Crítica: Carol | Cinematecando

Posted On 06/01/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Carol

Quando falamos sobre uma boa história de amor, ela consequentemente abrange sub-temas que se entrelaçam com a trama principal. Em Carol, somos espectadores de um relacionamento entre duas mulheres, mas o filme não se trata apenas disso. Aliás, é o pano de fundo do enredo que torna tudo mais interessante. A busca pela felicidade, o receio constante de ser sincero consigo mesmo e a dificuldade de viver em meio ao puritanismo americano de 1950 são questões que o diretor Todd Haynes (de Não Estou Lá) aborda com requinte, sem extravagâncias.

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Em Nova York, a jovem Therese Belivet (Rooney Mara) trabalha em uma loja de departamentos e aspira em ser fotógrafa. Certo dia, em plena época de Natal, conhece Carol Aird (Cate Blanchett), uma mulher elegante e sedutora, porém frágil devido ao seu casamento falido e sua sexualidade oprimida. A ligação entre as duas personagens é praticamente imediata, e o carinho mútuo, embaralhado com o receio dos julgamentos alheios, é exposto sutilmente por olhares e gestos. E é aí que Haynes chega à perfeição: nos detalhes.

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Carol é elegante em todos os sentidos. Seja nos enquadramentos diferenciados – que dizem muito mais do que palavras, no figurino, nas cores que compõem as cenas ou na recriação perfeita daquela época, é imprescindível dar atenção aos aspectos técnicos da produção. Tudo é tão impecável quanto um filme feito no século passado, só faltando ser em preto e branco.

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O roteiro cheio de beleza e graciosidade, aliado às atuações das protagonistas, proporciona um tom íntimo e delicado ao longa. A Carol de Cate Blanchett se assemelha à Mrs. Robinson (de A Primeira Noite de um Homem), atraindo Therese para seu mundo. É aparentemente inquebrável e, mesmo quando se quebra, continua apaixonante. Por outro lado, Rooney Mara expressa doçura e sensibilidade, até chegando a lembrar Audrey Hepburn em alguns momentos. Mas é quando começa a desabrochar depois de conhecer Carol que transpõe mais maturidade e sensatez. As atuações de ambas capturam muito bem as sensações de quando uma pessoa se apaixona. Carol e Therese são mulheres inseguras que apenas querem revelar seus sentimentos de maneira sincera.

Lançado no Festival de Cannes 2015 e nominado ao Palma de Ouro no mesmo ano, Carol também concorre a cinco prêmios no Globo de Ouro 2016: Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora. Mas, ganhando todos esse prêmios ou não, o filme já é memorável por si só.

FICHA TÉCNICA
Direção: Todd Haynes
Produção: Elizabeth Karlsen, Stephen Wooley, Christine Vachon
Roteiro: Phyllis Nagy, Patricia Highsmith. Baseado no livro The Price of Salt de Patricia Highsmith (1952)
Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson, Kyle Chandler
Música: Carter Burwell
Direção de fotografia: Edward Lachman
Figurino: Sandy Powell

Quando falamos sobre uma boa história de amor, ela consequentemente abrange sub-temas que se entrelaçam com a trama principal. Em Carol, somos espectadores de um relacionamento entre duas mulheres, mas o filme não se trata apenas disso. Aliás, é o pano de fundo do enredo que torna tudo mais interessante. A busca pela felicidade, o receio constante de ser sincero consigo mesmo e a dificuldade de viver em meio ao puritanismo americano de 1950 são questões que o diretor Todd Haynes (de Não Estou Lá) aborda com requinte, sem extravagâncias. Em Nova York, a jovem Therese Belivet (Rooney Mara) trabalha em uma loja de departamentos e aspira em ser fotógrafa. Certo dia, em plena época de Natal, conhece Carol Aird (Cate Blanchett), uma mulher elegante e sedutora, porém frágil devido ao seu casamento falido e sua sexualidade oprimida. A ligação entre as duas personagens é praticamente imediata, e o carinho mútuo, embaralhado com o receio dos julgamentos alheios, é exposto sutilmente por olhares e gestos. E é aí que Haynes chega à perfeição: nos detalhes. Carol é elegante em todos os sentidos. Seja nos enquadramentos diferenciados - que dizem muito mais do que palavras, no figurino, nas cores que compõem as cenas ou na recriação perfeita daquela época, é imprescindível dar atenção aos aspectos técnicos da produção. Tudo é tão impecável quanto um filme feito no século passado, só faltando ser em preto e branco. O roteiro cheio de beleza e graciosidade, aliado às atuações das protagonistas, proporciona um tom íntimo e delicado ao longa. A Carol de Cate Blanchett se assemelha à Mrs. Robinson (de A Primeira Noite de um Homem), atraindo Therese para seu mundo. É aparentemente inquebrável e, mesmo quando se quebra, continua apaixonante. Por outro lado, Rooney Mara expressa doçura e sensibilidade, até chegando a lembrar Audrey Hepburn em alguns momentos. Mas é quando começa a desabrochar depois de conhecer Carol que transpõe mais maturidade e sensatez. As atuações de ambas capturam muito bem as sensações de quando uma pessoa se apaixona. Carol e Therese são mulheres inseguras que apenas querem revelar seus sentimentos de maneira sincera. Lançado no Festival de Cannes 2015 e nominado ao Palma de Ouro no mesmo ano, Carol também concorre a cinco prêmios no Globo de Ouro 2016: Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora. Mas, ganhando todos esse prêmios ou não, o filme já é memorável por si só. FICHA TÉCNICA Direção: Todd Haynes Produção: Elizabeth Karlsen, Stephen Wooley, Christine Vachon Roteiro: Phyllis Nagy, Patricia Highsmith. Baseado no livro The Price of Salt de Patricia Highsmith (1952) Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson, Kyle Chandler Música: Carter Burwell Direção de fotografia: Edward Lachman Figurino: Sandy Powell

Nota

Carol

Ótimo

85

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.