Crítica: Elle | Cinematecando

Posted On 24/11/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Elle

elle

É prova que, com apenas duas forças, é possível criar um cinema colossal. Foi isso que o diretor holandês Paul Verhoeven (RoboCop – O Policial do Futuro, O Vingador do Futuro, Instinto Selvagem) e a atriz francesa Isabelle Huppert (A Professora de Piano, Huckabees – A Vida é uma Comédia, Amor) fizeram em Elle, filme representante da França para o Oscar em 2017.

Elle acompanha a vida de Michèle LeBlanc (Isabelle Huppert), que é chefe-executiva de uma empresa que cria jogos para videogames. E é assim que o transgressor diretor holandês nos apresentará Michèle, durante seus cento e trinta minutos de duração: como ‘a chefe do jogo’.

Da primeira cena do filme, onde Michèle é violentada física e sexualmente por um homem mascarado, até a última cena, em um cemitério, ao lado de sua única “amiga” Anna (Anne Consigny), ela mostra ter posse total do controle do ‘jogo da sua vida’.

O ‘joystick’ está na mão dela!

Foi isso que Paul Verhoeven quis para sua protagonista. Diretor este, que também é um bom manipulador. Em Elle, não há preocupação extrema com fotografia, trilha sonora, ou uma edição dinâmica, não. Tudo o que temos em Elle, é a mente holandesa de um diretor que adora explorar violência explícita, sexualidade e até, sátira. Verhoeven é um zombador, um trocista. Ele “provoca” feministas, ao mesmo que pratica empoderamento através do estupro. Um desbravador audacioso. Vingança, rebeldia, sadismo, libertinagem, revolta, ultraje, choque, violação… palavras e conceitos estes, que na mão deste diretor, em alguns de seus filmes, ganham uma roupagem provocadora, e um humor (negro, no caso) delicioso. Uma verdadeira cruzada de pernas para o público na poltrona.

Entender a mente deste diretor, é conhecer quem é Michèle, interpretada com primazia por Isabelle Huppert. Michèle é manipuladora, agressiva em suas palavras, sensual, incitadora, poderosa, vingativa, sádica… e Isabelle Huppert consegue encapsular tudo isso, além de um humor inebriante, como uma luva em um dia frio de inverno. Ela foi um nítido reflexo de seu diretor.

Como dito antes, Michèle produz jogos de videogame (com uma preferência por jogos violentos e hipersexualizados, vale notar), mas ela é também uma jogadora especialista na vida real. Michèle busca controlar as situações, mesmo as mais sórdidas, e as pessoas em sua volta. Ela controla tudo o que puder e todos que quer.

Ela controla seu amante, provocando-o com outro homem, além de voltar e terminar seu relacionamento com ele, repetidamente; ela controla sua melhor “amiga” com a maternidade (além de uma certa dependência carente) usando seu próprio filho; controla seu ingênuo (e idiota!) filho, e seu relacionamento em ebulição com sua nora; controla seu sonhador ex-marido com ciúmes e também, com afagos, mantendo-o sob sua tutela; controla seu viril vizinho, vorazmente com seu corpo e ímpeto; controla sua “idosa” (ótima personagem interpretada por Judith Magre) e dependente mãe com humilhações, e consegue inclusive, controlar a vida trágica de seu pai, preso por décadas, por um massacre sanguinolento que cometera quando Michèle era só uma menina.

Mais impressionante ainda, é que Michèle consegue controlar até seu estupro, pois sua reação ao ocorrido é fria, consciente e de comportamento pragmático. Inclusive, quando se abre ao casal de amigos e o ex-marido em um jantar sobre o ocorrido, diz que ‘acha que foi estuprada’ (sim, ela disse ‘acha’!), e depois de jogar tal polêmica sobre a mesa, faz pouco caso, e pede para mudarem de assunto. Puro controle.

Recentemente, tivemos outra personagem feminina marcante e muito interessante nos cinemas: a personagem Clara interpretada por Sônia Braga, no filme Aquarius. Ambas, ela e Michèle, são pilares centrais em seus respectivos filmes, e também mostram uma habilidade incrível de agregar tantas sensações e conceitos numa única pessoa. Todavia, a grande diferença destas duas personagens, está no fato de Clara ser mais definida pelos acontecimentos de sua vida, e sua reação a esses fatores externos fora de seu controle; e Michèle, em ser a ação e reação do seu próprio destino, onde nada parece convidado a entrar sem sua permissão.

O jogo é dela e o controle está em suas mãos. Não a provoque!

FICHA TÉCNICA
Título Original: Elle
Direção: Paul Verhoeven
Produção: SBS Productions; Pallas Film; France 2 Cinéma; Entre Chien et Loup; Canal+; France Télévisions; Orange Cinéma Séries; Casa Kafka Pictures; Proximus; Centre National de la Cinématographie; Filmförderungsanstalt; SBS Distribution (France).
Roteiro: David Birke
Gênero: Thriller psicológico
Duração: 130 minutos
Classificação: 14 anos
Elenco: Isabelle Huppert (Michèle LeBlanc); Christian Berkel (Robert); Anne Consigny (Anna); Virginie Efira (Rebecca); Laurent Lafitte (Patrick); Charles Berling (Richard); Alice Isaaz (Josie); Judith Magre (Irène)

É prova que, com apenas duas forças, é possível criar um cinema colossal. Foi isso que o diretor holandês Paul Verhoeven (RoboCop – O Policial do Futuro, O Vingador do Futuro, Instinto Selvagem) e a atriz francesa Isabelle Huppert (A Professora de Piano, Huckabees - A Vida é uma Comédia, Amor) fizeram em Elle, filme representante da França para o Oscar em 2017. Elle acompanha a vida de Michèle LeBlanc (Isabelle Huppert), que é chefe-executiva de uma empresa que cria jogos para videogames. E é assim que o transgressor diretor holandês nos apresentará Michèle, durante seus cento e trinta minutos de duração: como ‘a chefe do jogo’. Da primeira cena do filme, onde Michèle é violentada física e sexualmente por um homem mascarado, até a última cena, em um cemitério, ao lado de sua única “amiga” Anna (Anne Consigny), ela mostra ter posse total do controle do ‘jogo da sua vida’. O ‘joystick’ está na mão dela! Foi isso que Paul Verhoeven quis para sua protagonista. Diretor este, que também é um bom manipulador. Em Elle, não há preocupação extrema com fotografia, trilha sonora, ou uma edição dinâmica, não. Tudo o que temos em Elle, é a mente holandesa de um diretor que adora explorar violência explícita, sexualidade e até, sátira. Verhoeven é um zombador, um trocista. Ele “provoca” feministas, ao mesmo que pratica empoderamento através do estupro. Um desbravador audacioso. Vingança, rebeldia, sadismo, libertinagem, revolta, ultraje, choque, violação... palavras e conceitos estes, que na mão deste diretor, em alguns de seus filmes, ganham uma roupagem provocadora, e um humor (negro, no caso) delicioso. Uma verdadeira cruzada de pernas para o público na poltrona. Entender a mente deste diretor, é conhecer quem é Michèle, interpretada com primazia por Isabelle Huppert. Michèle é manipuladora, agressiva em suas palavras, sensual, incitadora, poderosa, vingativa, sádica... e Isabelle Huppert consegue encapsular tudo isso, além de um humor inebriante, como uma luva em um dia frio de inverno. Ela foi um nítido reflexo de seu diretor. Como dito antes, Michèle produz jogos de videogame (com uma preferência por jogos violentos e hipersexualizados, vale notar), mas ela é também uma jogadora especialista na vida real. Michèle busca controlar as situações, mesmo as mais sórdidas, e as pessoas em sua volta. Ela controla tudo o que puder e todos que quer. Ela controla seu amante, provocando-o com outro homem, além de voltar e terminar seu relacionamento com ele, repetidamente; ela controla sua melhor “amiga” com a maternidade (além de uma certa dependência carente) usando seu próprio filho; controla seu ingênuo (e idiota!) filho, e seu relacionamento em ebulição com sua nora; controla seu sonhador ex-marido com ciúmes e também, com afagos, mantendo-o sob sua tutela; controla seu viril vizinho, vorazmente com seu corpo e ímpeto; controla sua “idosa” (ótima personagem interpretada por Judith Magre) e dependente mãe com humilhações, e consegue inclusive, controlar a vida trágica de seu pai, preso por décadas, por um massacre sanguinolento que cometera quando Michèle era só uma menina. Mais impressionante ainda,…

Nota

Elle

Excelente

Este é o primeiro filme francês de Paul Verhoeven.

100