Cine PE 2018: Cobertura do 2º dia | Cinematecando

Posted On 02/06/2018 By In Filmes, Notícias

Cine PE 2018: Cobertura do 2º dia

Homenagem a Cássia Kis e abertura da Mostra Competitiva de Longas com duas obras cariocas marcaram a noite no Cinema São Luiz

O Cine PE lotou novamente o Cinema São Luiz, no centro de Recife. A segunda noite de festival contou com a ilustre participação da atriz Cássia Kis, uma das homenageadas desta edição, e com a apresentação de quatro curtas, sendo três deles parte da Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Nacionais (Mostra Curta Brasil).


Os curtas

De diferentes estados do país, os três curtas apresentados em competição demonstram a variedade dos temas e abordagens e o cuidado das escolhas da curadoria do festival.

Inspirado em uma lenda urbana de Cuiabá, Teodora Quer Dançar (MT) conta a história de um advogado que se apaixona por uma mulher bela e misteriosa. Balanceia (RO) traz ricas imagens do festival folclórico na ilha de Parintins, e Banco Brecht (PE) “brinca” com a relação dos bancos e indivíduos com uma história dinâmica e que divertiu a plateia.


Os longas

Abrindo a Mostra Competitiva de Longas-Metragens, Christabel, de Alex Levy-Heller, conta a história de uma jovem que, ao encontrar na figura de Geraldine uma mentora e amiga, vai se conhecendo e questionando sua vida e relações afetivas. Baseado em um antigo poema não finalizado do autor britânico Samuel Taylor Coleridge (1772-1834), o filme possui traços marcantes de cinema fantástico e nos faz mergulhar em um clima aparentemente sereno, mas que possui muitos mistérios a serem descobertos gradativamente. A sensação de desconhecimento que o longa vai apresentando aos poucos só cresce com as atuações da dupla feminina (interpretadas pelas atrizes estreantes Milla Fernandez e Lorena Castanheira). Destaque para a protagonista Milla, que esbanja naturalidade e inocência até mesmo quando vai se encontrando como mulher. Christabel dividiu opiniões mas, sem dúvida, é uma obra que vale a pena ser conferida.

Fechando a segunda noite de festival, Os Príncipes, de Luiz Rosemberg Filho, no entanto, não provoca sentimentos de imersão ou curiosidade como em Christabel. Muito pelo contrário, fez alguns espectadores saírem do cinema antes de sua conclusão. O filme pode ser considerado como uma experiência difícil de ser digerida – principalmente pela direção e roteiro frenéticos que aparentam se espelhar ligeiramente no clássico Laranja Mecânica mas falham na tentativa. Além disso, próximo do desfecho são inseridas críticas à polícia para justificar os erros e o comportamento dos protagonistas. O curioso é que, em meio a tantas situações e diálogos mal costurados, muito pouco é justificado, e toda a experiência que a história traz não impacta. Mesmo tentando atingir isso a todo o custo.


A homenagem

O grande momento da noite, no entanto, foi a homenagem à atriz Cássia Kis, que recebeu a honraria máxima do evento, o Troféu Calunga de Ouro. Surpreendida pela produção do festival, Kis se emocionou ao descobrir que receberia o prêmio das mãos do ator Gabriel Leone, que interpretou seu filho na novela global das 23h Os Dias Eram Assim. Em seu discurso para a atriz, Leone revelou: “Desde antes de eu pensar em fazer teatro, de ter qualquer relação com a arte, eu te admirava. Quando eu te conheci, esse sentimento extrapolou, não só artisticamente falando, mas como pessoa”.

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Trabalhou como assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e apresenta o canal do site no YouTube.