Crítica: Assassinato no Expresso do Oriente | Cinematecando

Posted On 29/11/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Assassinato no Expresso do Oriente

Agatha Christie de volta em nova adaptação de um de seus maiores sucessos

O livro é de 1934. A primeira adaptação cinematográfica é de 1974. E agora, mais de 40 anos após a bem elaborada versão de Sidney Lumet para o clássico da escritora inglesa Agatha Christie, chega a vez de Kenneth Branagh dar seu próprio toque e direção a essa história dentro do Expresso do Oriente. Mas, afinal, a nova adaptação faz jus a magnitude do quebra-cabeça entregue ao icônico personagem Hercule Poirot?

Não muito diferente de Lumet, que transmitiu com elegância os acontecimentos dentro do luxuoso trem e contou com um elenco de peso (que vai de Sean Connery e Vanessa RedgraveIngrid Bergman, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação como Greta Ohlsson), Branagh (que dá vida a Poirot) também entende o ar enigmático da trama e sabe aproveitar bem essa qualidade, criando uma chama em meio à neve que cerca o detetive e os passageiros do Expresso. Tal chama se mantém acesa desde o momento em que pisa no trem, até o momento que soluciona o caso.

É importante ressaltar que a maior diferença entre os dois filmes parte do fato de que o caminho que Branagh segue é mais dramático do que o do filme de 74. Ambos seguem o livro à risca, mas a versão de 2017 vai um pouco além em sua mensagem, destacando um cinema autoral muito bem-vindo a uma obra que ora segue o estilo blockbuster, ora busca ser “algo a mais”. Essa mistura de composição própria e fidelidade com a obra original torna eficiente o trabalho do diretor de 56 anos, que é mais do que experiente em teatro (ele dirigiu e estrelou alguns filmes baseados em peças de Shakespeare, incluindo Hamlet).

Uma das maiores qualidades de Assassinato no Expresso do Oriente é, sem dúvidas, sua direção. É ver como o diretor usa o trem como um palco, tornando cada compartimento um local para que tanto o seu personagem quanto o resto do elenco participem ativamente da narrativa não somente através do roteiro inteligente como também dos objetos e ambientes. A segurança de Branagh como diretor é seu maior mérito. Tendo em vista que o mistério não se constrói apenas com trilha sonora ou falas, inúmeros planos e posicionamentos diferenciados de câmera ajudam a engrandecer o filme e, por consequência, tornam ainda mais marcante todo o seu clima misterioso. O belíssimo trabalho de fotografia feito por Haris Zambarloukos (que trabalhou com o diretor em Thor e Cinderela) também merece toda a atenção.

Como ator, Branagh também segue por bons caminhos, dando a Hercule Poirot uma decente introdução e a consistência que seu personagem (o melhor detetive do mundo) merece. Com pitadas de ironia e o perfeccionismo e extravagância há muito conhecidos pelos fãs, ele não chega a ter a mesma força de Albert Finney em tela, mas de certa forma dá vida a um personagem mais “agradável” que o último. Inclusive, não é exagero dizer que seu Poirot é realmente encantador – principalmente por entregar um lado sentimental com muito capricho.

O mistério intriga e os personagens ajudam a tornar tudo compreensível – desde o impacto da morte de Samuel Ratchett (Johnny Depp, que não aparece tanto, mas também entrega algo melhor que seu já ultrapassado Jack Sparrow) até os diversos depoimentos feitos por cada um dos 12 passageiros do trem. O elenco é realmente estelar: Daisy Ridley, Penelope Cruz, Judi Dench, Willem Dafoe, Josh Gad, Leslie Odom Jr. e Olivia Coleman rondam os vagões do trem interpretando personagens que, mesmo sem muito desenvolvimento, possuem diálogos que já situam o que cada um é e o que podem (ou não) ter feito – prova de que o roteiro funciona. Por serem coadjuvantes diante de um grande crime, todos fazem um bom trabalho. Porém, o grande destaque vai para Michelle Pfeiffer, que além de ser bem dirigida por Branagh (especialmente nas últimas cenas do longa), traz um charme peculiar. Daisy Ridley já começa a solidificar uma carreira que ainda está muito ligada ao universo de Star Wars e demonstra carisma de sobra.

Infelizmente, nunca saberemos se a autora mais vendida do mundo estaria 100% realizada com esta nova adaptação de Assassinato no Expresso do Oriente assim como ficou com o longa de 74, mas é clara a intenção de seguir com uma franquia baseada em outras inúmeras boas histórias de Christie. Kenneth Branagh começou com o pé direito e seu filme chamará a atenção tanto daqueles que leram o livro quanto daqueles que simplesmente adoram uma boa história recheada de mistério. Resta saber se o futuro deste projeto, repaginado, caprichoso e moderno, continuará a andar nos trilhos.

FICHA TÉCNICA
Estreia: 30 de novembro de 2017
Duração: 114 minutos
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Agatha Christie, Michael Green
Produção: Judy Hofflund, Kenneth Branagh, Mark Gordon, Simon Kinberg
Fotografia: Haris Zambarloukos
Trilha Sonora: Patrick Doyle
Estúdio: Genre Films, Kinberg Genre, Twentieth Century Fox Film Corporation
Montador: Mick Audsley
Distribuidora: Fox Film do Brasil

Agatha Christie de volta em nova adaptação de um de seus maiores sucessos O livro é de 1934. A primeira adaptação cinematográfica é de 1974. E agora, mais de 40 anos após a bem elaborada versão de Sidney Lumet para o clássico da escritora inglesa Agatha Christie, chega a vez de Kenneth Branagh dar seu próprio toque e direção a essa história dentro do Expresso do Oriente. Mas, afinal, a nova adaptação faz jus a magnitude do quebra-cabeça entregue ao icônico personagem Hercule Poirot? Não muito diferente de Lumet, que transmitiu com elegância os acontecimentos dentro do luxuoso trem e contou com um elenco de peso (que vai de Sean Connery e Vanessa Redgrave a Ingrid Bergman, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação como Greta Ohlsson), Branagh (que dá vida a Poirot) também entende o ar enigmático da trama e sabe aproveitar bem essa qualidade, criando uma chama em meio à neve que cerca o detetive e os passageiros do Expresso. Tal chama se mantém acesa desde o momento em que pisa no trem, até o momento que soluciona o caso. É importante ressaltar que a maior diferença entre os dois filmes parte do fato de que o caminho que Branagh segue é mais dramático do que o do filme de 74. Ambos seguem o livro à risca, mas a versão de 2017 vai um pouco além em sua mensagem, destacando um cinema autoral muito bem-vindo a uma obra que ora segue o estilo blockbuster, ora busca ser "algo a mais". Essa mistura de composição própria e fidelidade com a obra original torna eficiente o trabalho do diretor de 56 anos, que é mais do que experiente em teatro (ele dirigiu e estrelou alguns filmes baseados em peças de Shakespeare, incluindo Hamlet). Uma das maiores qualidades de Assassinato no Expresso do Oriente é, sem dúvidas, sua direção. É ver como o diretor usa o trem como um palco, tornando cada compartimento um local para que tanto o seu personagem quanto o resto do elenco participem ativamente da narrativa não somente através do roteiro inteligente como também dos objetos e ambientes. A segurança de Branagh como diretor é seu maior mérito. Tendo em vista que o mistério não se constrói apenas com trilha sonora ou falas, inúmeros planos e posicionamentos diferenciados de câmera ajudam a engrandecer o filme e, por consequência, tornam ainda mais marcante todo o seu clima misterioso. O belíssimo trabalho de fotografia feito por Haris Zambarloukos (que trabalhou com o diretor em Thor e Cinderela) também merece toda a atenção. Como ator, Branagh também segue por bons caminhos, dando a Hercule Poirot uma decente introdução e a consistência que seu personagem (o melhor detetive do mundo) merece. Com pitadas de ironia e o perfeccionismo e extravagância há muito conhecidos pelos fãs, ele não chega a ter a mesma força de Albert Finney em tela, mas de certa forma dá vida a um personagem mais "agradável" que o último. Inclusive, não é exagero dizer que seu Poirot é realmente encantador -…

Assassinato no Expresso do Oriente (2017)

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Trilha-Sonora
Montagem

Ótimo

82

Tags : , , , ,