia, cria seus dois filhos: Alex e Elena.

Apesar de muito humor, a série nos faz refletir sobre diversos problemas da atualidade. Além de homofobia, xenofobia e conflito de gerações, também é possível perceber com clareza os diversos tipos de machismos que o programa televisivo nos apresenta. Pensando nisso, resolvi listar cinco exemplos dados na série para refletir, dialogar sobre e melhorarmos como seres humanos sempre.

1) Mães solo são descartadas imediatamente para encontros e relacionamentos

Logo no episódio piloto, temos uma amostra sutil de como isso acontece. No consultório em que trabalha, Penélope atende um cliente que, ao descobrir que a mesma é solteira, insinua-se para ela. A forma mais eficaz de interromper esse interesse é dizendo que tem filhos.

2) A objetificação da mulher

Elena está prestes a fazer quinze anos e sua família gostaria que ela fizesse uma quinceanera, também conhecida como festa de debutante. A adolescente coloca na mesa uma opinião completamente contrária ao suposto “sonho de toda garota”, com argumentos sólidos como a objetificação da mulher num evento misógino que diz aos homens que meninas agora não são mais tão meninas assim – só que são.

3) Mainsplaining e microagressões

Após um dia exaustivo de reunião no trabalho, Penélope chega à casa raivosa por ter sido contrariada e interrompida inúmeras vezes quando tentava falar. Mesmo tendo sido a única a se planejar para aquele momento, seu colega de trabalho a desvaloriza e ignora completamente suas opiniões. Por ser uma atitude tão comum, a série nos mostra através da perspectiva da adolescente feminista Elena, que o machismo não está presente somente nos assédios físicos e verbais de teor sexual, mas também e principalmente em casos como este.

4) A imposição da feminilidade

Lydia é uma mulher criada por outros tempos, numa sociedade ainda mais opressora para as mulheres. Por causa disso, ela acredita e perpetua a ideia de que uma mulher deve valorizar sua imagem e, qualquer coisa contrária a isso, seria desleixo. Por outro lado, Elena não alimenta esse tipo de utopia e não tem qualquer preocupação com o que os outros pensam referente à sua feminilidade. O choque das gerações é grande, embora a lição que fique seja ainda maior.

6) A falta de reconhecimento da mulher no trabalho

Como já se sabe desde os primórdios, a mulher não é valorizada em seu ambiente de trabalho. Nos tempos atuais, estatisticamente o sexo feminino recebe 30% a menos do que o masculino, exercendo uma função idêntica – embora tenhamos que trabalhar mais arduamente para mantermos nossos empregos. Penélope se dedica na clínica que trabalha como ninguém e fica completamente sem chão ao descobrir que o seu colega de trabalho recebe mais do que ela, fazendo menos. Outra situação que a mesma destaca foi quando serviu ao exercito, onde diz que superou os assédios sexuais verbais se tornando uma soldada melhor que qualquer um, até que no fim ninguém a enxergava como mulher mais.

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