Crítica: Deadpool | Cinematecando

Posted On 15/02/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Deadpool

Ryan Reynolds certamente gostaria de esquecer sua primeira aparição como Deadpool no filme X-Men Origens: Wolverine (2009). E os fãs de quadrinhos também. Mas não é que coisas ruins podem se transformar em coisas boas? Quem diria que em 2016, anos após aquela aparição desastrosa, o tal mercenário (novamente vivido por Reynolds) seria o assunto do momento com um filme para chamar de seu e uma estreia arrasadora no cinema para acompanhar? Só no final de semana de estreia nos EUA, o longa bateu o recorde de arrecadação de 135 milhões de dólares e já cobriu seu valor de produção, que foi de 60 milhões. Reynolds é, sem dúvidas, o ator perfeito para encarnar Deadpool – ele pode não ter começado com o pé direito mas, hoje, digamos que está chutando portas com os dois pés provando o contrário. Ryan Reynolds encontrou em seu Wade Wilson a mesma fórmula que Robert Downey Jr. encontrou em seu Homem de Ferro. E não é só pelo jeito irreverente e natural com que trabalha o personagem, mas também pela força de vontade e envolvimento que teve para fazer a Fox torcer o braço e, enfim, dar o sinal verde para prosseguir com o filme solo do anti-herói, mesmo após o fracasso de crítica de X-Men Origens. Felizmente, de fracasso o filme do estreante Tim Miller não tem nada. A direção dinâmica aliada ao roteiro escrito pela dupla Rhett Reese e Paul Wernick - ambos roteiristas de Zumbilândia (2010) - e a um elenco equilibrado, formam uma produção insana e muito contagiante. Já nos créditos iniciais o espectador pode ver que Deadpool não é “só mais um filme de herói”, afinal, os heróis são os principais alvos de piada do mercenário, incluindo Colossus e a Míssil Atômico Adolescente, dois mutantes que participam da história. Acima dos banhos de sangue e do humor negro, Deadpool também pode ser considerado como uma história de amor. O relacionamento de Wade e Vanessa (vivida por Morena Baccarin) é parte importante da trama, assim como o câncer do protagonista, que é um dos motivos que fazem Wade conhecer seu alter ego, Deadpool, e buscar a vingança com o vilão Ajax (ou melhor, Francis). A narrativa não-linear, as cenas de ação com o artifício da câmera lenta, os efeitos especiais, a trilha sonora que participa da narrativa e as piadas desbocadas de Deadpool são elementos que tornam esse filme, feito de fã para fã, tão especial. Ah, e é claro que a tradicional participação de Stan Lee é exatamente como o esperado: hilária! Divertido como Guardiões da Galáxia (2014) e longe de ser aquilo que a Fox entregou com o remake de Quarteto Fantástico em 2015, Deadpool é um perfeito exemplo de que, para ser bom, uma história adaptada dos quadrinhos para o cinema não precisa seguir a linha da seriedade a todo o momento. Desta vez, a pequena parcela que a produtora detém da Disney/Marvel foi muito bem aproveitada! Agora vai ser difícil mesmo fazer o tagarela parar de falar... FICHA TÉCNICA Direção: Tim Miller Roteiro: Paul…

Nota

Deadpool

Excelente

92

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.