Crítica: Por Trás dos Seus Olhos | Cinematecando

Posted On 19/03/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Por Trás dos Seus Olhos

Novo suspense de Marc Forster instiga, mas decepciona como um todo

Imagem do filme Por Trás dos Seus Olhos

Marc Forster é um diretor com uma trajetória interessante. Destacou-se inicialmente com A Última Ceia, que rendeu um Oscar a Halle Berry e depois seguiu na temporada de prêmios seguinte, com Em Busca da Terra do Nunca. E aí, bom, trilhou um caminho um tanto inusitado com A Passagem, suspense com uma proposta formal única mas mal-recebido por público e crítica. No entanto, é deste último que penso quando vejo o nome de seu diretor, sendo isso bom ou ruim.

Após um período fazendo filmes de ação, Forster volta agora com Por Trás dos Seus Olhos, uma amálgama de thriller e drama que conta a história de Gina (Blake Lively), uma jovem mulher que é cega desde que sofreu um acidente no início da adolescência. A moça é casada há um tempo com James (Jason Clarke, Winchester), e os dois vivem em Bangkok. Quando surge a oportunidade de realizar uma cara cirurgia, Gina felizmente volta a enxergar, estranhando de início a aparência real de todas as coisas, inclusive o próprio marido, que pode não ser a pessoa exemplar que sempre imaginou.

O maior mérito do filme é instigar desde o início. Empregando truques imagéticos como os de A Passagem, Forster entrega uma experiência sensorial que nos bota na posição da protagonista, construindo a relação da mesma com o mundo que a cerca. Claro, vemos quase tudo do lado de fora, mas com floreios o suficiente para embalar o espectador com a proposta. É quando Gina volta a ver que, de todas as maneiras, o filme se torna cada vez menos interessante.

Por um bom tempo, admito que fiquei intrigado com a dinâmica entre Gina e seu marido, uma relação que vai ganhando contornos cada vez mais incertos. O ritmo lento proposto no roteiro de Forster e Sean Conway engana, criando uma sensação de desconforto que torna a experiência por vezes fascinante, mas o destino da história, no caso, não só falha em ser contundente como também evidencia o vazio do que veio antes, sendo mais uma daquelas ocasiões em que o estilo supera astronomicamente a substância.

No entanto, nem todo tempo é perdido, e isso se deve às boas interpretações de Lively e Clarke. Colegas de cena pela maior parte do filme, os dois conferem carisma e humanidade suficientes para deixar as suspeitas do espectador constantemente em cheque, o que justamente torna a simplista “virada” do longa tão decepcionante. A conclusão da história também deixa a desejar, soando pretensiosa acima de tudo.

Com o filme-família Christopher Robin já a caminho, Marc Forster é um talento comprovado que precisa de um melhor tratamento para seus projetos. Assim como A Passagem, Por Trás dos Seus Olhos é por vezes prazeroso de se ver. Com cortes, movimentações de câmera e efeitos realizados com fluidez, é um belo embrulho que esconde um conteúdo que simplesmente não está à altura.


Trailer

Novo suspense de Marc Forster instiga, mas decepciona como um todo Marc Forster é um diretor com uma trajetória interessante. Destacou-se inicialmente com A Última Ceia, que rendeu um Oscar a Halle Berry e depois seguiu na temporada de prêmios seguinte, com Em Busca da Terra do Nunca. E aí, bom, trilhou um caminho um tanto inusitado com A Passagem, suspense com uma proposta formal única mas mal-recebido por público e crítica. No entanto, é deste último que penso quando vejo o nome de seu diretor, sendo isso bom ou ruim. Após um período fazendo filmes de ação, Forster volta agora com Por Trás dos Seus Olhos, uma amálgama de thriller e drama que conta a história de Gina (Blake Lively), uma jovem mulher que é cega desde que sofreu um acidente no início da adolescência. A moça é casada há um tempo com James (Jason Clarke, Winchester), e os dois vivem em Bangkok. Quando surge a oportunidade de realizar uma cara cirurgia, Gina felizmente volta a enxergar, estranhando de início a aparência real de todas as coisas, inclusive o próprio marido, que pode não ser a pessoa exemplar que sempre imaginou. O maior mérito do filme é instigar desde o início. Empregando truques imagéticos como os de A Passagem, Forster entrega uma experiência sensorial que nos bota na posição da protagonista, construindo a relação da mesma com o mundo que a cerca. Claro, vemos quase tudo do lado de fora, mas com floreios o suficiente para embalar o espectador com a proposta. É quando Gina volta a ver que, de todas as maneiras, o filme se torna cada vez menos interessante. Por um bom tempo, admito que fiquei intrigado com a dinâmica entre Gina e seu marido, uma relação que vai ganhando contornos cada vez mais incertos. O ritmo lento proposto no roteiro de Forster e Sean Conway engana, criando uma sensação de desconforto que torna a experiência por vezes fascinante, mas o destino da história, no caso, não só falha em ser contundente como também evidencia o vazio do que veio antes, sendo mais uma daquelas ocasiões em que o estilo supera astronomicamente a substância. No entanto, nem todo tempo é perdido, e isso se deve às boas interpretações de Lively e Clarke. Colegas de cena pela maior parte do filme, os dois conferem carisma e humanidade suficientes para deixar as suspeitas do espectador constantemente em cheque, o que justamente torna a simplista "virada" do longa tão decepcionante. A conclusão da história também deixa a desejar, soando pretensiosa acima de tudo. Com o filme-família Christopher Robin já a caminho, Marc Forster é um talento comprovado que precisa de um melhor tratamento para seus projetos. Assim como A Passagem, Por Trás dos Seus Olhos é por vezes prazeroso de se ver. Com cortes, movimentações de câmera e efeitos realizados com fluidez, é um belo embrulho que esconde um conteúdo que simplesmente não está à altura. Trailer https://www.youtube.com/watch?v=fXCR8FovC2g

Por Trás dos Seus Olhos

Direção
Roteiro
Elenco

Regular

53

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Formado em Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero (FCL). É crítico, redator e revisor no Cinematecando desde 2016.