Posted On setembro 1, 2016 By In Filmes, Um Diretor e Um Filme

Um diretor e um filme: Woody Allen

Roteirista, diretor, ator, escritor, músico e ainda comediante. Fácil? Nem um pouco não é mesmo? Pois Woody Allen é alguém que podemos chamar de full career man, ou seja, um homem de carreira cheia. É com este artista genial que trazemos de volta a sessão mensal: Um diretor e um filme. Esperamos que goste!

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Woody começou suas atividades aos 15 anos, em 1950, escrevendo para colunas de jornais e programas de rádio, mas suas atividades no cinema só iniciaram aos 30 anos, com o filme O que é que há Gatinha? (1965), o qual roteirizou, além de também ter atuado ao lado de lendas do cinema como Peter Sellers, Peter O’Toole, e Romy Schneider.

O filme rendeu ao homem uma indicação de melhor roteirista no WGA (Writers Guild of America), e foi o suficiente para mostrar para o mundo o talento do então iniciante ator e roteirista, e o impulsionou para futuras obras primas que brotariam em sua longa e bela filmografia.

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Ao longo dos anos, Woody Allen se tornou, além de ator e roteirista, um diretor, e foi mantendo a incrível média de um filme por ano (a qual segue até hoje), sempre tratando da maneira mais original e realista possível o tema em que se baseia praticamente todos os seus filmes: relacionamentos.

Alguns de seus maiores clássicos do século XX são: Manhattan (1979), A Rosa Púrpura do Cairo (1985), Hannah e Suas Irmãs (1986), Crimes e Pecados (1989), Poderosa Afrodite (1995) e Desconstruindo Harry (1997), nos quais traz de forma cômica e satírica várias histórias inéditas com personagens femininas fortes, o que o transformaria no rei das comédias românticas.

Porém, é necessário afirmar que nenhum outro filme de sua carreira fez tanto sucesso quanto Annie Hall, ou como é conhecido no Brasil, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de 1977. No filme, ele foi diretor e roteirista, além de atuar ao lado de uma de suas maiores revelações femininas, Diane Keaton. O filme rendeu vários prêmios, incluindo Oscar de melhor direção, melhor roteiro original, melhor filme e melhor atriz principal.

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Mesmo recebendo ótimas críticas de vários espectadores, muitas pessoas não se convenciam com o estilo de filme cotidiano e espontâneo apresentado pelo diretor. Achavam que suas ideias já tinham se esgotado e que o novo século seria o fim para Woody Allen. Isso começou a se confirmar com seus primeiros anos/filmes do século XXI, que se basearam em uma narrativa entediante, criticados pelo próprio diretor como: O Escorpião de Jade (2001), Dirigindo no Escuro (2002) e Igual a Tudo na Vida (2003).

No entanto, foi com Melinda e Melinda (2004) que o Woody começou a voltar ao que era: um cineasta único e criativo. E quando chegou aos cinemas o filme Ponto Final – Match Point (2005), todos tinham certeza que era uma nova época para o cinema de um dos roteiristas mais respeitosos do mundo.

Não muito tempo depois, Woody Allen nos ofereceu belas obras, alterando entre momentos ótimos e medianos, mas que definitivamente conquistaram ainda mais seus fãs através de enredos interessantíssimos em filmes como: Vicky Cristina Barcelona (2008), Tudo Pode Dar Certo (2009) e Blue Jasmine (2013).

Alguns de seus filmes mais recentes são: Para Roma com Amor (2012), Magia ao Luar (2014), Homem Irracional (2015) e sua mais nova obra, deste ano, chamada Café Society (leia a crítica do Cinematecando aqui).

É inegável que seu melhor filme dos últimos anos tenha sido Meia-Noite em Paris (2011), que conta com um elenco talentoso e um roteiro bem executado, que até deu à Woody mais um Oscar de melhor roteiro original.

woody4Woody é um velho polêmico e excêntrico que possui uma das mentes mais inteligentes do cinema. Produz filmes recheados de referências culturais e artísticas, e trata como ninguém as relações pessoais de um casal e seus problemas de rotina, que se assemelham de maneira notável com nosso dia a dia.

Após toda essa introdução da grande carreira deste homem, é chegado o momento principal da sessão. Nós do Cinematecando adoramos muitos dos filmes de Woody Allen, mas precisávamos escolher apenas um para a sessão Um diretor e um filme, e então optamos por uma singularidade na obra do realizador, seu único filme originalmente considerado um musical.

Possuindo um elenco estelar cheio de astros da época, como Alan Alda, Goldie Hawn, Julia Roberts, Edward Norton, Drew Barrymore e Natalie Portman, é um filme que nos encanta a cada música de uma trilha sonora repleta de clássicos do jazz, além de várias histórias românticas que acontecem ao mesmo tempo.

O filme se chama Todos Dizem Eu Te Amo, de 1996.
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Bons filmes musicais estão em falta em nosso século. Com exceção de poucos, o cinema está se perdendo na mão de músicas atuais, bobas, cheias de edição e sem nenhuma paixão. Mas esse filme de Woody Allen vem para resgatar elementos majestosos de musicais clássicos do cinema como Cantando na Chuva (1952) e O Mágico de Oz (1939).

No geral, exceto pelas cenas musicais, não é um filme que difere muito das outras obras do diretor, pois tem o mesmo conteúdo de conversas rápidas, os mesmos contextos amorosos e atuações coerentes com os sentimentos. Você vai se maravilhar com a capacidade de imersão deste filme de cores claras e diálogos realistas, que vão acabar te fazendo se sentir dentro da obra.

Apesar do musical não ter ganho com bilheterias nem metade do orçamento investido na produção e ter representado um grande déficit financeiro, ele ainda é considerado por muitos cinéfilos um dos melhores musicais dos últimos tempos.

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Sem dúvidas é um dos filmes mais tocantes de Woody Allen; emocionante do começo ao fim, mas que aposta alto no estilo musical contido, uma vez que não se constitui de músicas populares.

Faça um bem a si mesmo e assista à essa obra-prima do diretor, roteirista e ator que mais vezes trouxe comédias dramáticas e românticas para a telona.

Fica a nossa dica e até o próximo Um diretor e um filme!

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Redator do Cinematecando | Estudante de Cinema, 18 anos. Aspirante a roteirista, desde criança acompanhava seus pais até uma das locadoras de sua cidade para alugar os mais variados filmes; aí nasceu sua paixão pela Sétima Arte. Considera-se fanático por Cinema Clássico, Jazz e Jogos Eletrônicos, de preferência com uma boa história.