Crítica: XX

Fiquei sabendo sobre XX no ano passado e estava extremamente animada. Quatro curtas de terror dirigidos somente por mulheres é algo muito difícil de se ver, então minha animação foi clara. Mas, infelizmente, o filme não é tão bom quanto eu estava esperando.
XX contém quatro curtas: “The Box”, “The Birthday Party”, “Don’t Fall” e “Her Only Living Son”.
A primeira história é dirigida por Jovanka Vuckovic. Ela e seus dois filhos estão em um vagão de trem e um homem está sentado ao lado deles com uma caixa vermelha. O homem permite que seu filho Danny olhe dentro da caixa, e após ver o que tem dentro (que nunca é revelado ao público) ele se recusa a comer qualquer tipo de comida. Danny conta para seu pai e sua irmã o que havia dentro da caixa, e os dois se recusam a comer. Quando a mãe de Danny pergunta o que havia na caixa, ele diz que não tinha “nada”. Os três acabam morrendo de fome, e a mãe de Danny começa a procurar o homem no metrô novamente em busca de respostas. A história é intrigante, mas não sou do tipo de pessoa que gosta de histórias que não têm nada a dizer. A vibe “creepy” do curta nos mantém presos esperando por uma resposta. Por que eles pararam de comer? Qual o propósito da história? É uma crítica social ou simplesmente uma história para nos deixar desconfortáveis? A falta de um clímax nos deixa com um gosto amargo na boca… mas será que era esse o propósito?
Já “The Birthday Party” tem um clima mais cômico. Dirigida por Annie Clark, a história é sobre uma mãe que tem que esconder o corpo do marido da filha – que está fazendo aniversário. Não tendo tempo de achar um lugar apropriado antes da festa começar, ela coloca o corpo do marido dentro de uma fantasia de panda e o deixa sentado em uma cadeira. Na hora do parabéns, o corpo do marido cai em cima do bolo, e quando a mãe tenta levantá-lo para a posição original a máscara de panda sai de seu rosto e as crianças começam a gritar desesperadas. Quando o título completo aparece na tela, percebemos que é uma história que a aniversariante está tentando tratar no futuro com a terapeuta. Assim como “The Box”, apesar de ser cômico, o filme continua seguindo a vibe creepy dos famosos thrillers psicológicos atuais. A atuação de Melanie Lynskey é algo que eu sempre admirei, e ela brilha nessa história.
As histórias que me deixaram com um pouco mais de medo por conta do clima totalmente perturbador foram “Don’t Fall” e “Her Only Living Son”. A primeira é sobre um grupo de amigos que estão em uma expedição no deserto e acham uma caverna, e a segunda é sobre uma mãe e seu filho “problema”. Não quero revelar muito sobre as histórias pois vale a pena assistir; nem que for só por essas duas. Mas principalmente “Don’t Fall” é o clima que eu estava esperando para o filme todo, o que não foi alcançado.
Apesar de gostar muito do fato das histórias serem dirigidas somente por mulheres e elas realizarem um trabalho diferente das histórias de terror “normais”, nada superou muito minhas expectativas, mas mesmo assim vale como entretenimento em uma sexta à noite.
Que filmes produzidos e dirigidos por nós apareçam cada vez mais. Adoraria assistir mil outras histórias feitas por mil outras mulheres! A perspectiva de cada uma brilha em cada um dos curtas, o que foi muito legal de se ver! Não foi espetacular, mas me diverti da mesma forma.