Crítica: Lumière! A Aventura Começa | Cinematecando

Posted On 13/12/2017 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Lumière! A Aventura Começa

Compilação de filmes dos irmãos Louis e Auguste Lumière traz ótima restauração e boa variedade, mas narração limita a experiência

O trabalho dos irmãos Lumière é de uma importância inegável para os anos de formação do cinema. Conhecidos como inventores do cinematógrafo, câmera capaz de captar imagens em movimento, também são, na visão de Thierry Frémaux, verdadeiros cineastas.

Partindo dessa constatação, Frémaux, que é diretor do Festival de Cannes e cinéfilo de carteirinha, compõe seu novo documentário Lumière! A Aventura Começa a partir de 114 filmes, todos restaurados em 4K. A curadoria do material é admirável, enquanto a música de Camille Saint-Saëns percorre os curtas de maneira graciosa. Infelizmente, é a narração do próprio Frémaux que configura as maiores limitações do projeto.

Embora existam trechos com constatações interessantes sobre a produção dos curtas, a leitura destes feita por Frémaux recai com frequência sobre suas opiniões pessoais do material. Enquanto “A Saída dos Operários da Fábrica Lumière” tem suas três diferentes versões identificadas e analisadas com um olho de águia, muitos curtas são apenas tidos como “belos”, “soberbos”, “majestoso” ou mais uma infinitude de adjetivos.

E mesmo que Frémaux aponte curiosidades diversas que fascinam qualquer cinéfilo, fica o questionamento: não poderíamos ver e ler as imagens por conta própria? Não estou dizendo que os filmes dos Lumière devem ser vistos da mesma forma que “O Homem com uma Câmera”, de Dziga Vertov, mas acredito que a presença constante da visão de Frémaux, independente de seus pontos altos e baixos, acaba por afunilar demasiadamente a visão do espectador.

Ainda assim, estamos falando de filmes essenciais para a história do cinema, e sua restauração é motivo suficiente para justificar a experiência com Lumière! A Aventura Começa. Ver curtas como a comédia “O Regador Regado” e o filme caseiro “O Café da Manhã do Bebê”, em uma tela grande e na melhor qualidade possível, é algo que fascina e atesta a riqueza de ideias e ambição de Louis e Auguste Lumière, verdadeiros pioneiros.

Lumière! A Aventura Começa acaba por ser uma cine-aula preferencialmente introdutória ao público que procura conhecer a obra dos irmãos do título.  A narração de Thierry Frémaux pode cativar uns e alienar outros, mas devo dizer que o intuito é honroso. Se ainda não conhece os Lumière ou tem curiosidade de conferir filmes primordiais em sua melhor forma, esta é uma experiência aconselhável.


Trailer

Compilação de filmes dos irmãos Louis e Auguste Lumière traz ótima restauração e boa variedade, mas narração limita a experiência O trabalho dos irmãos Lumière é de uma importância inegável para os anos de formação do cinema. Conhecidos como inventores do cinematógrafo, câmera capaz de captar imagens em movimento, também são, na visão de Thierry Frémaux, verdadeiros cineastas. Partindo dessa constatação, Frémaux, que é diretor do Festival de Cannes e cinéfilo de carteirinha, compõe seu novo documentário Lumière! A Aventura Começa a partir de 114 filmes, todos restaurados em 4K. A curadoria do material é admirável, enquanto a música de Camille Saint-Saëns percorre os curtas de maneira graciosa. Infelizmente, é a narração do próprio Frémaux que configura as maiores limitações do projeto. Embora existam trechos com constatações interessantes sobre a produção dos curtas, a leitura destes feita por Frémaux recai com frequência sobre suas opiniões pessoais do material. Enquanto "A Saída dos Operários da Fábrica Lumière" tem suas três diferentes versões identificadas e analisadas com um olho de águia, muitos curtas são apenas tidos como "belos", "soberbos", "majestoso" ou mais uma infinitude de adjetivos. E mesmo que Frémaux aponte curiosidades diversas que fascinam qualquer cinéfilo, fica o questionamento: não poderíamos ver e ler as imagens por conta própria? Não estou dizendo que os filmes dos Lumière devem ser vistos da mesma forma que "O Homem com uma Câmera", de Dziga Vertov, mas acredito que a presença constante da visão de Frémaux, independente de seus pontos altos e baixos, acaba por afunilar demasiadamente a visão do espectador. Ainda assim, estamos falando de filmes essenciais para a história do cinema, e sua restauração é motivo suficiente para justificar a experiência com Lumière! A Aventura Começa. Ver curtas como a comédia "O Regador Regado" e o filme caseiro "O Café da Manhã do Bebê", em uma tela grande e na melhor qualidade possível, é algo que fascina e atesta a riqueza de ideias e ambição de Louis e Auguste Lumière, verdadeiros pioneiros. Lumière! A Aventura Começa acaba por ser uma cine-aula preferencialmente introdutória ao público que procura conhecer a obra dos irmãos do título.  A narração de Thierry Frémaux pode cativar uns e alienar outros, mas devo dizer que o intuito é honroso. Se ainda não conhece os Lumière ou tem curiosidade de conferir filmes primordiais em sua melhor forma, esta é uma experiência aconselhável. Trailer https://www.youtube.com/watch?v=hdg2YtK0ga4 [taq_review] Confira nosso texto sobre a coletiva de imprensa com Thierry Fremáux aqui.

Lumière! A Aventura Começa

Narração
Imagens
Música

Bom

60

Confira nosso texto sobre a coletiva de imprensa com Thierry Fremáux aqui.

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Formado em Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero (FCL). É redator no Cinematecando desde 2016.